1. Início
  2. /
  3. Forbes Life
  4. /
  5. Forbes Motors
  6. /
  7. Marca Sino-italiana de Motos Mira Faturamento de R$ 85 Milhões no Brasil após um Ano de Operação
Forbes Motors

Marca Sino-italiana de Motos Mira Faturamento de R$ 85 Milhões no Brasil após um Ano de Operação

Ainda fora do top 10 do mercado brasileiro, Moto Morini quer acelerar vendas com novos modelos e investimento de R$ 250 milhões no país

7 min

A Moto Morini ainda é pequena no Brasil. Mas já não é invisível. Em pouco mais de um ano de operação no país, a marca sino-italiana de motocicletas projeta fechar 2026 com faturamento de R$ 85 milhões e prepara uma nova fase de expansão. A ambição existe, mas vem acompanhada de uma constatação: ainda há um caminho longo até a empresa aparecer entre as maiores do mercado brasileiro de duas rodas.

No acumulado do ano, a Moto Morini ainda não aparece entre as dez marcas mais vendidas do país. Em julho, segundo dados da Fenabrave, emplacou 97 motocicletas. O número ajuda a dimensionar o estágio atual da operação: a marca começa a ganhar presença, mas ainda está distante das fabricantes de maior volume.

“Em 12 meses, qual é o balanço? Oito lojas, quase 2.000 motos vendidas e um segundo ano muito desafiador, mas muito feliz”, afirma Fabricio Morini, presidente da operação brasileira da Moto Morini, em entrevista exclusiva à Forbes Brasil durante o Festival Interlagos, edição motos, realizado no último fim de semana.

Uma marca italiana com produção chinesa

Fundada em 1937 por Alfonso Morini, em Bolonha, na Itália, a Moto Morini nasceu de uma pequena empresa criada por um mecânico, designer e piloto. A primeira motocicleta da marca surgiu em 1946, depois que a fábrica original foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial.

Hoje, a história é outra. Desde 2018, a Moto Morini pertence ao grupo chinês Zhongneng. A engenharia e o desenvolvimento seguem na Itália, em Trivolzio, na Lombardia, a cerca de 70 km de Milão. O parque fabril fica na China. No Brasil, as motos são montadas em Manaus.

“Continuamos até hoje com escritório central na Itália, com desenvolvimento e engenharia feitos em Trivolzio, na Lombardia, e o parque fabril todo na China”, diz Fabricio. “No começo, fiquei um pouco reticente com essa nova receita, mas a verdade é que ela deu certo. Eu estava errado.”

A definição da marca, segundo ele, continua sendo italiana. “A globalização é necessária. Uma Moto Morini só é possível vendê-la a R$ 35.990 porque a fabricação é na China”, afirma. “A China é muito importante, é o berço da produção mundial. A Moto Morini optou pela China pela qualidade e eu acho que é uma receita de sucesso, mas nós nos definimos como italianos.”

O sobrenome de Fabricio ajuda a criar curiosidade, mas não tem ligação familiar com a origem da companhia. O executivo tem exatamente o mesmo nome estampado no tanque das motos, mas não é herdeiro nem parente direto da família fundadora. “Em 2024, surgiu a oportunidade de trazer a marca para o Brasil e me deram essa missão, que para um sobrenome como o meu não é uma coisa tão simples”, diz. “Mas a paixão foi maior do que a razão.”

DivulgaçãoFabricio Morini, presidente da operação brasileira da Moto Morini: sobrenome é coincidência

O plano brasileiro

Atualmente, a Moto Morini tem oito lojas no país, em Santo André, Florianópolis, Curitiba, Vitória, Salvador, Goiânia, Brasília e Belo Horizonte. A expansão deve continuar. Segundo Fabricio, depois dessas oito unidades, virão mais 12 pontos.

