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Maria Grazia Chiuri Estreia Juntando Arte e Desejo na Alta-costura da Fendi

A designer olhou para os arquivos da marca e para referências art nouveau em sua primeira coleção couture para a casa romana

3 min

Maria Grazia Chiuri estreou na alta-costura da Fendi exaltando o desejo, o prazer, a sensualidade e a liberdade, e prestando homenagem a Karl Lagerfeld. O ponto de partida para a coleção apresentada em Roma na quinta-feira (9) foi uma exposição de 1985 dedicada à obra de Lagerfeld, que ficou 54 anos na direção criativa da grife romana.

Na mostra, chamaram a atenção de Chiuri os grafismos em labirinto de algumas peças expostas, inspirados pelo movimento artístico austríaco A Secessão de Viena, ligado ao art nouveau e fundado em 1897 e liderado pelo trio Gustav Klimt, Koloman Moser e Josef Hoffmann, que buscava integrar arquitetura, pintura e design. A padronagem reapareceu, à maneira de Chiuri, nos looks iniciais do desfile realizado na Galleria Nazionale d’Arte Moderna e Contemporanea, em vestidos fluidos e esvoaçantes, com mangas quimono que pontuaram também casacos e vestes ao longo da apresentação. 

Inteirinha em preto e branco, a coleção reafirma a predileção de Maria Grazia Chiuri por uma estética minimalista e austera, uma identidade que a diretora criativa carrega desde os tempos de Dior. O que também não mudou foi a estreita ligação da designer com a arte, presente nas referências da coleção, mas também na locação escolhida para o show e no filme em curta metragem Love Monster, de Valeria Golino, apresentado previamente ao desfile. A sétima arte se manteve presente no glamour clássico, no melhor clima Cinecittà, que conduziu a apresentação, impregnado nos vestidos longos prontos para o tapete vermelho. 

O recato da silhueta ganhou jogo de esconde-e-revela nas partes de cima, com decotes generosíssimos e transparências em tule, além de fendas estratégicas aqui e ali. A ode ao desejo e à uma sensualidade discreta apareceu também na lingerie acetinada e equilibrou o jogo com a alfaiataria clássica muito elegante que Chiuri sabe fazer tão bem. Sobraram referências art nouveau, bem anos 1920, em bordados de túnicas e vestidos também, linkando a misteriosa mulher da Fendi com a referência artsy da coleção. Foi um début seguro, sem maiores surpresas, mas promissor, com uma pitada muito bem-vinda de sensualidade italiana em uma elegância que promete permanecer atemporal. 

*Com Sylvain Justum

*Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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