As Olimpíadas de Inverno de Milão Cortina contarão com cerca de 2.900 atletas de mais de 90 países competindo em 116 eventos — e, para a maioria deles, mesmo para alguns destinados a se tornarem campeões, o esporte escolhido não paga as contas. Na verdade, considerando custos substanciais de viagem e treinamento, a glória atlética em um palco global pode até resultar em prejuízo financeiro.
Mas nos Jogos de 2026, que começam oficialmente com a cerimônia de abertura na sexta-feira, 6, há um grupo seleto de atletas que pode facilmente arcar com o “preço do ouro”.
Para começar, embora as Olimpíadas de Inverno não tenham estrelas da NBA, do golfe ou do tênis — cujos salários astronômicos costumam dominar os Jogos de Verão e frequentemente os colocam na lista anual da Forbes dos atletas mais bem pagos do mundo —, o torneio masculino de hóquei em Milão contará com 146 jogadores da NHL.
A liga, que não liberava seus atletas para os Jogos desde 2014, tem um salário mínimo de US$ 775 mil nesta temporada, e nove dos dez jogadores que aparecem no ranking da Forbes dos mais bem pagos da NHL — que também considera patrocínios e outras fontes de renda — estarão em ação nas próximas duas semanas. (A única exceção é o goleiro Igor Shesterkin, do New York Rangers, cuja Rússia natal está banida do evento por causa da guerra na Ucrânia.)
No topo dessa lista de jogadores de hóquei está o atacante da seleção dos EUA Auston Matthews, a quem o Toronto Maple Leafs paga mais de US$ 15 milhões nesta temporada, além de estimados US$ 5 milhões fora das quadras. Ainda assim, esse total de US$ 20 milhões não é suficiente para torná-lo o atleta mais bem pago dos Jogos deste ano.
Essa honra pertence a Eileen Gu, esquiadora estilo livre e nascida nos EUA que representa a China, país natal de sua mãe, em competições internacionais. A Forbes estima que a jovem de 22 anos — um fenômeno de marketing — tenha arrecadado US$ 23 milhões fora das pistas nos últimos 12 meses (além de cerca de US$ 100 mil em prêmios).
Gu e seus colegas olímpicos ainda podem aumentar seus ganhos com um pódio neste mês. Contratos de patrocínio em esportes olímpicos às vezes incluem bônus financeiros para medalhistas, e uma vitória pode atrair novos patrocinadores, como a marca Wheaties, no “efeito pós-Olimpíadas”.
Além disso, alguns países pagam bônus a seus atletas por medalhas conquistadas. O Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA, por exemplo, prometeu US$ 37.500 por cada ouro, US$ 22.500 por prata e US$ 15.000 por bronze nestes Jogos. Para atletas da Itália, país-sede, os valores variam de cerca de US$ 71 mil a US$ 213 mil — e duas outras delegações estão dispostas a pagar quase US$ 800 mil por um campeão.
Os americanos também lucram apenas por participarem. Depois que Ross Stevens, fundador e CEO da gestora Stone Ridge, doou US$ 100 milhões ao Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA no ano passado, cada atleta olímpico e paralímpico dos EUA receberá US$ 200 mil, independentemente de seus resultados.
A seguir, os atletas mais bem pagos em cinco esportes de destaque nos Jogos de Inverno de Milão Cortina.
Esqui estilo livre: Eileen Gu — US$ 23 milhões

Quatro anos depois de se tornar a mais jovem campeã olímpica de esqui estilo livre e a primeira a conquistar três medalhas em uma única edição dos Jogos, a “Princesa da Neve”, de 22 anos, tentará defender seus ouros no big air e no halfpipe, além de melhorar sua prata no slopestyle. Apesar de uma queda recente, Gu venceu uma etapa da Copa do Mundo em 17 de janeiro, ganhando impulso antes das competições nos Alpes italianos, que começam com as eliminatórias no sábado. Embora os US$ 55 mil que recebeu em dezembro por vencer um evento da Snow League representem um aumento em relação aos cerca de US$ 20 mil que normalmente ganha na Copa do Mundo, a maior parte de sua renda vem de patrocínios — incluindo marcas chinesas como Anta, Bosideng, Mengniu Dairy e Luckin Coffee. Gu, que fez parte da equipe dos EUA na Copa do Mundo em 2018 e 2019, recentemente defendeu sua decisão de competir pela China, dizendo à revista Time: “Os EUA já têm representação. Eu prefiro construir meu próprio espaço.”
Hóquei: Auston Matthews — US$ 20 milhões

