Laser é uma tecnologia consagrada há muito tempo como eficaz para apagar manchas, suavizar uma ruga, uniformizar textura e melhorar a qualidade da pele. Mas, conforme avançam os estudos científicos, novos benefícios têm sido descobertos, comprovando que essa tecnologia faz algo mais profundo do que é possível enxergar no espelho.
Há quase 20 anos utilizo lasers e outras tecnologias com esse olhar. Mais do que tratar um sinal visível de envelhecimento, meu objetivo sempre foi preservar a saúde da pele, estimular seus mecanismos naturais de regeneração e favorecer a longevidade. Durante muito tempo, essa visão se apoiou principalmente na experiência clínica e nos resultados observados no consultório. Hoje, a ciência começa a explicar parte desses mecanismos e a mostrar que alguns tratamentos podem exercer efeitos que vão além da superfície da pele.
Um exemplo desse potencial do laser é um estudo publicado recentemente na Nature Scientific Reports. Pesquisadores mostraram que o tratamento com laser pode influenciar processos biológicos ligados ao envelhecimento cutâneo. Eles acompanharam 22 adultos que receberam três sessões de laser em apenas um lado do rosto, deixando o outro lado como controle.
Ao longo de seis meses, foram medidos marcadores epigenéticos, um conjunto de mecanismos que decidem quais genes ficam ativos ou silenciados ao longo da vida. O resultado foi que boa parte desses marcadores, no lado tratado, passou a se comportar de forma mais parecida com a de uma pele biologicamente mais jovem.
Ainda é cedo para conclusões definitivas, porque se trata de um estudo piloto, com número reduzido de participantes e que precisa ser reproduzido por grupos independentes. Portanto, é cientificamente incorreto afirmar, com base nesse estudo, que o laser “rejuvenesce o DNA”.
Mas ele reforça uma mudança importante de perspectiva, com os procedimentos dermatológicos deixando de ser avaliados apenas pelo resultado estético e sendo compreendidos também pelo impacto que exercem sobre a biologia da pele. Isso aproxima a dermatologia estética da medicina regenerativa.
Outro aspecto que me chama a atenção é o tempo biológico dos efeitos na pele. A resposta vai sendo construída ao longo dos meses após o protocolo completo. Ou seja, o benefício não acontece de uma vez. Ele é resultado de um processo. É a mesma lógica do uso diário de protetor solar, das consultas regulares e dos tratamentos feitos com continuidade, e não com urgência.
Envelhecer bem não é apenas ter menos rugas. É preservar a capacidade de regeneração da pele, sua função de barreira, sua qualidade e sua resistência ao longo dos anos. Essa é a essência do conceito de longevidade da pele que vem transformando a dermatologia nos últimos anos.
O laser, porém, não produz resultados sozinho. Existem diferentes plataformas, comprimentos de onda e indicações para cada necessidade. O sucesso do tratamento depende da escolha correta da tecnologia, dos parâmetros utilizados e, principalmente, do conhecimento e da experiência do dermatologista especialista.
*Dra. Letícia Nanci, especialista em dermatologia pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Academia Americana de Dermatologia (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD)
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