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Quanto Custa Ir À Copa de 2030?

Especialistas estimam que uma viagem pode superar os R$ 200 mil para uma família e explicam quanto investir por mês para chegar à Copa de 2030

9 min

Ver uma Copa do Mundo do estádio é um dos sonhos que muitos alimentam por anos. A festa das torcidas, o clima das cidades-sede e a chance de acompanhar de perto alguns dos maiores jogadores do planeta tornam a experiência inesquecível. Mas realizar esse desejo exige mais do que conseguir um ingresso —requer organização financeira. E a preparação começa muito antes da bola rolar. Segundo levantamento da Rico, na edição de 2026, uma viagem de casal para acompanhar o torneio poderia chegar a R$ 50 mil. A estimativa considerava despesas como passagens aéreas, hospedagem, ingressos, alimentação, transporte e seguro-viagem.

Em valores atuais, uma pessoa viajando sozinha pode gastar entre R$ 35 mil e R$ 55 mil em uma experiência convencional. Já uma família de quatro pessoas pode gastar entre R$ 100 mil e R$ 160 mil, de acordo com André Bobek, CEO da Mhydas Planejamento Financeiro.

Segundo Gustavo Assis, CEO da Asset, em comparação com a Copa de 2022, no Qatar, em que a viagem internacional para acompanhar jogos custava entre R$  20  mil e R$  28  mil por pessoa em perfil moderado, os custos para 2026 estão significativamente maiores devido à inflação global e ao formato de múltiplas cidades nos EUA, México e Canadá. “Para perfis premium, com vários jogos, hotéis de alta categoria e experiências VIP, o valor pode chegar a R$  50  mil a R$  70  mil ou mais“, pondera Assis.

Em 2030, a Copa do Mundo terá Espanha, Portugal e Marrocos como sedes principais. Uruguai, Argentina e Paraguai receberão partidas comemorativas relacionadas ao centenário da competição. Em outras palavras, quem começar a guardar dinheiro em julho deste ano terá em torno de quatro anos para se preparar para a próxima edição.

Como referência, a FIFA anunciou ingressos a partir de US$ 60 (R$ 306,46) para algumas partidas da Copa de 2026 e posteriormente criou uma categoria limitada nesse mesmo valor, destinada a grupos específicos de torcedores das seleções classificadas.

Esse preço não representava o valor médio dos ingressos nem uma opção amplamente disponível ao público. A maior parte dos compradores encontrou categorias com preços superiores, especialmente em partidas eliminatórias, jogos de maior procura e pacotes oficiais de hospitalidade. Por esse motivo, uma projeção para 2030 não deve utilizar US$ 60 como referência central. O planejamento financeiro deve considerar preços regulares, maior demanda, possíveis reajustes e uma margem para categorias mais caras do que inicialmente esperado.

Quanto guardar por mês para atingir a meta?

O coordenador de trader da InvestSmart XP, Jonathan Araújo, explica que para uma pessoa, a meta média seria acumular entre R$ 45 mil e R$ 60 mil, representando algo próximo de R$ 950 a R$ 1.300 por mês.

“Para um casal, o planejamento pode ficar entre R$ 80 mil e R$ 100 mil, com aportes mensais entre R$ 1.700 e R$ 2.100. Já uma família de quatro pessoas deveria considerar uma reserva entre R$ 130 mil e R$ 170 mil, dependendo do padrão da viagem e da quantidade de jogos”, afirma. Ele ainda destaca a possibilidade de incertezas sobre preços de ingressos, cidades dos jogos e câmbio.

“O mais prudente é trabalhar com uma margem adicional de aproximadamente 20%. Mais do que acertar o valor exato hoje, o essencial é começar cedo. Uma viagem para a Copa fica muito mais viável quando é tratada como um projeto financeiro de médio prazo, e não como uma despesa de última hora”, comenta Araújo.

Bobek comenta que para uma pessoa viajando sozinha, uma contribuição mensal entre R$ 1.100 e R$ 1.300 também seria adequada para uma viagem de padrão intermediário. “A recomendação técnica seria iniciar com R$ 1.100 mensais e reajustar o aporte em pelo menos 5% ao ano”, diz.

Ele destaca que o aporte mensal não deve ser definido apenas pela divisão do custo total pelo número de meses. “É necessário incluir inflação, oscilação cambial e uma margem para despesas que ainda não possuem preço oficial. Se for um casal, a distribuição recomendada fica entre R$ 1.800 e R$ 2.100 por mês. O valor deve ser tratado como algo conjunto do casal, e não como um valor individual”, afirma.

Para uma família de quatro pessoas, a contribuição recomendada fica entre R$ 3.000 e R$ 3.500 por mês. O valor de referência seria R$ 3.200 mensais, com reajuste anual e utilização de receitas extraordinárias para reforçar o fundo.

“O planejamento também deve considerar a idade que os filhos terão em 2030, e não a idade atual. Isso pode alterar tarifas aéreas, hospedagem, alimentação e regras de ingressos”, diz Boek. A meta indicada para uma família de quatro pessoas é de aproximadamente R$ 150 mil até 2030. “Uma experiência confortável, com dois quartos, maior número de jogos, deslocamentos entre países ou hospitalidade oficial, pode superar R$ 200 mil“, calcula.

