Quando Daniel Anderson desembarcou de uma balsa elétrica em Oslo, ele se preparou para a habitual cacofonia urbana. Ela nunca veio. “O que mais me impressionou não foram os ônibus elétricos ou as zonas de baixa emissão – embora isso seja bacana”, relembra Andersen, que comanda uma empresa de remoção de resíduos em Londres. “Foi a política de centro urbano livre de carros, que faz com que caminhar e andar de bicicleta pareçam a opção padrão. Isso não apenas reduz as emissões; muda a forma como você vivencia a cidade.”
Não é por acaso. Oslo e, na verdade, a maior parte da Noruega, é silenciosa não apenas por conta de políticas governamentais visionárias, mas também devido à eletrificação em massa. Praticamente todos os carros novos vendidos na Noruega são elétricos.
Oslo é um dos poucos destinos sustentáveis em ascensão, de acordo com o Global Destination Sustainability Index (GDSI). Uma nova leva de cidades, de Aalborg a Sydney, vem despontando para assumir o protagonismo da sustentabilidade. E elas podem valer a visita.
“Essas cidades estão incorporando a sustentabilidade ao dia a dia, e não apenas ao turismo, por meio de um transporte elétrico silencioso, ruas mais limpas e práticas de economia circular”, afirma Jennifer Kaplan, estrategista de sustentabilidade e professora da Presidio Graduate School. “Para os viajantes, isso se traduz em transporte sem carros, bairros onde se faz tudo a pé e experiências que, de forma natural, fazem bem e trazem um impacto positivo.”
Oslo: Férias no futuro
O centro de Oslo, livre de carros, é uma revelação sensorial para visitantes acostumados com centros urbanos hiperativos.

Evelyn Gong, que leciona gestão de operações na Carnegie Mellon University, diz que a cidade tem aumentado de forma consistente a proporção de transporte público elétrico e incentivado passeios de bicicleta pela cidade. “Qualquer um desses esforços bem pensados pode proporcionar uma experiência reveladora para os viajantes”, diz ela.
Mas, acima de tudo, é o silêncio. Você realmente precisa olhar para os dois lados antes de atravessar a rua, porque não há barulho de carro. Visitar um lugar como Oslo vale a pena porque, segundo os especialistas, é assim que a maioria das cidades do mundo desenvolvido vai soar em breve. Portanto, de certa forma, tirar férias lá é como dar um passo em direção ao futuro.
Aalborg: Circularidade oculta

Ben Johnson, CEO de uma empresa de gestão de resíduos no Reino Unido, já esperava encontrar ruas limpas e ciclovias em Aalborg, na Dinamarca. Em uma visita recente, no entanto, ele encontrou algo muito mais engenhoso sob a superfície. “A cidade usa o calor residual dos data centers para aquecer os bairros residenciais”, relembra. “Como visitante, você jamais notaria, mas é um dos exemplos mais inteligentes de energia circular que já vi.”
Aalborg é pioneira na simbiose industrial – onde o resíduo de uma empresa se torna o recurso de outra. Ao comparar Aalborg a outras cidades, Johnson destaca justamente o que não se vê: sem ruído de trânsito, sem lixeiras transbordando, sem plástico desnecessário em lugar nenhum. Os hotéis detalham suas políticas de neutralização de carbono e a origem dos alimentos das fazendas nos menus de café da manhã.
“Essas cidades não estão apenas fazendo greenwashing para atrair turistas”, acrescenta Johnson. “Elas estão construindo sistemas pensando primeiro nos moradores e, em segundo lugar, nos turistas. É isso que torna a experiência diferente.”
Singapura: Um oásis projetado

Steffen Lehmann, professor de arquitetura e urbanismo na Universidade de Nevada em Las Vegas (UNLV), tem na ponta da língua uma lista de iniciativas sustentáveis de Singapura: projetos de edificações verdes, reciclagem avançada de água, uma visão de “cidade com poucos carros” em que 80% dos deslocamentos utilizam transporte sustentável e mais de 400 parques. “Onde quer que você esteja em Singapura”, nota Lehmann, “nunca estará longe de uma área verde.”
Eugene Leow, que comanda uma agência de marketing em Singapura, presencia isso diariamente: “A sustentabilidade faz parte da rotina”, afirma. “O impacto é sutil, porém poderoso – você entra em um shopping e encontra jardins no teto.” A diferença para quem viaja? Uma metrópole limpa e verde onde optar por alternativas sustentáveis – desde o transporte até reabastecer a garrafinha de água – é o caminho mais natural e fácil.
Sydney: Mais árvores e ciclovias

Sydney, assim como muitas cidades em ascensão na sustentabilidade, tem como meta atingir o net-zero até 2035. Mas a cidade já ostenta uma longa lista de conquistas, incluindo o uso de 100% de eletricidade renovável nas operações municipais desde 2020.
Há também a meta ambiciosa de expandir a cobertura de árvores em 50% até 2030 e em 75% até 2050, além de um forte foco na ampliação da energia solar para torná-la a principal fonte energética. Sydney dobrou a aposta na infraestrutura para pedestres e ciclistas, o que inclui a transformação da George Street.
Embora Sydney tenha muito a exibir – incluindo um sistema de transporte público ultraeficiente -, a cidade continua sendo um destino emergente no quesito sustentabilidade. Na verdade, se você visitar Sydney, não notará a maioria dessas iniciativas a menos que alguém as aponte.
Belfast: Um renascimento verde
Belfast está moldando uma nova identidade fortemente pautada na sustentabilidade. A cidade vibra com projetos bem concretos.

Um exemplo é o room2 Belfast, um “hometel” pioneiro com 175 quartos, operando de forma 100% elétrica e com pegada neutra de carbono. Pense em bares e cafés feitos de vidro reciclado, tapetes confeccionados com redes de pesca e balcões de recepção produzidos com garrafas plásticas reaproveitadas.
Peter Muggleton, diretor-geral de uma empresa de ferragens arquitetônicas em South Croydon, na Inglaterra, visitou Belfast recentemente. “Fiquei impressionado com a quantidade de ônibus elétricos e lixeiras de reciclagem a cada esquina”, conta. “Foi um contraste enorme em relação às ruas caóticas de cidades com menos consciência ambiental.”
Mas vale a pena a viagem?
No geral, são cidades limpas, seguras e com líderes visionários que entendem o real valor da sustentabilidade.
Mas será que esses novos destinos verdes valem a passagem de avião? Bom, você não vai encontrar mascotes da sustentabilidade nem “zonas verdes” exclusivas onde o número de painéis solares supera o de pessoas. O que você vai encontrar é algo muito mais profundo: uma prévia de um futuro onde a vida urbana não é apenas menos prejudicial, mas genuinamente melhor de se viver.
“Será uma oportunidade fascinante para que líderes de outras cidades visitem, aprendam e levem algumas dessas soluções para casa”, afirma Lehmann, professor da UNLV.
Essas cidades não estão simplesmente adotando práticas sustentáveis; elas estão se redefinindo. Estão trocando o ronco do trânsito pelo sussurro das balsas elétricas, o cheiro de fumaça pelo aroma dos jardins urbanos e a dor de cabeça do lixo pela engenhosidade dos sistemas circulares. É uma revolução sutil, que muitas vezes se revela no zumbido discreto de um ônibus elétrico ou no calor imperceptível vindo do aquecimento circular dos data centers.
Você pode até não ver, mas com certeza vai sentir: no ar mais limpo, no ritmo mais tranquilo e na atenção aos detalhes gravada no tecido urbano.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com