Interlagos terá neste domingo (8) uma cena que a Fórmula 1 não vê há uma década: dois brasileiros no mesmo grid. Gabriel Bortoleto, da Audi, ganhará a companhia de Rafael Câmara, que antecipará sua estreia pela Haas justamente no Grande Prêmio de São Paulo, marcado para domingo, 8 de novembro.
A última vez que o país teve dois representantes simultaneamente em uma corrida da categoria foi no GP de Abu Dhabi de 2016, quando Felipe Massa competia pela Williams e Felipe Nasr defendia a Sauber. Câmara será o 34º brasileiro a disputar uma prova de Fórmula 1 e apenas o sétimo a fazer sua estreia em um Grande Prêmio realizado no Brasil.
A presença dupla ocorre em um momento de renovação para o automobilismo nacional. Bortoleto, Forbes Under 30 Brasil em 2023, já ocupa seu espaço no grid pela Audi. Câmara, de 21 anos, estava inicialmente confirmado como titular da Haas apenas para a temporada de 2027, mas terá a primeira experiência oficial antes do previsto.
O pernambucano assume o carro que vinha sendo pilotado por Esteban Ocon. Além de São Paulo, disputará também o GP de Las Vegas. Depois disso, a prioridade volta a ser a Fórmula 2, campeonato em que lidera com 207 pontos e ainda precisa disputar as etapas do Catar e de Abu Dhabi.
A estreia que chegou antes
A escolha de Câmara não surgiu apenas da necessidade de preencher uma vaga. Entre agosto e setembro, o brasileiro participou de testes privados com carros de Fórmula 1 em Mugello e Portimão. No circuito português, pilotou o VF-25 e registrou o melhor tempo entre os pilotos avaliados, ficando cerca de dois décimos à frente de Oliver Bearman, atual titular da Haas.
A equipe também destacou sua capacidade de adaptação e a qualidade do feedback técnico entregue aos engenheiros, mesmo sem experiência anterior naquele circuito e naquele carro.
“Rafael mostrou que conseguia se virar muito bem, sem ter muito tempo para aprender o carro. Mostrou mais do que velocidade pura”, afirmou Ayao Komatsu, chefe da Haas, quando a contratação para 2027 foi anunciada.
A trajetória até aqui foi rápida.
Câmara começou no kart aos seis anos, no Recife. Passou pela Ferrari Driver Academy e foi campeão da Fórmula Regional Europeia em 2024. No ano seguinte, conquistou a Fórmula 3 já em sua temporada de estreia. Em 2026, subiu para a Fórmula 2 e chegou à reta final do campeonato na liderança.
Na F3, venceu quatro corridas principais, conquistou cinco pódios e cinco pole positions. Na atual temporada da F2, já venceu as Feature Races da Espanha, Bélgica e Azerbaijão, além de somar seis pódios e cinco poles.
Interlagos, portanto, não será apenas a primeira corrida de Fórmula 1 de sua carreira. Será também o ponto em que uma sequência construída quase sem interrupções pelas categorias de formação finalmente chega ao principal campeonato do automobilismo mundial.
Kimi chega ao Brasil já campeão
Se para Câmara o fim de semana representa o começo de uma nova etapa, para Kimi Antonelli o cenário é diferente.
O italiano da Mercedes chega a São Paulo já consagrado como campeão antecipado da temporada, o que transforma Interlagos em sua primeira corrida no Brasil depois da confirmação do título.
A combinação dá ao GP um roteiro incomum: de um lado, o campeão do mundo já definido; do outro, dois brasileiros dividindo o grid pela primeira vez desde 2016.
A corrida principal começa às 14h de domingo. Os portões de Interlagos abrem às 8h, e a programação inclui provas da Fórmula 4 e da Porsche, desfile dos pilotos ao meio-dia e o hino nacional, interpretado por Ana Castela, às 13h40.
Muito além da pista
A relevância do Grande Prêmio de São Paulo também pode ser medida fora do autódromo. Em 2025, o evento provocou um impacto econômico estimado em R$ 2,3 bilhões, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas elaborado a partir de dados da Secretaria Municipal de Turismo e do Observatório do Turismo da SPTuris.
Desse total, R$ 1,4 bilhão correspondeu a impacto direto e R$ 894,2 milhões a efeitos indiretos sobre a economia. A realização da corrida gerou ainda R$ 324,4 milhões em tributos federais, estaduais e municipais.
O público chegou a 303.627 pessoas, também um recorde, crescimento de 4,1% em relação ao ano anterior. A organização mobilizou 23,7 mil profissionais.
Outro indicador ajuda a colocar o tamanho do evento em perspectiva: de acordo com o estudo, cada R$ 1 investido no GP retornou R$ 7,14 para a economia local.
O cálculo considera não apenas os gastos diretamente relacionados à corrida, mas também a movimentação criada em toda a cadeia envolvida na realização do evento.
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