“Há quem diga que a gente já tinha que ter mais lojas. Eu não acho”, afirma. “A Moto Morini precisava colocar o pé no Brasil e entender o consumidor brasileiro. E, verdade seja dita, 12 meses e oito lojas é muita coisa.”

O plano prevê investimento de R$ 250 milhões no Brasil ao longo de três anos. Hoje, o design das motocicletas é feito na Itália, as peças vêm da China e a montagem ocorre em Manaus. A operação é feita com uma parceira terceirizada, a DBS, em uma linha exclusiva para a marca.

“O único ponto que nós exigimos da DBS era que a nossa moto fosse montada com exclusividade. Onde monta Moto Morini, nenhuma outra pode ser montada para preservar a linha autoral e a qualidade”, diz.

Fabricio também afirma que a empresa trabalha para ter uma fábrica própria no Brasil, embora o projeto ainda dependa de etapas burocráticas. “A Moto Morini vai ter fábrica própria no Brasil. Nós já estamos trabalhando em cima disso”, afirma. “A ideia é lançar esse ano, mas eu ainda não tenho todos os detalhes confirmados”

Volume com média cilindrada

A nova fase da Moto Morini no Brasil passa por motocicletas de média cilindrada. Durante o Festival Interlagos, a marca iniciou a pré-venda da AlltrHike 450, modelo adventure de 450 cilindradas, 44 cv e preço de R$ 35.990, em parceria com o Mercado Livre. “Trata-se de uma pré-venda inédita no Brasil, focada em parceiros e tecnologia. Tenho certeza que iremos cumprir com toda a expectativa que foi criada em cima dessa moto.”

A AlltrHike 450 foi apresentada oficialmente no Festival Interlagos de 2025 e voltou ao evento deste ano. O modelo mira o segmento adventure de média cilindrada, com proposta de uso urbano, viagens e percursos fora de estrada. A pré-venda será feita em três fases, somando 1.000 unidades.

A marca também anunciou no Festival Interlagos a 3 ½ Sport, prevista para o primeiro semestre de 2027, com preço entre R$ 30 mil e R$ 33 mil. O nome recupera uma das motocicletas mais emblemáticas da história da Moto Morini, lançada nos anos 1970 por Gabriella Morini, filha do fundador Alfonso Morini, com participação de Franco Lambertini, ex-engenheiro da Ferrari.

“Esse projeto carrega essa herança, esse DNA esportivo e italiano, e o reinterpreta com a tecnologia que o motociclista de hoje espera”, diz Fabricio. “É uma moto que respeita a história da marca, mas foi feita para o presente.” Além dela, a empresa prepara para o ano que vem uma moto de 1.200 cilindradas.

Hoje, a Moto Morini comercializa três modelos no Brasil, em sete versões: Seiemmezzo STR, Seiemmezzo SCR, Calibro Custom, Calibro Bagger, X-Cape 650 Spoke, X-Cape 650 Gold e X-Cape 650 Alloy. A ida recente de uma comitiva brasileira à China teve como objetivo acelerar a homologação de novos produtos e a expansão da operação local.

O avanço, porém, será medido em etapas. Fabricio afirma que a marca não veio ao Brasil para disputar apenas números, embora tenha metas claras de crescimento. A projeção é fechar 2026 com R$ 85 milhões em faturamento e chegar a R$ 300 milhões no próximo ano.

“A Moto Morini não vem contando números. Não é algo da nossa essência”, diz. “É óbvio que número é relevante para todo negócio, mas a gente vem contando muito sobre confiança. Queremos trazer motociclistas que tenham confiança na nossa marca.” Segundo ele, o plano é vender de 5.000 a 7.000 unidades no Brasil, mas com uma operação que preserve qualidade, entrega e identidade.

Para Fabricio, o crescimento do mercado brasileiro de motos também passa por uma mudança no comportamento do consumidor. O carro perdeu parte do peso simbólico que tinha no passado e a moto passou a ocupar um espaço diferente, não apenas como alternativa de mobilidade, mas também como objeto de desejo.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.