O turismo com foco em destinos de golfe estão vivendo um momento de ouro, para dizer o mínimo. Nos Estados Unidos, especialmente, a disputa é acirrada e há até listas de espera para conseguir uma reserva em alguns dos principais resorts do país.
Destinos populares entre golfistas, como Bandon Dunes (Oregon), Pinehurst Resort (Carolina do Norte), Pebble Beach (Califórnia), Sand Valley e Kohler (Wisconsin), Streamsong (Flórida) e Big Cedar (Missouri), parecem estar cada vez maiores e melhores.
E o desenvolvimento de novos campos de golfe atinge o maior nível em mais de 15 anos, de acordo com a National Golf Foundation. O impulso é gerado em parte pelos (quase) recordes de viagens voltadas ao esporte. Entre os novos refúgios públicos que estrearam recentemente, ainda estão em expansão ou chegam em breve, estão o Rodeo Dunes (Colorado), Wild Spring Dunes (Texas), Old Shores (Flórida) e Candyroot Lodge (Carolina do Sul).
No entanto, existem resorts e regiões que – embora provavelmente bem conhecidos por golfistas itinerantes – ainda passam meio batidos no cenário nacional. E como um único campo excelente não faz um destino completo, a seleção abaixo traz locais com múltiplos campos em uma mesma propriedade ou região, em vez de apenas joias isoladas.
Oeste do Nebraska

Este destino costuma surpreender muita gente, mas a região de Sandhills, no Nebraska, é um dos lugares mais preservados e injustiçadamente esquecidos para a prática do golfe no país inteiro, com uma temporada que geralmente vai de 1º de abril até o final de outubro.
O ultraprivado Sand Hills Golf Club impulsionou, de muitas formas, o conceito de turismo de golfe, inspirando Mike Keiser a criar o Bandon Dunes em um trecho remoto da costa do Oregon. Embora o Sand Hills e o CapRock Ranch sejam privados, locais como The Prairie Club, Dismal River e Wild Horse ostentam campos fenomenais. Dirigindo por estradas pouco povoadas de um campo a outro, diante de um mar de dunas gramadas ondulantes, os golfistas verão centenas de pontos perfeitos para um buraco de golfe.
O The Prairie Club abriga dois campos de campeonato de 18 buracos – ambos com par 73 -, com o Dunes Course projetado por Tom Lehman e Chris Brands, e o Pines Course por Graham Marsh. Há também o Horse Course, de 10 buracos, assinado por Gil Hanse e Geoff Shackelford, que não possui áreas de saída fixas. As acomodações são tranquilas e de alto padrão, em uma propriedade que conta com luz solar garantida até mais tarde nos meses de verão.

O Dismal River oferece pacotes de hospedagem e jogo em um clube que combina golfe de nível internacional e caça guiada. Os dois campos, White e Red, são moldados pelas dunas e influenciados pelas ventanias constantes, o que proporciona uma experiência totalmente diferente a cada partida. As cabanas rústicas e o lodge foram feitos para estadias de vários dias, permitindo recarregar as energias em meio a Sandhills.
Não muito longe do Aeroporto Regional de North Platte fica o Wild Horse, que conta com um campo de campeonato super elogiado, projetado por Dave Axland e Dan Proctor, além de um novo campo curto chamado The Pony, gratuito para juvenis, sócios e hóspedes.
Sudoeste de Utah

Esta região cinematográfica, famosa por suas belezas naturais e parques como Zion, Snow Canyon e Red Cliffs, continua a despontar como a nova meca do golfe.
Há pouco mais de 60 anos, a cidade de St. George construiu o campo de nove buracos Dixie Red Hills ao longo de um trecho de penhascos de arenito, como forma de atrair turismo e renovar o local. Hoje, a área abriga alguns dos campos mais deslumbrantes do esporte. E se o Dixie Red Hills apresentou o golfe à região de St. George/Zion nos anos 1960, o Black Desert Resort e o Sand Hollow estão apresentando a região para todo o país.
O Black Desert foi o último projeto de campo de Tom Weiskopf, um traçado que corta campos de lava negra com um fundo de rochas vermelhas e montanhas. O gigantesco resort, espalhado por um terreno de mais de 240 hectares com um cenário surreal, garantiu de cara eventos do PGA Tour e do LPGA.

