Um iate de 30 metros muda a escala de um estaleiro. Em Itajaí, em Santa Catarina, esse salto começou a sair do papel com a montagem do Grande 30 Metri, modelo da Azimut que será o maior iate já construído no Brasil. Avaliada a partir de R$ 90 milhões, a embarcação marca a entrada da operação brasileira da marca italiana em uma faixa de barcos que, até agora, não era produzida localmente. Como o processo é essencialmente artesanal, o barco ficará pronto no final de 2028.
A construção começou em junho na fábrica da Azimut Yachts em Itajaí, única unidade própria da marca fora da Itália. O projeto faz parte de um ciclo de investimentos de R$ 120 milhões até 2028, que inclui a ampliação do estaleiro para 65 mil metros quadrados e a introdução de novas tecnologias.
A decisão de iniciar a produção antes da conclusão total da expansão tem uma explicação prática: a planta já possui estrutura para dar início à construção de um barco desse porte. À medida que a embarcação ganha tamanho, a ampliação do espaço acompanha o avanço do projeto. Assim, as duas etapas – construção do iate e expansão da fábrica – podem ocorrer ao mesmo tempo.
O Grande 30 Metri também ajuda a explicar a visita recente de Giovanna Vitelli, presidente global do Grupo Azimut-Benetti, ao Brasil. Para a operação local, o modelo representa uma mudança de categoria. “Quando você entra no segmento acima de 24 metros é outra liga. O cliente muda, o serviço muda e o nível de qualidade exigido aumenta”, afirmou a executiva em entrevista exclusiva à Forbes Brasil.
Grande 30 Metri
O iate tem 28,69 metros de comprimento e 7,3 metros de largura. A configuração prevê cinco cabines para hóspedes e três para tripulação, com capacidade para 10 pessoas e mais 5 tripulantes.
A construção utiliza fibra de carbono, material associado à redução de peso e à eficiência estrutural. O design externo é assinado por Alberto Mancini, enquanto os interiores são do estúdio milanês m2atelier.
Na parte técnica, o Grande 30 Metri tem dois motores, velocidade máxima de até 25 nós e velocidade de cruzeiro de até 20 nós. Entre as soluções de convivência está o Infinity Skydeck, terraço superior voltado à integração entre áreas internas e externas.
Mais do que o tamanho, o modelo reflete uma mudança no consumo de luxo náutico. A proposta combina ambientes menos formais, foco em bem-estar, privacidade e convivência, além de soluções contemporâneas de conforto.
Design italiano
A Azimut posiciona o Grande 30 Metri dentro de uma tendência que vem ganhando força no mercado global de luxo: a retomada de referências do design italiano das décadas de 1950 e 1960, agora combinadas a tecnologia, automação, engenharia e materiais atuais.
A Itália tem papel central nesse mercado. Segundo o Global Order Book 2026, o país concentra 52% das encomendas globais de superiates. Nesse segmento, o design não funciona apenas como elemento estético. Ele também influencia a percepção de valor, o desejo em torno do produto e a capacidade de uma embarcação manter interesse ao longo do tempo.
“Em uma embarcação de luxo, o design nasce junto com a engenharia e define como o proprietário circula, recebe convidados, descansa e se conecta com o mar”, afirma Carlo Alberto Sisto, CEO da Azimut Yachts Brasil. “Quando essa linguagem é coerente, funcional e reconhecível, ela fortalece a identidade do produto e da marca.”
A releitura de códigos clássicos aparece em madeiras de tonalidades quentes, metais discretos, mobiliário artesanal, formas curvas, tecidos naturais e composições menos carregadas. Esses elementos passam a conviver com grandes superfícies de vidro, fibra de carbono, sistemas digitais e soluções de integração com a água.
A ideia não é reproduzir barcos antigos, mas recuperar uma linguagem associada à elegância e ao trabalho artesanal, adaptada às expectativas atuais de conforto e funcionalidade.

Nova escala para o estaleiro
Com o Grande 30 Metri, a Azimut brasileira passa a operar em uma faixa acima de 24 metros, considerada mais exigente em produto, serviço e acabamento. Hoje, a fábrica de Itajaí tem capacidade para até 40 unidades por ano, mas o objetivo da empresa não é ampliar volume.
“Queremos crescer em tamanho, valor agregado e sofisticação com a entrada em uma nova categoria”, diz Giovanna Vitelli.
A expansão física também é relevante: nos próximos dois anos, a planta ganhará mais 27 mil metros quadrados, chegando aos 65 mil metros quadrados previstos.
No mundo, a Azimut-Benetti fechou 2024 com faturamento de 1,5 bilhão de euros, alta de 15%, e 23% de participação de mercado.