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Em Nova Fase, a Osklen Revigora Seu Luxo Esportivo com a Força do Clã Metsavaht

Ao lado dos filhos Caetana, Thomas e Felipe, Oskar Metsavaht diz que a marca está pronta para o futuro

8 min

Abril de 2018, edição N45 da São Paulo Fashion Week. Faltam poucos minutos para a Osklen entrar na passarela, Oskar Metsavaht, um gaúcho radicado no Rio de Janeiro, chama a atenção para um modelo no cantinho do backstage, meio tímido. É Felipe, seu caçula que está ali para dar vida às criações da grife carioca. Apesar do nervosismo aparente, o rapaz tira de letra o desafio. Afinal, conhece como poucos a instituição. “Eu me lembro de sentar à mesa não só com ele, mas também com meus outros dois filhos, Thomas e Caetana, para falar o que pensávamos sobre a marca; eu pedia opinião. Queria saber, mesmo, o que achavam do trabalho, se o caminho que estávamos trilhando era interessante. Livros de viagem, revistas, arte em geral eram assuntos corriqueiros nesses momentos. Foi um lar cheio de referências”, diz o designer.

Corta para 2026. Felipe, o “new face” de oito anos atrás, agora tem papel decisivo na empresa fundada por seu pai em 1989, mergulhando fundo na parte criativa. É de sua autoria a linha TRKK, voltada para os esportes ao ar livre – o que não deixa de ser uma forma de recontar a história de Oskar que, nos primórdios, desenhou, com a ajuda do irmão Leonardo, casacos de expedição de alta montanha. “Não existe muita distinção entre o que é trabalho ou não com meu pai. Tudo o que fazemos está diretamente relacionado ao nosso estilo de vida e interesses pessoais, não há uma linha entre o pessoal e o profissional. Nem sempre é fácil, mas acredito que é isso que torna a Osklen tão única, o quão particular e genuíno é o universo criado”, comenta o caçula dos Metsavaht.

A TRKK tem como carro-chefe um tênis outdoor inspirado nos modelos de trilha e que faz bastante sucesso. A Osklen acaba de lançar um exemplar em verde-limão, batizado de TRKK Lime, limitado a 300 peças.

Orgulhoso, Oskar conta que a presença do clã na marca não se resume a Felipe. Thomas, o filho do meio, é responsável pela comunicação digital da Osklen, dirigindo e produzindo filmes que transpiram o DNA da casa. É dele a edição do documentário a ser exibido no dia 17 de junho no Notthesamo Anexo, na Vila Buarque, em São Paulo. O filme reafirma a cultura da empresa enquanto junta imagens de arquivo da família, como viagens e processos criativos.

Caetana, a primogênita, ocupa a cadeira de diretora de conceito e marca do Janeiro Hotel, invenção de seu pai para expandir os negócios, porém sem abrir mão da essência. Os herdeiros, aliás, fazem parte do conselho da Osklen, que tem ainda a presença de Nazaré, a matriarca da família, e Juliana Suassuna, diretora de design de moda da grife. “Nesses encontros, discutimos a marca em termos de cultura, valores e business. Dessas reuniões, saem possibilidades para as coleções, desfiles, novos produtos, campanhas. Gostamos muito de originalidade, mas não da palavra vazia. É uma satisfação enorme poder expressar o que somos e imaginamos”, comenta Oskar.

A intenção é sermos a marca de luxo número um do Brasil para o mundo

Oskar Metsavaht

Entre fevereiro e março, a família esteve na Europa para umas semanas de férias, o que não significa que o trabalho ficou em stand by. Apenas Caetana, que acaba de dar à luz, ficou de fora da aventura. “Não moramos na mesma casa, então passamos mais tempo juntos quando estamos viajando. Recentemente, ficamos isolados nos Alpes austríacos, vivendo a cultura de montanha, produzindo fotos e vídeos de snowboard com nossas peças que estão chegando às lojas e já gerando ideias para o inverno 2027.

Esse é um ciclo que se renova constantemente, assim como a moda”, discorre Felipe, que ainda deu uma passada em Paris para a semana de moda. “Gostamos desse contraste. Na volta, nós nos deparamos com nossa essência tropical. Estamos sempre trocando sobre inspirações com as equipes, coisas em andamento e ideias para futuro. Parece que não tem início, meio e fim, tudo faz parte de um grande projeto”, acrescenta ele.

