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João Pedro Paes Leme Aumenta Participação no Play9 com Saída de Felipe Neto

Empresa especializada em creator economy, que tornou-se holding recentemente, faturou R$ 170 milhões em 2024 com mais de 450 marcas parceiras e define um novo ciclo

7 min

Em um movimento estratégico que sinaliza uma nova fase de crescimento para o Play9 Content Group, uma das referências na creator economy brasileira, o CEO e cofundador João Pedro Paes Leme assume integralmente a participação societária anteriormente detida por Felipe Neto. Em 2024, a empresa faturou R$170 milhões com mais de 450 marcas parceiras.

A saída do influenciador digital, um dos sócios-fundadores da empresa, marca a consolidação da liderança de Paes Leme à frente da companhia, com planos de expansão e aquisição de novos clientes e investidores estratégicos. A transação, vista como um passo natural alinhado à recente reestruturação organizacional do grupo, que tornou-se uma holding responsável pela gestão de quatro negócios: Play9, Playground, PlayAction e PlayNest, reforça o objetivo de impulsionar um ciclo de crescimento acelerado.

“Foi algo muito natural e amistoso. Sentamos para conversar sobre o tema como dois amigos, ele (Felipe Neto) entendeu que eu precisava buscar novas oportunidades de crescimento para o grupo e que um equity maior me permitiria negociar essa expansão com mais liberdade. O negócio foi bom para os dois lados. Acredito que o carinho que desenvolvemos um pelo outro ao longo do tempo nos permitiu ter essa conversa de uma forma leve e tranquila”, explica Paes Leme.

Após uma sólida carreira na Globo, onde ocupou posições de destaque, Paes Leme decidiu empreender em um novo universo: o da creator economy. Em 2019, ao lado de Felipe Neto, um dos maiores influenciadores digitais do Brasil, fundou a Play9. Desde então, a empresa tem colecionado cases com grandes marcas como Amazon Prime Video, LG e Red Bull. Em seu cast, a Play9 possui nomes como Angélica, Fátima Bernardes, Giovanna Ewbank, dentre outros. No ano passado, a empresa desenvolveu o Craque da Voz, um reality show exibido na Globo e apresentado por Galvão Bueno e Karina Alves.

Forbes Brasil – A saída de Felipe Neto marca uma nova fase para o Play9 Content Group, o que essa mudança representa para você como líder e para o futuro da empresa?
João Pedro Paes Leme – Acredito que o Felipe tenha cumprido um papel muito importante numa fase da Play9 em que estávamos crescendo o nosso cast e criando os primeiros projetos de conteúdo digital. Ele ainda tinha tempo de dividir sua rotina de creator com as demandas da Play9. Isso foi fundamental nos nossos primeiros anos de empresa porque ele é um gênio do digital. Com o tempo, era natural que o Felipe se dedicasse mais à criação de conteúdo para o seu próprio canal e suas redes sociais. E isso impediu, nos últimos dois ou três anos, que ele pudesse estar perto da operação. Quando passamos a olhar a empresa como grupo, mesmo antes da formalização do Play9 Content Group, percebi que as unidades de negócio precisavam de expansão e isso só seria possível dando mais autonomia a elas, transformando-as em empresas independentes.

FB – Como foi o processo de negociação e transição entre vocês dois?
JP – Foi algo muito natural e amistoso. Sentamos para conversar sobre o tema como dois amigos. Ele entendeu que eu precisava buscar novas oportunidades de crescimento para o grupo e que um equity maior me permitiria negociar essa expansão com mais liberdade. O negócio foi bom para os dois lados. Acredito que o carinho que desenvolvemos um pelo outro ao longo do tempo nos permitiu ter essa conversa de uma forma leve e tranquila.

FB – Com a nova estrutura societária e a aquisição da participação de Felipe, quais são os próximos passos do plano de expansão do Play9 Content Group?
JP – Acredito firmemente que o Play9 Content Group esteja se estruturando agora para se tornar o player mais importante da creator economy brasileira em menos de três anos. Sempre tivemos esse ímpeto de buscar o novo e antecipar cenários na área de conteúdo digital, influência e distribuição multiplataforma. Agora, o objetivo é fazer com que as quatro empresas do grupo busquem eficiência nas suas verticais. Diria que a soma das partes será maior do que o todo, mas que o todo continuará fazendo uma grande diferença para que as partes não sejam apenas pontas soltas, e sim peças importantes de uma engrenagem complexa.

No ano passado, a Play9 desenvolveu o Craque da Voz, um reality show exibido na Globo e apresentado por Galvão Bueno e Karina Alves

FB – A entrada de investidores estratégicos está no radar, que tipo de perfil de investidor você busca e como isso se conecta ao posicionamento da empresa na creator economy?
JP – Nós conversamos com muita gente nesses seis anos. De fundos de VC a private equity, passando por investidores estratégicos. E o que ficou muito claro foi que, nem sempre, a combinação de unidades de negócio de uma empresa da creator economy consegue ser algo facilmente compreendido pelos investidores. Alguns apostam em influenciadores, mas não querem apostar em produção de conteúdo; outros apostam na tecnologia como o jeito escalável de olhar os influenciadores como inventário de mídia, mas, ao mesmo tempo, não querem lidar com influenciadores. É uma combinação difícil de fazer. Quase uma análise combinatória para encontrar o match perfeito. Então, achei também que seria mais inteligente transformar as quatro unidades de negócio em empresas independentes porque elas têm objetivos e clientes bem claros.

FB – Como essa divisão fortalece a operação e a entrega de valor para clientes e parceiros?
JP – Nós percebemos que precisávamos dar mais foco a cada um dos nossos clientes. E eles são diferentes: influenciadores, marcas, agências, plataformas de social media, plataformas de streaming. Enfim, o fato de ser um ecossistema sempre nos fez ter a noção perfeita de que transitamos em muitos mundos, mas essa é a beleza da creator economy. Então, em vez de achar tudo isso um ônus, sempre preferimos olhar como um bônus. Exatamente pelo fato de que empresas como as nossas entraram no mercado para preencher gaps que as empresas tradicionais não estavam conseguindo preencher. Então, agora, as quatro empresas do Grupo sabem exatamente quem são seus clientes e como dar atenção dedicada a eles. Antes, embora fizéssemos uma boa divisão interna, sempre ficava a sensação de que os papeis estavam misturados. Essa clareza de propósitos e objetivos aumenta muito o valor do que entregamos.

FB – O Play9 nasceu dentro da creator economy. Como você vê a evolução desse mercado e o papel das empresas de conteúdo na profissionalização da influência digital?
JP – O mercado esta em um momento de maturidade como nunca antes houve. Pode parecer óbvio, mas não é. Ele já teve altos e baixos; idas e vindas. Por isso, não significa que vá sempre evoluir com base na cronologia dos fatos e dos eventos. Mas hoje vejo que, apesar de muita competição – ou por isso mesmo -, marcas e influenciadores têm dado valor às empresas sérias, que buscam a profissionalização contínua. Que entregam o que dizem entregar e não aquelas que simulam saber fazer o que não sabem apenas para não perder uma grande conta. As empresas competentes da creator economy não podem se permitir o papel de meras atravessadas da cadeia de valor do conteúdo. Ninguém assim irá sobreviver nessa competição. Hoje, o importante é agregar valor em todas as etapas.

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