Nesta segunda-feira (6), as oitavas de final da Copa do Mundo 2026 continuam com dois confrontos marcados para o período da tarde e da noite.
O primeiro jogo ocorre às 16h (horário de Brasília), entre Portugal e Espanha. Quatro horas depois, às 21h, Estados Unidos e Bélgica se enfrentam pelo segundo jogo da rodada.
Os dois confrontos reúnem histórias, mercados e economias distintas em campo.
No caso dos Estados Unidos, por exemplo, trata-se de uma seleção que não alcança as quartas de final desde 2002 — e que agora joga em casa, como um dos três países anfitriões do torneio.
Por outro lado, a Espanha apresenta ampla tradição no futebol, com um título mundial conquistado em 2010 e a condição de atual campeã europeia, vencedora da Eurocopa de 2024.
Vale lembrar que esta é a segunda fase eliminatória do torneio. Isso se dá pelo fato de que a Copa do Mundo de 2026 é a primeira edição com 48 seleções, distribuída entre três países anfitriões: Estados Unidos, Canadá e México.
O formato expandido criou uma fase de grupos com 12 chaves de quatro times, seguida de uma rodada de 16 jogos entre 32 seleções antes das oitavas — estrutura inédita que aumentou o número de partidas eliminatórias e, com elas, o volume de receita do torneio.
A FIFA projeta arrecadação recorde de US$ 11 bilhões nesta edição, ante US$ 7,5 bilhões em 2022.
Abaixo, veja os perfis dos quatro times que entram em campo no dia 6 de julho, com escalações, curiosidades financeiras e histórico de cada seleção em copas.
Portugal
Escalação (último jogo: Portugal 2 x 1 Croácia):
- Diogo Costa
- João Cancelo
- Rúben Dias
- Renato Veiga
- Nuno Mendes
- João Neves
- Vitinha
- Bruno Fernandes
- Pedro Neto
- Cristiano Ronaldo
- Rafael Leão
Portugal disputou a fase final da Copa do Mundo em nove edições, com estreia em 1966. Naquele torneio, a seleção chegou às semifinais — a melhor campanha da sua história — e garantiu o terceiro lugar.
A segunda melhor campanha foi em 2006, na Alemanha, quando Portugal chegou novamente às semifinais, mas perdeu o jogo pelo terceiro lugar para a Alemanha e ficou em quarto.
Nos demais torneios, a seleção foi eliminada na fase de grupos (1986, 2002) ou nas fases de mata-mata sem alcançar a semifinal.
A Copa do Mundo é o único grande título internacional que Portugal ainda não conquistou. A seleção já venceu a Eurocopa de 2016 e uma edição da Nations League, quando bateu a Holanda na final na temporada inaugural em 2018-19.
Cristiano Ronaldo, capitão da seleção, detém o recorde de partidas disputadas por Portugal em Copas do Mundo: 22 jogos ao longo de cinco edições antes de 2026.
A probabilidade de Portugal avançar às quartas é de 23,5%, segundo a SportRadar. A seleção chegou a esta fase com uma campanha de grupo irregular — empate com o Congo (1×1), goleada sobre o Uzbequistão (5×0) e empate com a Colômbia (0x0) — e avançou nas oitavas de 32 ao bater a Croácia por 2 a 1.
Sobre a economia, o país europeu integra a zona do euro e tem PIB de aproximadamente US$ 280 bilhões (dados de 2024 do FMI).
O país foi um dos mais atingidos pela crise da dívida europeia no início dos anos 2010, quando recorreu a um programa de resgate do FMI e da União Europeia no valor de 78 bilhões de euros.
A recuperação foi sustentada em parte pelo turismo, dado que Portugal recebeu mais de 30 milhões de visitantes internacionais em 2023.
Além disso, a atração de residentes estrangeiros por meio do chamado “visto dourado” também colaborou, em conjunto com regimes fiscais favoráveis a nômades digitais e aposentados europeus.
Espanha
Escalação (último jogo: Espanha 3 x 0 Áustria):
- Unai Simón
- Pedro Porro
- Pau Cubarsí
- Aymeric Laporte
- Marc Cucurella
- Rodri
- Dani Olmo
- Pedri
- Lamine Yamal
- Mikel Oyarzabal
- Álex Baena
A Espanha foi campeão mundial em 2010, com uma vitória sobre a Holanda por 1 a 0 na prorrogação na final de 2010, na África do Sul, com gol de Andrés Iniesta nos acréscimos do segundo tempo.
Foi o primeiro título do país, após décadas de campanhas que não passavam das quartas de final.
Antes de 2010, o melhor resultado da Espanha em Copas do Mundo havia sido o quarto lugar em 1950, no Brasil.
Nas edições seguintes ao título, a seleção sofreu eliminações precoces: queda na fase de grupos em 2014 e eliminação nas oitavas em 2018 e 2022.
Para 2026, a Espanha chega como campeã da Eurocopa de 2024, sob o comando do técnico Luis de la Fuente e com Rodri como capitão.
A seleção encerrou a fase de grupos sem derrotas — empate com Cabo Verde (0x0), vitória sobre a Arábia Saudita (4×0) e vitória sobre o Uruguai (1×0) — e avançou nas oitavas de 32 com vitória sobre a Áustria por 3×0.
