Quando Giuseppe Cipriani chegou pela primeira vez a Punta del Este, em 1987, o motivo estava do outro lado do Rio da Prata: ele tinha negócios na Argentina. O que começou como uma passagem, porém, tornou-se uma relação de mais de trinta anos. Desde então, o CEO do Grupo Cipriani voltou praticamente todos os anos ao Uruguai, comprou uma casa e fez do país sua residência sempre que não está viajando.
“Amo as pessoas, as praias selvagens e o vasto campo. Há tanta beleza e autenticidade reunidas em um só lugar”, diz Cipriani. Para ele, Itália e Uruguai se encontram justamente “na capacidade que ambos compartilham de desfrutar os prazeres simples da vida”.
Essa relação pessoal ajuda a explicar a crescente presença do grupo no país e, mais especificamente, em Punta del Este. Enquanto prepara para 2027 o Cipriani Resort, Residences & Casino, no terreno do antigo hotel San Rafael, a família também aposta em uma escala mais intimista no Locanda Punta del Este, em La Barra. Em sua nova temporada, o hotel de 100 quartos e suítes reforça o wellness como um de seus principais pilares, com a chegada do novo Locanda Spa.
A escolha de La Barra permite explorar um lado diferente de Punta del Este. Rodeado pela floresta e a poucos minutos do Atlântico, o endereço troca parte da agitação associada ao balneário por privacidade, tranquilidade e um ritmo mais lento. É nesse cenário que o Cipriani procura traduzir uma tradição de hospitalidade que atravessa quatro gerações para um viajante que, segundo o grupo, mudou também sua definição de luxo.

“Os hóspedes estão cada vez mais em busca de uma experiência completa, e não apenas de um lugar bonito para se hospedar”, afirma Pedro Nora, diretor de Marketing e Vendas do Cipriani Punta del Este. “Eles valorizam privacidade, serviço, alta gastronomia, bem-estar e a possibilidade de aproveitar o tempo sem se sentir apressados.”
Wellness para além da sala de tratamento
É nesse contexto que o novo spa ganha importância. Em vez de funcionar apenas como uma comodidade adicional, ele foi pensado como parte de uma experiência que combina tratamentos holísticos, movimento, descanso, alimentação e contato com a natureza. A água ocupa papel central: piscinas de hidroterapia, circuitos termais, piscina interna aquecida, terapias de contraste e áreas de relaxamento integram a estrutura.
“O bem-estar se tornou uma parte essencial da forma como as pessoas pensam sobre viagens. Os hóspedes já não enxergam o wellness como algo separado das férias”, diz Nora. A proposta, segundo ele, é que a sensação de desaceleração comece antes mesmo de qualquer tratamento. “O próprio entorno é uma parte importante da experiência: a natureza ao redor, a tranquilidade de La Barra e a sensação de privacidade criam um ambiente natural para desacelerar.”
Na prática, o wellness se espalha pelo restante da estadia. Há programas de nutrição voltados a diferentes objetivos de saúde e longevidade, ioga, meditação e treinamento funcional, além de academia, estúdio de spinning, piscinas aquecidas interna e externa, duas quadras de tênis, uma de padel e bicicletas para explorar os arredores de La Barra. Luz natural, jardins e a proximidade da floresta e do oceano ajudam a conectar essas atividades à paisagem.

A ideia acompanha uma mudança perceptível na hotelaria de alto padrão: menos ostentação como demonstração de luxo e mais atenção ao tempo, à privacidade e à personalização. No Locanda, essa leitura aparece tanto no wellness quanto na própria escala da experiência. “O luxo pode ser sentido, e não exibido”, resume Nora. “Está relacionado a ter tempo, liberdade de escolha e tranquilidade.”
A herança italiana, por sua vez, continua presente sobretudo no serviço e à mesa. No Harry’s Table, a tradição culinária do Cipriani encontra ingredientes e produtos uruguaios, do café da manhã ao jantar, passando por almoços à beira da piscina. No Lobby Bar, o piano de cauda divide a atenção com clássicos da casa, como o Bellini. A experiência chega ainda à praia no Casablanca Beach Club, a poucos minutos do hotel e com transporte para hóspedes.
Para Giuseppe Cipriani, porém, a atração pelo país continua sendo mais emocional do que conceitual. “É tranquilo, seguro e tem alma”, diz. Ele cita a natureza, as vinícolas, os passeios a cavalo, a música e a arte, incluindo o MACA, Museo de Arte Contemporáneo Atchugarry, entre aquilo que gostaria que novos visitantes descobrissem.
É justamente entre essa paisagem e quase um século de tradição italiana em hospitalidade que o Locanda tenta encontrar seu lugar. Em uma Punta del Este que atrai novos investimentos de luxo, a aposta do Cipriani não é necessariamente fazer mais barulho, mas oferecer algo que se tornou especialmente valioso para quem viaja: espaço, cuidado e, sobretudo, tempo.