Você pode desejar um “diamante do tamanho do Ritz”, recorrendo à expressão que ganhou o mundo com o conto de F. Scott Fitzgerald na década de 1920. Mas, embora o brilhante jamais possa ser chamado de coadjuvante, as pedras coloridas são as verdadeiras protagonistas de Couleur Vivante, a nova coleção de fine jewelry da Prada.

Aterrissando pela primeira vez no Brasil (a apresentada em formato appointment-only para um grupo seleto de clientes), a linha assinada por Miuccia Prada e Raf Simons subverte a lógica do ready-to-wear. Concebida a partir de um dos códigos mais reconhecíveis da casa, a inteligência no uso da cor, a coleção coloca o foco absoluto na exatidão cromática das gemas. Tanto que, em tempos de imediatismo fashion, o processo exige paciência: a cliente escolhe sua peça, e a grife inicia uma busca global pelas pedras na tonalidade precisa pretendida pelos estilistas para, só então, confeccionar a peça.
Para quem lê a descrição dos itens, a estrutura pode até soar familiar ao universo joalheiro: há brincos de gota, anéis solitários, além de pulseiras e colares em riviera. Mas não se engane, aqui não há espaço para o design à moda antiga. Lapidados com um twist contemporâneo, os itens sugerem novas proporções através de contrastes intencionais. Para que o jogo cromático reine absoluto, a Prada abriu mão de interferências estruturais marcantes: as garras e caixas são praticamente invisíveis, criando a ilusão de que as pedras flutuam sobre a pele.

A seleção de preciosidades inclui água-marinha (cujos exemplares mais nobres, vale notar, vêm da histórica mina de Santa Maria, aqui no Brasil), citrino-madeira, peridoto ouro-verde, ametista e morganita-rosa. Esta última funciona como o manifesto da precisão exigida pela marca: a especialista da Prada, que desembarcou no país especialmente para o lançamento, nos contou que o tom exato de rosa pálido desejado por Miuccia está entre os mais raros do mercado gemológico.
Para alcançar esse rigor, as gemas são selecionadas em sua forma mais pura e esculpidas a partir do cristal bruto. Elas são mantidas sem qualquer tipo de tratamento (uma prática comum no mercado tradicional), preservando o caráter autêntico do mineral antes da lapidação.

Amarrando a lógica das passarelas ao rigor da joalheria, a ideia de styling é o ponto final da experiência. A recomendação da casa é o jogo de sobreposições: misturar os anéis com o emblemático Prada Triangle em diferentes dedos, alternando as orientações geométricas. O resultado é o luxo em seu estado mais cool.
Com Antonia Petta e Sylvain Justum