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Saudade da Copa? Brasil Recebe Mundial Feminino em Menos de um Ano

A Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 deve movimentar cerca de R$ 8,8 bilhões na economia brasileira

5 min

A Copa do Mundo masculina acabou há pouco mais de uma semana, mas o Brasil já tem outra contagem regressiva para chamar de sua. Em menos de um ano, o país será sede, pela primeira vez, da Copa do Mundo Feminina da FIFA. O torneio começa em 24 de junho de 2027 e terá a final em 25 de julho, recolocando o Brasil no centro do calendário global do futebol.

Depois de receber as Copas masculinas de 1950 e 2014, o país agora se prepara para sediar o maior evento do futebol feminino mundial. A competição terá 32 seleções, o mesmo formato da edição de 2023, realizada na Austrália e na Nova Zelândia, que marcou um salto de público, audiência, engajamento digital e interesse comercial.

O Mundial no Brasil chega, portanto, em um momento de expansão da modalidade. Mais do que uma competição esportiva, a Copa Feminina será também um evento de impacto econômico, turístico e simbólico para o país.

Segundo estudo da FGV Projetos, feito a pedido da Embratur, a Copa do Mundo Feminina FIFA 2027 deve movimentar cerca de R$ 8,8 bilhões na economia brasileira. A projeção considera os efeitos ligados à preparação e à realização do torneio.

O levantamento estima ainda um acréscimo de R$ 3,8 bilhões ao PIB brasileiro, valor equivalente a 0,03% da economia nacional, com base em 2025. A competição também deve gerar 73,7 mil postos de trabalho diretos e indiretos, distribuir R$ 4,5 bilhões em rendimentos, entre salários e lucros, e resultar em R$ 928 milhões em arrecadação tributária.

Impacto econômico

O impacto econômico projetado se divide em duas frentes. A primeira está ligada ao público. A expectativa é de um fluxo de 2 milhões de pessoas, entre residentes e turistas, durante o mês de competição. Esse movimento deve gerar R$ 4,7 bilhões em impacto econômico, sustentar 45,7 mil empregos, produzir R$ 2,4 bilhões em renda e recolher R$ 516 milhões em impostos.

A segunda frente vem dos investimentos necessários para a organização do torneio. O orçamento global da competição foi fixado pela FIFA em US$ 800 milhões. Desse valor, 43%, ou US$ 344 milhões, será destinado a premiações internacionais e não entra na conta nacional. O restante representa uma injeção direta de R$ 2,3 bilhões no mercado brasileiro, com gastos em logística, transmissão, segurança e saúde, sustentando cerca de 28 mil vagas de trabalho.

Onde Será A Copa Do Mundo Feminina 2027

A Copa do Mundo Feminina no Brasil terá oito cidades-sede: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Todas elas já participaram da organização da Copa do Mundo masculina de 2014.

Os estádios escolhidos são Mineirão, Arena BRB Mané Garrincha, Arena Castelão, Beira-Rio, Arena Pernambuco, Maracanã, Arena Fonte Nova e NeoQuímica Arena.

A escolha do Brasil como sede foi anunciada em 17 de maio de 2024, após votação aberta no Congresso da FIFA, em Bangcoc, na Tailândia. A candidatura brasileira recebeu 119 votos e superou a proposta conjunta de Alemanha, Bélgica e Holanda, que teve 78.

Quais Seleções Já Estão Classificadas

A Copa do Mundo Feminina de 2027 terá 32 seleções. Até agora, 14 já estão garantidas no torneio: Brasil, Austrália, Filipinas, Japão, Coreia do Norte, China, Coreia do Sul, Argentina, Colômbia, Nova Zelândia, Alemanha, França, Espanha e Dinamarca.

O Brasil entra na competição como país-sede e ainda em busca de seu primeiro título mundial feminino. A seleção já foi vice-campeã em 2007 e terminou em terceiro lugar em 1999. Também ficou em terceiro no Torneio Experimental de 1988, realizado pela FIFA na China para avaliar a criação de uma Copa do Mundo Feminina.

Brasil Busca Título Inédito Em Casa

A Copa no Brasil será mais uma tentativa da Seleção Brasileira Feminina de conquistar a primeira estrela. Em Copas do Mundo, 109 atletas já defenderam a amarelinha.

Entre os nomes mais importantes da história brasileira no torneio estão Formiga e Marta. Formiga disputou sete Mundiais e é a segunda jogadora com mais partidas na história da competição, com 27 jogos. Ela só fica atrás da norte-americana Kristine Lilly, que soma 30.

Marta lidera o ranking de maiores artilheiras da Copa do Mundo Feminina, com 17 gols. A brasileira aparece à frente de Birgit Prinz, da Alemanha, e Abby Wambach, dos Estados Unidos, ambas com 14.

As campanhas do Brasil mostram a evolução e os altos e baixos da seleção no Mundial. O país caiu na fase de grupos em 1991 e 1995, foi terceiro colocado em 1999, chegou às quartas em 2003, foi vice em 2007, voltou às quartas em 2011, parou nas oitavas em 2015 e 2019 e foi eliminado na fase de grupos em 2023.

História Da Copa Do Mundo Feminina

A primeira edição oficial da Copa do Mundo Feminina aconteceu em 1991, na China. Desde então, o torneio passou por Suécia, Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Austrália e Nova Zelândia.

Em nove edições, apenas cinco seleções conquistaram o título: Estados Unidos, com quatro troféus; Alemanha, com dois; Noruega, Japão e Espanha, com um cada.

Antes da criação oficial do Mundial, a FIFA promoveu em 1988 um Torneio Experimental na China, com 12 seleções. O Brasil terminou aquela competição em terceiro lugar. O sucesso do evento abriu caminho para a oficialização da Copa do Mundo Feminina três anos depois.

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