Para o verão 2027, a diretora criativa da Lacoste, Pelagia Kolotouros, presta homenagem às raízes tenistas da marca do crocodilo e à influência que o esporte de Suzanne Lenglen exerce sobre a moda. Realizado no domingo (4) na mítica quadra central Philippe Chartrier, em Roland Garros, o desfile exalou tênis do início ao fim. Do cenário cercado de saibro, a terra batida das quadras, a elementos traduzidos em roupas e acessórios, tudo foi sobre a modalidade que deu ao mundo diversos símbolos de elegância.
Do tênis foram extraídos, por exemplo, alguns códigos preppy incorporados nas roupas que vestimos todos os dias e que ainda prevalecem no esporte. O branco total é mandatório nas quadras de grama de Wimbledon e é um look clássico dos dias mais quentes.
Ele apareceu imaculado em boas propostas de alfaiataria confortável de Pelagia no desfile batizado de Dress Code: No White Required, mas também de maneira fun, com mais referências ao jogo: molhado, em alusão ao suor dos jogadores, ou manchado de marrom, como saem os uniformes dos tenistas ao final das partidas no saibro.
Estampas que remetem à marcação de velocidade dos saques quebram a monocromia terrosa de boa parte da coleção, cores mais vivas como o amarelo das bolinhas acendem a cartela do saibro, sobreposições em camadas aparentes em mangas e barrados dão toque street a alguns looks, polos com efeito desgastado atualizam um clássico e peças em náilon colorido transmitem energia em propostas prontas para as ruas.
A Lacoste constrói um interessante equilíbrio entre o clássico e o moderno, entre a alfaiataria tradicional -ampla, fluida e sem gênero – e a tecnologia presente nos trajes esportivos. É um repertório fresh, que não cai no óbvio e no literal quando decide homenagear o esporte que fez e ainda faz a fama da marca, e prova definitivamente que nem só de branco vive a tradição do tênis.
*Com Sylvain Justum