1. Início
  2. /
  3. Forbes Life
  4. /
  5. Forbes Motors
  6. /
  7. Bruno Senna Revela o Lado de Ayrton Fora das Pistas Que Poucos Conhecem
Forbes Motors

Bruno Senna Revela o Lado de Ayrton Fora das Pistas Que Poucos Conhecem

Sobrinho do tricampeão conta como os momentos de lazer na água ajudaram a inspirar a edição limitada da nova moto aquática da Sea-Doo

5 min

Ayrton Senna construiu sua imagem pública na velocidade, mas parte de sua memória familiar também passa pela água. Era longe da pressão da Fórmula 1 que o tricampeão encontrava momentos de descanso, lazer e convivência com a família. Essa relação agora virou produto global.

Durante um evento da canadense BRP no começo de agosto em Orlando, nos Estados Unidos, a Sea-Doo apresentou a RXP-X Senna 350, edição limitada criada em parceria com a Senna Brand. A moto aquática terá produção de apenas 1.991 unidades, em referência ao ano em que Senna conquistou seu terceiro e último título mundial de Fórmula 1. No Brasil, o modelo custará R$ 230 mil e terá metade do lote global destinado ao país.

No lançamento, Bruno Senna, sobrinho do tricampeão, conversou com exclusividade com a Forbes Brasil sobre a responsabilidade de usar o sobrenome em um produto global, a construção do visual inspirado no capacete de Ayrton e a experiência de pilotar uma moto aquática de 350 cv capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 3,1 segundos. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O que significa ver o nome Senna em um produto global ligado à velocidade, mas agora fora das pistas?

Existe uma sinergia muito forte. Minhas melhores memórias de infância são na água, brincando com o Ayrton e com a família. Tinha esqui, moto aquática, sempre era um momento de prazer. Então, quando esse projeto apareceu, há cerca de dois anos, pensamos que seria maravilhoso. Quando ele saiu do papel, ficamos ainda mais felizes.

Nosso trabalho é manter viva a imagem do Ayrton e o que ele representa, não só para o Brasil, mas para o mundo. A Senna Brand não quer colocar o nome dele em qualquer produto. Já existiram oportunidades grandes de usar o nome em coisas que não tinham conexão com ele, mas sempre tentamos fazer projetos que tivessem relação real com quem ele era, com o que ele gostava e com o que ele representava. Nesse caso, tenho certeza de que ele ficaria muito feliz.

Como era a relação de Ayrton Senna com a água?

Era o momento de lazer dele. Quando ele estava em casa, na água, com a família, ele conseguia relaxar. Acho que, muitas vezes, principalmente depois que já estava na Fórmula 1, ele gostava até mais de estar na água do que na pista, porque ali não tinha a pressão, a política, o estresse da competição. Essas lembranças são muito fortes para a gente. Eram momentos especiais, de família, e ver isso virar um produto global traz tudo de volta.

O visual da moto aquática remete ao capacete de Ayrton Senna. Como foi esse processo?

A cor é um motivo de orgulho, mas também é um assunto delicado. Seria muito fácil fazer o básico, repetir as faixas do capacete e pronto. O legal foi criar um desenho que remete ao Brasil, ao capacete e à história dele, mas sem ficar óbvio demais. Tem a conexão com as faixas, tem a brasilidade, mas com uma leitura mais elegante. Na água, claro, todo mundo vai enxergar a moto, porque ela chama atenção. Mas acho que o resultado ficou com classe. Tenho certeza de que vai fazer sucesso no Brasil e também fora dele, o que é muito importante para nós.

Como foi a experiência de pilotar a RXP-X Senna 350?

Minha referência eram as motos aquáticas que a gente tinha na família. Tínhamos uma XP, depois uma GTX em Angra dos Reis, mas eram produtos completamente diferentes, com muito menos potência. Nada perto dessa. Quando sentei na RXP-X Senna 350, comecei em um modo com aceleração mais gradual e já achei que andava muito. Depois liberaram tudo. É completamente insano. A aceleração é tão forte que você precisa se segurar para não sair voando.

Mas o que mais me impressionou foi a curva. Filmamos nos Florida Keys em um dia de bastante vento, com o mar batido, e o negócio gruda na água. Saí dolorido no braço, no ombro, na coxa. O esforço físico me surpreendeu muito. Agora fiquei com mais vontade ainda de andar.

DivulgaçãoBruno Senna com a moto aquática que leva o sobrenome da família

Depois de competir em categorias importantes do automobilismo, como você vê sua carreira hoje?

Tive o privilégio de competir em algumas das categorias mais altas do automobilismo. Em 2020, fiz Le Mans pela última vez e terminamos em segundo no geral, atrás de uma das Toyotas, com uma equipe que talvez não fosse favorita para estar ali. Foi um grande momento da minha carreira. Depois, com a Covid, decidi dar uma parada. Hoje trabalho como embaixador da McLaren Automotive e tenho o prazer de pilotar carros muito especiais na pista, mas sem a pressão do automobilismo. Também estou mais envolvido com os negócios da família e com projetos ligados à marca Senna.

Tenho uma filha de quase dois anos e estou curtindo ficar mais em casa, sem viajar todo fim de semana. Ainda existe aquela vontade de correr, principalmente porque o endurance está muito competitivo, mas por enquanto estou bem assim. Ajudar a McLaren no desenvolvimento de carros também tira um pouco essa vontade de estar na pista.

A RXP-X Senna 350 é um produto sobre velocidade. O que velocidade significa para você?

Velocidade é uma base da minha vida. Cresci com isso. Desde criança eu gostava de carro, corrida, e quando andei de kart pela primeira vez, aos cinco anos, aquilo passou a fazer parte de mim. Perguntaram quando 350 cavalos viram demais. Para mim, nunca. Quanto mais, melhor — sempre com segurança, claro, para as pessoas poderem aproveitar e se divertir. Mas velocidade está sempre na minha cabeça.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.