O Super Bowl LX, que acontece este fim de semana em Santa Clara, na Califórnia, não é apenas o ápice da temporada da NFL: é o “termômetro” definitivo para o setor de tecnologia e negócios. Com o custo de um anúncio de 30 segundos atingindo a marca histórica de US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 50 milhões), as empresas abandonaram o modelo de “apenas entretenimento” para transformar o intervalo em um campo de testes para a economia digital.
Ao observarmos a sucessão de anúncios, percebemos que o evento não apenas reflete o mercado, mas valida quando uma tecnologia deixa de ser um nicho de entusiastas para se tornar um hábito doméstico.
O histórico 1984
A jornada começou verdadeiramente em 1984, quando a Apple parou os Estados Unidos para apresentar o Macintosh. Dirigido por Ridley Scott, o comercial não apenas lançou um computador, mas estabeleceu a ideia de que a tecnologia seria a ferramenta de libertação individual contra o “Big Brother”. Foi o marco zero.
Bolha da internet
No entanto, o setor viveu um hiato de maturidade até o final dos anos 90, culminando no fatídico “Dot-com Bowl” de 2000. Naquele ano, startups cujos nomes hoje mal lembramos (como Pets.com) gastaram milhões em anúncios, antecipando o estouro da bolha da internet apenas meses depois.

Google foca no software
Após uma década de cautela, a Google mudou o tom em 2010 com “Parisian Love”. Em vez de hardware, o foco era o software e a emoção: uma história de amor contada apenas através de termos de busca. Foi a primeira vez que o Vale do Silício mostrou que os dados tinham “coração”, consolidando a hegemonia das buscas na vida cotidiana.
Guerra dos assistentes de voz
Entre 2016 e 2020, entramos na era da “Guerra da Voz”. Foi o período mais agressivo de disputa direta entre Amazon e Google. A Amazon, com campanhas estreladas por celebridades como Harrison Ford e Gordon Ramsay, personificou a Alexa como uma assistente onipresente e bem-humorada. O Google respondeu em 2020 com o emocionante “Loretta”, focando em como o Google Assistant poderia ajudar um idoso a preservar memórias. Essa disputa não era apenas por vendas de caixas de som inteligentes, mas pelo controle da interface de voz nos lares globais.
Década de rupturas
A década de 2020 trouxe as rupturas mais bruscas. Em 2022, o evento foi apelidado de “Crypto Bowl”. Empresas como Coinbase e a FTX dominaram os intervalos. O destaque técnico foi o QR Code flutuante da Coinbase, que gerou tanto tráfego (20 milhões de acessos em um minuto) que derrubou os servidores da empresa, provando que a TV linear ainda tinha um poder de engajamento digital sem precedentes.

IA Generativa
Já em 2024 e 2025, o foco virou-se para a transição energética e a produtividade. Vimos a invasão dos Veículos Elétricos (EVs), com montadoras tradicionais como Kia e BMW tentando convencer o público de que o motor a combustão era coisa do passado. Simultaneamente, a IA Generativa começou a aparecer não como código, mas como copiloto: anúncios da Microsoft e da Google passaram a mostrar o Copilot e o Gemini ajudando pessoas comuns a editar vídeos ou organizar finanças.
Agentes de IA e wearables
Agora, em 2026, chegamos ao ápice dessa trajetória. A tecnologia no Super Bowl não é mais um “anúncio de produto”, mas a apresentação de um ecossistema. O destaque deste ano é a IA de Agentes, onde os comerciais focam menos em “o que a máquina diz” e mais em “o que a máquina faz por você”, fechando um ciclo que começou com aquele Macintosh solitário em 1984 e hoje se estende a uma inteligência invisível que coordena toda a nossa vida digital.