As ações da Boeing dispararam mais de 8% na segunda-feira (3) depois que a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) certificou o modelo 737 MAX 7 da empresa, segundo um comunicado. A decisão autoriza a operação do avião após uma extensa análise de dez anos, parcialmente prolongada pelos acidentes fatais envolvendo a variante maior MAX 8 e pela adoção de padrões de segurança mais rígidos pela FAA.
A análise da FAA incluiu avaliações dos controles de voo do MAX 7, dos sistemas de alerta à tripulação e da segurança dos sistemas.
A Boeing foi obrigada a atualizar o software de controle de voo do MAX 7, o sistema de alerta à tripulação e o sistema antigelo dos motores. Este último precisou ser redesenhado depois que a empresa constatou que seu uso prolongado em condições secas poderia provocar o superaquecimento de parte do motor.
A análise enfrentou novos desafios em 2018 e 2019, após os acidentes com o voo 610 da Lion Air e o voo 302 da Ethiopian Airlines. Ambos envolveram o Boeing 737 MAX 8 e deixaram um total de 346 mortos, levando à suspensão das operações de toda a frota 737 MAX.
As aeronaves da Boeing passaram a enfrentar ainda mais fiscalização depois que um painel de porta se soltou em pleno voo em um avião da Alaska Airlines, em 2024. Após o incidente, a Boeing retirou um pedido de isenção relacionado ao MAX 7.
O 737 MAX 7 é o menor modelo da família de aviões 737 MAX da Boeing e tem capacidade para transportar cerca de 150 passageiros.
A alta desta segunda-feira foi suficiente para levar as ações da Boeing ao campo positivo no ano. Os papéis agora acumulam valorização de 5% desde o início de 2026, quando eram negociados na faixa de US$ 227.
Outro ponto
Na semana passada, a FAA determinou a inspeção de 31 mil assentos de aviões 737 MAX, citando instalações incorretas que poderiam fazer com que os assentos se desprendessem dos trilhos em uma emergência.
Contexto
Além de levar a Boeing a retirar seu pedido de isenção para o MAX 7, o incidente com o painel de porta provocou um aumento das auditorias nas linhas de produção da empresa.
A FAA também realizou inspeções sem aviso prévio nas operações de montagem da Boeing, uma medida sem precedentes por parte da agência.
A Boeing já fabricou cerca de 30 unidades do MAX 7 e nove unidades do MAX 10, informou à Reuters a empresa de análise de aviação Cirium. Segundo a publicação, o modelo maior MAX 10 representa pelo menos 28% dos pedidos pendentes da família MAX. A expectativa é que o MAX 10 receba a aprovação da FAA antes do fim do ano.
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com e editada por Forbes Brasil