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Dior Faz Alta-costura com Silhuetas Esculturais e Referências Botânicas

O diretor criativo Jonathan Anderson homenageou a obra da artista norte-americana Lynda Benglis

3 min

A estreita relação da moda com a arte ganha novo e importante capítulo no desfile de alta-costura da Dior para o inverno 2026/2027, apresentado na segunda-feira (06) em Paris. Três dias depois de vestir Taylor Swift e Travis Kelce para seu casamento e inspirado pela obra da artista norte-americana Lynda Benglis, o diretor criativo Jonathan Anderson não economizou em volumes e texturas inseridos em silhuetas esculturais e imersos em um oásis de celebração à natureza.

Reconhecida por redefinir a escultura na década de 1960, o trabalho de Benglis desafia as noções de forma, gesto e materialidade estabelecidas pelo minimalismo, corrente artística dominante da época. Ao longo de sua extensa e consistente pesquisa, Benglis sempre questionou as regras e limitações relativas ao corpo, à imagem e ao processo do fazer artístico.

As peças de Benglis – escultóricas, de formas retorcidas e inspiradas na natureza – foram reinterpretadas em vestidos, bolsas e chapéus metálicos plissados, acabamentos em renda com motivos de samambaia e acessórios lúdicos, incluindo bolsas em formato de cacto e tatu.

“Eu estava pensando nessa ideia de materialidade, de feminilidade sob uma ótica diferente”, disse Anderson antes do desfile. “O que adoro em Lynda e em sua obra é que há algo que transmite uma alegria espontânea. E, ao mesmo tempo, é algo vigoroso. Acredito que ela seja uma das maiores artistas vivas. Ela é profundamente inspiradora; é alguém que desafia a minha perspectiva sobre como vejo a forma no meu próprio trabalho.”

Além de Lynda Benglis, contribuíram como referências na coleção, nomes como Gustav Klimt – no belíssimo vestido de noiva rendado, uma alusão à pintura “Portrait of Margaret Stonborough-Wittgenstein”, de 1905 -, Lucio Fontana e seu grafismo minimalista, Berthe Morisot – cujo leque na pintura “Portrait of Marguerite Carré” apareceu aplicado em looks como o macacão azul bebê -, William Henry Fox Talbot e até um artista japonês não-identificado do século 19, estes últimos com prints e bordados florais e botânicos.

Jonathan Anderson segue reinterpretando os códigos da Maison, como a silhueta Bar ou a ode às flores, mas também já a começa a imprimir os seus, como as barras onduladas ou os volumosos ruffles, desta vez aplicados nos belíssimos looks de blusa e saia fluidos, de aspecto líquido, com margaridas aplicadas. Laços, franjas, drapeados, muita leveza, transparências, metalizados e um espaço generoso para a botânica, a começar pela ambientação da sala de desfile, uma verdadeira floresta espelhada.

No jardim arsty da Dior, a lady romântica de personalidade desafiadora da Maison – como a de Lynda Benglis – caminha calçada em escarpins cobertos de flores, enquanto transmite uma mensagem de liberação de excessos e foco em um minimalismo funcional. Como pede a couture atual.

*Com Sylvain Justum

*Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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