Getty ImagesO/*s valores estão sujeitos a variações

Estratégias financeiras para planejar a viagem

Para o especialista da InvestSmart, o ideal é combinar aportes mensais com compras graduais de moeda estrangeira. A pessoa pode investir todos os meses em aplicações conservadoras e com boa liquidez, evitando colocar o dinheiro da viagem em ativos muito voláteis.

Ao mesmo tempo, deve comprar euros aos poucos, reduzindo o risco de precisar converter todo o valor em um momento desfavorável. Décimo terceiro, bônus, comissões e restituição de Imposto de Renda também podem acelerar o planejamento.

“Como o objetivo possui data definida, não é adequado utilizar ações, criptomoedas ou investimentos sujeitos a grandes oscilações como base principal da reserva. Uma queda próxima à data da viagem poderia comprometer o projeto. A partir de 2028, pode-se iniciar uma compra mensal de euros. Essa estratégia reduz o risco de concentrar toda a conversão em um momento de câmbio desfavorável”, também diz André Boek.

Para uma família de quatro pessoas, o recomendado é que o plano familiar tenha três camadas:

1- A primeira é a reserva de emergência, que deve permanecer completamente separada da viagem.
2- A segunda é o fundo principal da Copa, investido com baixo risco e liquidez adequada.
3- A terceira é a reserva cambial, formada gradualmente em euros.

Qual seria um cronograma realista?

Segundo Araújo da InvestSmart e o CEO da Mhydas Planejamento Financeiro, em 2026, o foco deve ser definir o orçamento e começar os aportes. Já em 2027 e 2028, o objetivo é manter a disciplina, acompanhar o câmbio e revisar os custos da viagem. “Em 2029, a pessoa deveria ter pelo menos 75% da meta acumulada”, explica Araújo.

Ou seja, no início de 2030, o ideal é que o valor esteja praticamente completo e aplicado em investimentos de baixo risco.

Entre os principais erros que os planejadores apontam estão começar tarde, depender de parcelamentos, comprar toda a moeda de uma vez e assumir riscos excessivos com o dinheiro da viagem, viajar sem seguro adequado, ignorar o custo das bagagens, subestimar o deslocamento entre cidades, utilizar a reserva de emergência como parte do orçamento e depender de promoções futuras para tornar a viagem viável.

Gastos subestimados

O primeiro gasto subestimado é a hospedagem. Em grandes eventos, o preço não acompanha apenas a inflação normal. Isso porque existe uma inflação específica provocada pelo aumento temporário da demanda, principalmente nas cidades que recebem jogos mais importantes. “Outro custo relevante é o deslocamento entre cidades e países. Dependendo do roteiro, o torcedor poderá precisar utilizar trens, voos internos, ônibus, transporte público, aplicativos, táxis ou aluguel de carro”, aponta Boek.

Também devem ser considerados:

  • Bagagem despachada.
  • Escolha de assento.
  • Alimentação em aeroportos e estádios.
  • Taxas de cartão internacional.
  • Tributos incidentes sobre operações cambiais.
  • Seguro-viagem.
  • Chip de internet.
  • Emissão ou renovação de passaporte.
  • Possíveis autorizações de entrada.
  • Medicamentos.
  • Lavanderia.
  • Armazenamento de bagagem.
  • Transporte até os estádios.
  • Produtos oficiais.
  • Alterações de última hora no roteiro.
Especialistas alertam para aumento de gastos com o deslocamento entre países

Ainda é importante incluir uma margem de segurança entre 15% e 20% para imprevistos e aumento de preços.

“Em New Jersey, para a Copa desse ano, uma casa de 6 quartos em Princeton chegou a ser anunciada por cerca de US$ 6 mil por noite, mesmo a mais de 1 hora do MetLife Stadium, valor equivalente a aproximadamente R$ 31.500 na conversão atual. Gestores do setor afirmam que hotéis em cidades-sede registram altas de até 300% nas tarifas em datas de maior procura”, destaca Gustavo Assis.

De acordo com análise da Rico, a cesta do torcedor está 32,5% mais cara desde a última edição do torneio em 2022.

Premissas utilizadas

Os valores consideram aproximadamente uma viagem de 10 a 12 dias, com saída do Brasil, passagens em classe econômica, hospedagem de padrão intermediário, alimentação, transporte, seguro-viagem, internet, três partidas e uma reserva para imprevistos.

O roteiro principal leva em conta Espanha, Portugal ou Marrocos, onde ocorrerá a maior parte da competição. A inclusão dos jogos comemorativos no Uruguai, na Argentina ou no Paraguai exigiria um orçamento adicional, principalmente por envolver um roteiro mais complexo e deslocamentos entre continentes.

Para os cálculos, foi utilizada uma inflação média estimada de 3,5% ao ano e uma rentabilidade líquida conservadora de aproximadamente 0,5% ao mês. Os valores devem ser revisados anualmente, especialmente em razão da variação cambial, da inflação internacional, da cidade escolhida, do calendário das partidas e da categoria dos ingressos.

Os preços e as condições de venda dos ingressos da Copa de 2030 ainda não foram divulgados oficialmente. Portanto, os valores apresentados são projeções financeiras, e não preços oficiais.

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