Keith Haring voltará a ocupar as paredes de um museu brasileiro em 2027. A Pinacoteca de São Paulo prepara uma exposição dedicada ao artista norte-americano, um dos nomes mais reconhecidos da arte urbana mundial. Com curadoria de Thierry Freitas, a mostra será realizada de 27 de novembro de 2027 a 23 de abril de 2028, na Grande Galeria da Pina Contemporânea.
Será a primeira exposição individual de Haring no Brasil desde 2010, quando Keith Haring Editions on Paper passou pela Caixa Cultural no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Com seus desenhos simples, linhas rápidas e grossas e símbolos que viraram ícones pop globais (como o “bebê radiante”, o “cachorro latindo” e formas humanas dançantes), Haring foi figura central da cena artística de Nova York nos anos 1980. Na metrópole, começou desenhando a giz sobre os painéis pretos de publicidade vazios nas estações de metrô, sempre defendendo que a arte deveria pertencer a todos, e não apenas às galerias.

Ao longo de cinco anos, criou mais de 5.000 desenhos pelas estações, reforçando uma linguagem visual que logo se tornaria inconfundível. Sua projeção também o levou a colaborar com personalidades como Andy Warhol, Madonna, Grace Jones e Yoko Ono.
Por trás da sua estética aparentemente simples, porém, havia um forte ativismo político. Haring abordou temas como o apartheid, o consumismo, os direitos da população LGBTQIA+ e o uso de drogas. Um de seus trabalhos mais conhecidos, o mural Crack is Wack, de 1986, criticava a disseminação do crack em Nova York.
A epidemia de HIV/AIDS também se tornou questão vital em sua produção. Diagnosticado em 1988, ele passou a usar sua visibilidade para ampliar a conscientização sobre a doença. No ano seguinte, criou a Keith Haring Foundation, dedicada a apoiar organizações ligadas à AIDS e programas para crianças.

Haring morreu em 1990, aos 31 anos, em decorrência de complicações relacionadas à AIDS. Breve e intensa, sua carreira durou pouco mais de uma década, mas foi suficiente para transformar uma linguagem nascida nas ruas de Nova York em repertório visual reconhecido mundialmente.
Um 2027 de arte e jogo
A exposição de Haring integra uma programação de 2027 da Pinacoteca que reunirá 12 mostras já confirmadas. Entre os nomes brasileiros estão Amadeo Lorenzato, Brígida Baltar, Carolina Cordeiro e Ana Vaz, ao lado de artistas internacionais como Belkis Ayón, Francis Alÿs e Wu Tsang.
A programação terá como eixo as relações entre arte e os sentidos de jogo. A proposta explora diferentes práticas artísticas para investigar como regras, ritos e brincadeiras podem se transformar em ferramentas de criação, comentário e invenção.
“Partimos de um panorama amplo e diverso da produção brasileira e internacional para refletir, no decorrer de 2027, sobre as relações entre a arte e os sentidos de jogo”, afirma Ana Maria Maia, curadora-chefe da Pinacoteca.
A ideia, segundo ela, é propor ao público um olhar mais lúdico para o cotidiano e refletir sobre como os significados da arte e do mundo são construídos nas experiências e nas relações.