Enquanto isso, o Sand Hollow é um dos campos mais fotogênicos dos Estados Unidos, especialmente por uma sequência de buracos na segunda metade do circuito. Ali perto, pilotos de UTV se divertem pelas colinas do Sand Hollow State Park.
Campos como o Copper Rock e o The Ledges, com seus cenários dramáticos, enriquecem ainda mais as opções de golfe na região.
Península Superior de Michigan

Embora o norte de Michigan seja merecidamente aclamado, com destinos incríveis como Forest Dunes, Arcadia Bluffs e várias propriedades da Boyne, a Península Superior abriga campos espetaculares que ainda não têm o mesmo alarde.
O Island Resort & Casino possui dois campos de peso, o Sweetgrass e o Sage Run, e recentemente fez a pré-abertura de seu novo traçado de 9 buracos (Cedar), para atender à alta demanda turística. Com greens inspirados em modelos clássicos de lugares como o National Golf Links em Long Island e o Prestwick na Escócia, a novidade torna os pacotes de hospedagem e jogo do resort ainda mais atrativos.
A grande estrela da Península Superior bem pode ser o Greywalls, um projeto de Mike DeVries que se aproveita do terreno mais selvagem e geologicamente dramático da região. O percurso corta afloramentos de granito, com uma fartura de rochas expostas que incluem paredões cinzentos verticais emoldurando fairways e greens.
O Timber Stone, no Pine Mountain Resort, é outro traçado que incorpora com maestria a paisagem das florestas do norte.
Noroeste do Pacífico

Embora essa região possa abranger uma vasta área, neste caso ela se refere ao leste de Washington e à região vizinha de Coeur d’Alene, em Idaho.
O Gamble Sands vem chamando atenção desde a abertura total de seu segundo campo de 18 buracos este ano, uma adição que ajuda a transformar a propriedade em algo muito além de um refúgio regional. Embora aproveite o mesmo terreno dinâmico e antigas terras agrícolas acima do Rio Columbia, o Scarecrow é um pouco mais intimista e estratégico do que o imenso Sands Course.
A propriedade também ostenta um dos grandes campos curtos do esporte, o Quicksands, sem falar naquele que é, sem dúvida, o melhor campo de putting no circuito mundial de turismo de golfe. O campo de putting Cascade, também assinado por David McLay Kidd, é uma verdadeira montanha-russa de mais de 9 mil metros quadrados localizada logo atrás da pousada, oferecendo vistas panorâmicas do rio e das montanhas.

A poucas horas dali, já em Idaho, fica o Lago Coeur d’Alene, em uma região de floresta exuberante que não poderia ser mais diferente dos planaltos do leste de Washington. É uma combinação perfeita para uma viagem memorável. O Coeur d’Alene Golf Resort ostenta um dos buracos mais emblemáticos do golfe, com seu green flutuante acessível por barco, enquanto o vizinho Circling Raven é um dos melhores campos em complexos de cassino do país.
Oregon Central / Bend

Há dezenas de campos públicos de golfe na área de Bend que aproveitam ao máximo o visual da Cordilheira das Cascatas e até 300 dias de sol por ano.
Três desses campos aparecem frequentemente nos rankings dos 100 melhores, incluindo o Crosswater no Sunriver Resort, um traçado que cruza os rios Deschutes e Little Deschutes, e foi o responsável por colocar o Oregon Central no mapa do golfe. O Sunriver foi escolhido para sediar quatro campeonatos da USGA entre 2027 e 2036, incluindo o U.S. Mid-Amateur de 2031 no Crosswater e no campo Meadow.
Há também o Pronghorn no Juniper Preserve, um resort de golfe e bem-estar que conta com um campo público assinado por Jack Nicklaus entre seus dois circuitos de 18 buracos, situados no meio de uma floresta de zimbros.

E no Tetherow Resort, uma propriedade de mais de 280 hectares a 20 minutos do Mt. Bachelor, o traçado de David McLay Kidd inspirado nos campos clássicos da Escócia contrasta com o estilo de deserto de alguns vizinhos.
Outras joias da região incluem os 36 buracos do Black Butte Ranch, o Aspen Lakes e o Brasada Canyons.
Ocean City, Maryland

Vale a pena destacar uma região que reúne cerca de 4,5 milhões de golfistas na costa leste, mas que acaba eclipsada por pontos mais ao sul — como Pinehurst, Myrtle Beach e Hilton Head nas Carolinas, ou os resorts históricos da vizinha Virgínia.
Porém, Ocean City, em Maryland, entrega um excelente custo-benefício, variedade e facilidade de acesso, com campos projetados por designers renomados, vistas para a baía e circuitos cercados por florestas litorâneas. Infraestrutura também não falta: a região conta com cerca de 11 mil quartos de hotel.
Entre os 10 campos de Ocean City está o The Links at Lighthouse Sound, com buracos cinematográficos ao longo da baía de Assawoman e a ponte para carrinhos de golfe mais longa dos EUA, com quase 460 metros.
Há ainda os dois campos do GlenRiddle — um antigo centro de treinamento de cavalos puro-sangue –, cujos nomes homenageiam os campeões da Tríplice Coroa Man O’War e War Admiral; outros dois no Ocean City Golf Club; além de instalações públicas bastante concorridas, como Eagle’s Landing, Nutters Crossing e Rum Pointe.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com