A SportRadar atribui à Espanha 50,2% de probabilidade de classificação. Lamine Yamal, de 18 anos, e Nico Williams são as principais referências ofensivas na beira da área.
Em se tratando do campo econômico, a Espanha é a quarta maior economia da União Europeia, com PIB de aproximadamente US$ 1,6 trilhão (dados de 2024 do FMI).
O país concentra dois dos maiores clubes de futebol do mundo por receita — Real Madrid e Barcelona — e a La Liga é a liga com maior receita de direitos de transmissão internacionais entre as competições europeias, ao lado da Premier League inglesa.
A Espanha também co-sediará a Copa do Mundo de 2030 ao lado de Portugal, Marrocos e três países sul-americanos, com investimentos previstos em infraestrutura esportiva superiores a dezenas de bilhões de euros.
Estados Unidos
Escalação (último jogo: EUA 2 x 0 Bósnia-Herzegovina):
- Matt Freese
- Sergiño Dest
- Chris Richards
- Tyler Adams
- Antonee Robinson
- Weston McKennie
- Christian Pulisic
- Tim Ream
- Alex Freeman
- Malik Tillman
- Folarin Balogun
O melhor resultado dos EUA em uma Copa do Mundo foi em 1930, no Uruguai, quando a seleção chegou às semifinais — posição que a FIFA registra oficialmente como terceiro lugar, dado que não houve disputa do bronze naquele torneio.
No período moderno, o melhor desempenho foi a chegada às quartas de final em 2002, na Coreia do Sul e no Japão, quando a seleção eliminou o México nas oitavas antes de perder para a Alemanha por 1 a 0.
Entre 1954 e 1986, os EUA não se classificaram para nenhuma Copa do Mundo — uma ausência de nove edições consecutivas.
A seleção americana é anfitriã da Copa de 2026 ao lado do Canadá e do México, o que a classifica automaticamente para o torneio pela segunda vez como sede — a primeira foi em 1994.
A campanha na fase de grupos foi irregular, mas majoritariamente positiva, com vitória sobre o Paraguai (4×1), derrota para a Turquia (3×2) e vitória sobre a Austrália (2×0).
A probabilidade de classificação das oitavas contra a Bélgica é de 35,6%, segundo a SportRadar — o confronto mais equilibrado das oitavas do dia. Christian Pulisic (AC Milan) é o principal jogador da seleção em valor de mercado, segundo a Transfermarkt.
Os EUA são a maior economia do mundo, com PIB de aproximadamente US$ 28 trilhões.
O mercado esportivo americano é o maior do planeta, mas fora do futebol.
As quatro principais ligas profissionais do país — NFL, NBA, MLB e NHL — movimentam mais de US$ 40 bilhões em receita anual combinada, segundo estimativas da Statista.
Bélgica
Escalação (último jogo: Bélgica 3 x 2 Senegal):
- Thibaut Courtois
- Timothy Castagne
- Wout Faes
- Zeno Debast
- Maxim De Cuyper
- Youri Tielemans
- Amadou Onana
- Kevin De Bruyne
- Charles De Ketelaere
- Leandro Trossard
- Romelu Lukaku
A Bélgica tem como melhor resultado em Copas do Mundo o terceiro lugar em 2018, na Rússia. Antes disso, o país havia alcançado o quarto lugar em 1986, no México. Em ambas as ocasiões chegou às semifinais, perdendo para a Argentina em 1986 e para a França em 2018.
Em 2018, a campanha incluiu uma vitória sobre o Brasil por 2 a 1 nas quartas de final, com atuação de destaque do goleiro Thibaut Courtois, e terminou com vitória sobre a Inglaterra por 2 a 0 na disputa do terceiro lugar.
Em 2022, no Catar, a seleção caiu na fase de grupos, em meio a conflitos no vestiário entre os jogadores, que protagonizaram polêmicas que se tornaram públicas.
A Bélgica chegou ao topo do ranking FIFA em novembro de 2015 e manteve a primeira posição por 65 meses ao longo dos anos seguintes, sem conquistar nenhum título importante nesse período.
A chamada “geração dourada”, formada por jogadores como Kevin De Bruyne, Eden Hazard e Romelu Lukaku, encerrou o ciclo sem um troféu principal.
Em 2026, a seleção é treinada por Rudi Garcia e chegou às oitavas com campanha alternada, com empate com o Egito (1×1), empate com o Irã (0x0) e goleada sobre a Nova Zelândia (5×1), avançando nas oitavas de 32 após virada sobre o Senegal (3×2) na prorrogação.
A probabilidade de avanço é de 36,7%, segundo a SportRadar.
A Bélgica tem PIB de aproximadamente US$ 630 bilhões (FMI, 2024) e é sede de instituições centrais da União Europeia, incluindo a Comissão Europeia e o Conselho da UE, em Bruxelas.
O país tem uma das maiores densidades de exportação de jogadores de futebol da Europa em relação à sua população — atletas belgas figuram entre os mais valorizados em ligas como Premier League, Bundesliga e La Liga.