Na última vez em que jogadores da NHL participaram dos Jogos, em 2014, Matthews ainda estava a dois anos de ser a primeira escolha geral do draft. Agora, o pivô de 28 anos do Toronto Maple Leafs ajudará a seleção dos EUA a tentar vingar a derrota na final do torneio 4 Nações do ano passado contra o Canadá — partida em que foi capitão — após uma eliminação nas quartas de final em 2022. Matthews é o único jogador a ultrapassar US$ 20 milhões em uma temporada nos 15 anos da lista de ganhos da NHL da Forbes — feito que repetiu no ano passado — e está entre os mais comercializáveis do esporte, faturando cerca de US$ 5 milhões anuais fora das quadras, além de seu contrato de quatro anos no valor de US$ 53 milhões. Seu patrocinador mais recente é a Mito Red Light, ao lado de marcas como Nike, Prime e Uber Eats.
A seleção feminina dos EUA também conta com a jogadora mais bem paga do torneio: Hilary Knight, que atua pelo Seattle Torrent na liga profissional feminina. A Forbes estima que seus nove contratos de patrocínio — incluindo Chipotle, Hershey’s e Red Bull — elevem sua renda a cerca de US$ 1 milhão neste ano.
Esqui Alpino: Lindsey Vonn — US$ 8 milhões

Vonn rompeu um ligamento do joelho em um acidente recente, mas insiste que competirá nestes Jogos — sua quinta Olimpíada desde 2002, período em que já conquistou três medalhas. (Ela perdeu 2014 por lesão e não participou de 2022.) Vonn voltou à Copa do Mundo na última temporada após uma prótese parcial no joelho e se tornou a esquiadora mais velha a vencer uma prova de downhill em dezembro, repetindo o feito em janeiro.
Com mais de uma dezena de patrocinadores, incluindo Delta, Land Rover e Rolex, Vonn supera financeiramente sua compatriota Mikaela Shiffrin. A Forbes estima que Shiffrin, tricampeã olímpica, tenha dobrado sua renda desde 2022, chegando a cerca de US$ 7 milhões anuais.
Snowboard: Chloe Kim — US$ 4 milhões

Uma lesão no ombro em janeiro deixou sua participação em dúvida, mas Kim disse que “poderia ter sido pior”. A americana de 25 anos, bicampeã olímpica no halfpipe, trabalha com marcas como Breitling, Monster Energy e Nike. Seus principais desafios virão de atletas como Gaon Choi (Coreia do Sul) e Sena Tomita (Japão), mas no ranking financeiro quem mais ameaça Kim é o australiano Scotty James, duas vezes medalhista olímpico e com ganhos estimados em US$ 3 milhões. Kim, James e Eileen Gu também atuarão como “atletas fundadores” da X Games League.
Patinação Artística: Ilia Malinin — US$ 700 mil

Quatro anos atrás, Nathan Chen dominava a modalidade. Agora, Malinin, de 21 anos — filho de ex-patinadores olímpicos do Uzbequistão — é o primeiro a realizar sete saltos quádruplos em um programa e o único a executar um quadruplo axel. Embora ainda não ganhe tanto quanto Chen ou Kim Yuna no auge, Malinin tem ampliado seu portfólio de patrocínios desde o título mundial de 2024, com marcas como Coca-Cola, Samsung e Honda.
METODOLOGIA
Os valores da Forbes incluem renda em competições (salários, bônus e prêmios) e fora delas (patrocínios, licenças, aparições e memorabilia), além de retornos em negócios nos quais o atleta tenha participação relevante. Para hóquei, os números refletem a temporada 2025–26 da NHL; para os demais esportes, os últimos 12 meses. Rendimentos acima de US$ 1 milhão foram arredondados ao milhão mais próximo; abaixo disso, ao US$ 100 mil mais próximo. Não há dedução de impostos ou taxas de agentes.
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com