Durante anos, viajar na classe econômica foi uma experiência cada vez menos confortável. Enquanto as companhias aéreas adicionavam mais assentos e reduziam o espaço para as pernas, os investimentos se concentravam nas cabines premium, com novas suítes executivas e espaços luxuosos de primeira classe.
Agora, com o crescimento das rotas ultralongas sem escalas conectando os pontos mais distantes do planeta, algumas empresas estão inovando também na econômica. A Air New Zealand acredita ter encontrado uma solução para quem passa quase um dia inteiro dentro de um avião: camas na classe econômica.
A partir de novembro, a companhia lançará o conceito Skynest nos voos entre Nova York e Auckland, uma das rotas mais longas da aviação comercial, com quase 18 horas de duração. O produto consiste em um conjunto de seis cápsulas para dormir totalmente reclináveis, distribuídas em três níveis — essencialmente beliches no céu — localizadas entre as cabines econômica e premium economy nos novos Boeing 787-9 da companhia. Cada cápsula poderá ser reservada por um período de quatro horas.

Cada espaço mede aproximadamente 1,98 metro de comprimento e 63 centímetros de largura na altura dos ombros. As cápsulas contam com travesseiro completo, lençóis, cobertor, cortina de privacidade em malha e um kit de amenidades com máscara para os olhos, protetores auriculares e creme para as mãos da marca neozelandesa Aotea.
“Cada cápsula possui seu próprio sistema de ventilação, entradas USB e USB-C para carregamento e uma luz de leitura individual”, explica Jeremy O’Brien, diretor de experiência do cliente da Air New Zealand. “Tentamos criar algo que realmente parecesse um ninho e um espaço privado.”
Segundo O’Brien, as referências para o design vieram de fora da indústria da aviação. Entre as inspirações estão os vagões-leito de trens de longa distância e os hotéis-cápsula japoneses.
O período de quatro horas foi definido com base em estudos sobre o sono. “Quatro horas equivalem a cerca de 2,8 ciclos de sono”, afirma O’Brien. “Você leva entre 15 e 20 minutos para adormecer e outros 15 a 20 minutos para despertar gradualmente com iluminação ambiente. O objetivo é permitir dois ciclos completos de sono REM, capazes de realmente amenizar o impacto da viagem.”

O Skynest poderá ser reservado como um adicional às tarifas da classe econômica ou premium economy. Inicialmente, haverá dois períodos disponíveis por voo, programados entre os serviços de refeição, e cada passageiro poderá reservar apenas uma sessão. As reservas serão abertas em 18 de maio para viagens a partir de novembro.
Segundo O’Brien, a companhia encara o lançamento como um experimento em tempo real. “Vamos lançar e aprender”, diz. “Acreditamos que as pessoas terão preferências entre os beliches inferior, intermediário ou superior. Também imaginamos que uma das sessões possa ser mais popular do que a outra. Com o tempo, utilizaremos a dinâmica normal de oferta e demanda para ajustar o modelo, mas só saberemos de fato quando o produto estiver no mercado.”
O Skynest é o segundo produto reclinável criado pela Air New Zealand para passageiros da econômica. O primeiro foi o Skycouch, lançado em 2011, que transforma uma fileira de três assentos em um sofá-cama plano, podendo ser utilizado por uma pessoa ou compartilhado com um parceiro ou criança. O Skycouch — vencedor do prêmio de Inovação do Ano no Forbes Travel Guide Verified Air Travel Awards 2025 — continua sendo a opção mais prática para famílias ou para quem deseja uma superfície plana durante todo o voo.
Já o Skynest possui restrição de idade e só pode ser utilizado por passageiros com 15 anos ou mais.

Outra companhia aérea também aposta na ideia de camas na econômica. A United Airlines apresentou neste ano o Relax Row, uma fileira especial de três assentos equipada com apoios ajustáveis para as pernas que formam uma superfície plana. O produto inclui ainda um colchão adaptado e travesseiros extras.
Na prática, trata-se de uma versão americana do Skycouch, já que a Air New Zealand licenciou a patente para a United. O Relax Row começará a ser instalado em mais de 200 aeronaves Boeing 787 e 777 a partir de 2027.
“A cultura neozelandesa é baseada em inovar e experimentar”, afirma O’Brien. “Historicamente, por estarmos isolados geograficamente, sempre tivemos que resolver nossos próprios problemas.”
Para viajantes que passaram anos tentando dormir em fileiras vazias ou improvisando com travesseiros de pescoço desconfortáveis, quatro horas de sono de verdade em uma cama plana durante um voo de 18 horas podem ser justamente o incentivo que faltava para embarcar.
“Acreditamos que a Nova Zelândia é um destino extraordinário”, conclui O’Brien. “Mas a duração da viagem ainda é uma barreira para muitas pessoas. Como companhia aérea que atende esse mercado, decidimos que precisávamos ser os melhores quando o assunto é sono.”
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com