Oskar está realmente feliz com a nova fase da Osklen, que há quatro anos deu uma revigorada com a chegada de sangue novo. Em abril de 2022, o Grupo Dass anunciou que havia concluído a compra de 60% da Osklen que estavam sob o controle da Alpargatas S.A. “Sugeri que eu tivesse a direção criativa da casa, mas obviamente que definiríamos a estratégia juntos. É um parceiro que gosta da marca, que tem governança e a visão de construir algo. Somos alinhados, compartilhamos valores e posicionamentos”, pontua o estilista. “Os calçados da linha TRKK atingiram essa maturidade porque o Dass tem qualidade reconhecida internacionalmente. Unimos a tecnologia do grupo com nossa criatividade e design.”

Nessa mesma sinergia, nasceu a cápsula do Janeiro Hotel com a etiqueta. Cool, elegante e deliciosamente carioca, a coleção nasceu com Caetana e Juliana Suassuna no comando. “É bom experimentar”, observa Oskar. “Se as pessoas repararem, nossos braços têm em comum a questão de lifestyle.” Mas nada causou tanto alvoroço quanto a parceria com a Moncler. As duas grifes desenvolveram os uniformes da equipe brasileira para as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno este ano. Foi o assunto das redes sociais. “Não esperávamos esse sucesso.”

Coube ao esquiador Lucas Pinheiro Braathen desfilar o look. Não poderia ter escolha melhor. “Ele tem o estilo da geração Z. É um showman, no bom sentido, e um grande atleta”, elogia Oskar. “No estilo, quis que as peças refletissem o que somos, minimalistas. O branco traz sofisticação e uma importante naturalidade, uma folha de papel para algo ser iniciado. Pode ser uma uma tela para ser pintada, uma montanha de neve pronta para ser riscada. A exuberância das cores tropicais da bandeira brasileira foram se revelando aos poucos.“

Reprodução/InstagramLucas Pinheiro Braathen nas Olimpíadas de Inverno

Neste novo momento, Oskar tem se empenhado em contar um pouco da história da marca. Após as expedições no fim da década de 1980 nas altas montanhas, o criador, à época um jovem médico, desejava mesmo mostrar as fotos que fez de suas andanças e aventuras por aí. Os casacos também estavam no radar do gaúcho. “A mãe de um amigo tinha uma garagem que não usava, em sua casa em Búzios, na Rua das Pedras, e nos permitiu remodelar e transformar no que seria nossa primeira loja. Devia ter 25, 30 metros quadrados. Ficou uma joia, bem minimal, toda branca, com uma logo meio esportiva”, recorda. “As roupas eram feitas em pequenas confecções no subúrbio carioca. Nazaré e eu estávamos sempre em Vaz Lobo, na Ilha do Governador”, relembra. “Curioso estarmos trazendo à tona nosso passado: esporte ao ar livre, a linha Atelier, que são umas criações mais ‘especiais’… Para meus filhos e os outros jovens, o que fizemos nos anos 1990 é vintage.”

Felipe e Thomas também são responsáveis pela nova linha de roupas técnicas para o frio, feitas para serem usadas em camadas em temperaturas extremas – ou nem tanto. É, de certa forma, uma volta às origens da Osklen: a marca nasceu a partir de um casaco térmico desenvolvido por Oskar para a expedição que fez há exatos 40 anos nas montanhas do Aconcágua. A nova geração da família atualiza a ideia para as condições e necessidades atuais, seja nos montes nevados ou na cidade.

Quanto ao futuro, Oskar entrega que é assunto até no café da manhã. “Além de tudo que os meninos fazem, pedi para irem fundo na questão da inteligência artificial. Uma viagem a China é mais um ponto, mas para pensar o país. A Europa é mais um destino, e a ideia é usar Portugal, onde temos loja, para começar a expansão. A intenção é sermos a marca de luxo número um do Brasil para o mundo. Estamos vibrando à beça também com o bem-sucedido retorno da Osklen às passarelas, na abertura da Rio Fashion Week, em abril. Foi uma honra.”

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