Muito antes de transformar suas memórias em pintura, Luísa Matsushita viveu intensamente a noite que agora leva para as telas. Conhecida internacionalmente como Lovefoxxx, vocalista do Cansei de Ser Sexy (CSS), a artista fez parte de uma geração que colocou a efervescência cultural de São Paulo no radar internacional.
É desse repertório afetivo, construído entre ruas, encontros e madrugadas no Baixo Augusta, onde viveu no início de sua trajetória, que nasceu “Tudo que eu sei, eu aprendi à noite”, sua mais recente exposição individual. Os trabalhos ocuparam o Teatro Cultura Artística, em São Paulo. A mostra reuniu pinturas inéditas produzidas especialmente para o projeto e uma instalação site-specific de 15 metros no saguão principal. O trabalho inaugurou a nova área expositiva do teatro.
A seguir, os favoritos de Luísa Matsushita:
O que define um bom dia para você hoje?
Conseguir fazer um pouco de tudo que me faz bem: desenhar de manhã, pintar, me exercitar, cozinhar minhas refeições e caminhar.
Uma música que você nunca se cansa de ouvir.
“Echo Beach”, de Martha and the Muffins.
Uma música que você nunca se cansa de cantar.
Malemolência, da Céu. Mas eu canto para o meu gato, Fabinho, e troco “menino bonito” por “Fabinho bonito”.

Uma coisa que sempre tem na sua geladeira.
Ovo.
Um pequeno prazer que melhora imediatamente o seu dia.
Ter uma boa conversa.
Uma cidade onde você moraria por um ano sem pensar duas vezes.
Depois de viajar tanto e ter morado em tantos lugares, gosto tanto da minha rotina que essa possibilidade não existe. Eu pensaria duas, três, quatro mil vezes.
O que você faz quando precisa esvaziar a cabeça?
Quando alguém souber, me avisa, porque eu também estou procurando.
Uma mania que você sabe que tem.
Fico procurando padrões em tudo, seja visualmente, no tempo, nas estações, seja na natureza.

O que nunca pode faltar em um domingo perfeito?
Tempo. Um domingo perfeito é não ter urgência de responder a ninguém.
Uma cor que tem a sua cara.
Ocre.
Uma coisa que você faria mesmo sabendo que ninguém vai ver.
Às vezes, quando chego ao estúdio, digo, feliz, para mim mesma: “Bem-vinda, Luísa”.
Um lugar de São Paulo que ainda provoca alguma coisa em você.
A Avenida Paulista.
Uma lembrança da noite que você gostaria de guardar para sempre.
No Matrix, ouvi “Violet”, do Hole, pela primeira vez e pensei: “Acho que tô no lugar certo”.

O que você compra sem culpa?
Peito de frango orgânico e tinta a óleo.
Uma coisa que você aprendeu a gostar depois dos 30.
Caminhar.
Uma coisa que você ainda quer aprender a fazer.
Tadelakt, uma técnica marroquina de reboco para casas de banho.
*Reportagem publicada na edição 145 da Forbes Brasil, disponível nos aplicativos na App Store e na Play Store.