Sabe o movimento que uma pena faz quando cai no chão? Ou quando um tecido é tão leve que escorrega pelas mãos? Essas imagens ajudam a entender a coleção do verão 2027 da Louis Vuitton, desfilada na segunda-feira (6/10) no Cour Carrée du Louvre, fechando a Semana de Moda de Paris. Assinada por Nicolas Ghesquière, desde 2014 no posto de diretor criativo da maison francesa, a coleção tem como tema a ergonomia.
Quando Ghesquière estuda os movimentos naturais do corpo humano, parece chegar à conclusão de que os tecidos são fundamentais para deixar tudo fluido. Para isso, ele lança mão de pesquisa e tecnologia, assim como recorre à tradicional seda, tecido que “desmaia” sobre a pele e cumpre o papel de segunda-pele. As saias, calças e blusas se moldam sobre o corpo e, em alguns casos, se movimentam com o andar natural das modelos, ou se comportam como se estivessem ao vento. Leveza é palavra-chave na temporada, mas assim como os chiffons duplos e triplos que ele usa na coleção, há espaço para o couro, aplicado com delicadeza.
A leveza é obtida pela escolha dos materiais e também por uma certa engenharia na modelagem. Na hora de pensar a alfaiataria, o designer remove as camadas internas dos paletós, de modo que a estrutura se mantém, mas sem rigidez. A função se sobrepõe à forma.
Gelo, amarelo manteiga, amarelo solar, cinzas, marrons e preto compõem a cartela de cores do verão 2027 da Louis Vuitton, incluindo xadrezes e sobreposições de cores. No conjunto, as peças trazem uma ideia de minimalismo e de futuro em movimento. Não é à toa que o cenário, incrível!, trazia veículos suspensos no ar, como se estivessem em uma pista automobilística. Assim como os carros voadores, a ideia de roupas futuristas, que pareciam tão distantes em 1960, agora fazem cada vez mais sentido.
*Com Milene Chaves