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O Que o Festival Esgotado de Olivia Rodrigo Revela sobre o Marketing Moderno

Como representatividade real e valores claros transformam a conexão entre marcas e consumidores

5 min

O recém-anunciado festival Daisy Chain Fields, de Olivia Rodrigo, teve seus ingressos esgotados em menos de uma hora. O evento de um único dia traz um lineup 100% feminino, incluindo artistas como Chappell Roan, Doechii, Katseye, Mitski, Garbage e Stevie Nicks, e vai doar todo o lucro líquido para organizações focadas no avanço de mulheres e meninas.

Os fãs ficaram empolgados com a oportunidade de ver tantas artistas talentosas se apresentando juntas. Mas muitos também estavam celebrando outra coisa: o que o festival representa.

Em uma discussão no Reddit, um fã escreveu: “Vi um post no Instagram recentemente que removia todos os artistas homens dos cartazes de festivais famosos para destacar quão poucas mulheres são convidadas para tocar. E agora, além de termos um festival totalmente feminino, todo o valor arrecadado vai para caridade”.

Em outro debate, um fã destacou o histórico de engajamento de Rodrigo, escrevendo: “Ninguém na indústria briga pelos direitos reprodutivos como a Olivia”.

A resposta ao festival de Rodrigo aponta para dois gatilhos poderosos de conexão. Os consumidores querem saber se uma marca, organização ou figura pública é voltada para pessoas como eles. Eles também querem saber o que essa pessoa ou organização defende.

A representatividade ajuda a responder à primeira pergunta. Os valores ajudam a responder à segunda. A primeira lição para as marcas é sobre representatividade.

Apesar de anos de progresso, muitos consumidores ainda não se veem refletidos de forma consistente nos produtos, experiências e no marketing voltados para eles. A representatividade sinaliza quem pertence àquele espaço. Ela ajuda a responder com um “sim” à pergunta: “Isso é para alguém como eu?”.

A Netflix oferece um ótimo exemplo de como isso funciona na prática. Por meio do Strong Black Lead, a Netflix não apenas promoveu alguns títulos protagonizados por negros. Ela criou uma plataforma dedicada a celebrar histórias, talentos e o público negro.

A iniciativa se mostrou tão eficaz que a Netflix expandiu o modelo para outras comunidades mais tarde, por meio de plataformas como Most e Con Todo, focadas nos públicos LGBTQ+ e latino, respectivamente. Em outras palavras, a empresa não tratou a representatividade como uma campanha isolada. Ela reconheceu que fazer o público se sentir incluído era uma estratégia que valia a pena repetir.

O festival de Rodrigo funciona de maneira semelhante. Ele não traz apenas mulheres no meio do caminho. Ele as coloca intencionalmente no centro de tudo. Essa diferença importa. As melhores iniciativas de representatividade não tratam a inclusão como um mero detalhe de bastidor. Elas fazem dela a atração principal.

Mas se sentir representado é apenas parte da equação. Os consumidores também estão prestando atenção no que as marcas — e as pessoas por trás delas — defendem.

Essa é a segunda lição.

O apoio de Rodrigo às mulheres e aos direitos reprodutivos não começou com este festival, e é exatamente por isso que o evento soa autêntico. Ao longo do tempo, ela se posicionou publicamente a favor de iniciativas de saúde da mulher e direitos reprodutivos. O festival Daisy Chain Fields amplia esse compromisso tanto pelo seu modelo beneficente quanto pelas causas que apoia.

O trabalho da Dove com o The CROWN Act ilustra o mesmo princípio no contexto de marca. A empresa ajudou a fundar a CROWN Coalition para combater o preconceito racial baseado no cabelo e tem apoiado iniciativas voltadas para conscientizar o público, incentivar o engajamento e promover mudanças nas leis.

O mais importante é que a Dove não parou no discurso. Ela convidou os consumidores a agir por meio de abaixo-assinados, campanhas de conscientização pública e apoio à reforma de políticas.

É aí que muitas marcas deixam a desejar.

Valores não são apenas princípios internos ou um texto institucional na página “Quem Somos” de um site. São as crenças que uma marca está disposta a manifestar publicamente, investir e defender de forma consistente. O consumidor costuma se importar menos com o que a marca diz valorizar e mais com a forma como esses valores se traduzem em decisões, parcerias, investimentos e atitudes práticas.

No fim das contas, o festival Daisy Chain Fields é um lembrete de que os consumidores prestam atenção em muito mais do que os produtos, serviços e experiências que as marcas criam. Eles também reparam em quem ganha o protagonismo e quais causas recebem apoio.

Representatividade faz as pessoas se sentirem vistas. Ela sinaliza quem pertence ao espaço e responde à pergunta: Isso é para alguém como eu?

Valores geram identificação. Eles ajudam os consumidores a entender o que uma marca defende e se essas crenças batem com as deles.

É isso que torna o festival de Rodrigo tão poderoso. Ele não cria apenas uma experiência que empolga os fãs. Ele deixa evidente tanto quem ela escolhe exaltar quanto as causas que decide apoiar.

As marcas têm a mesma oportunidade. Quanto mais claro for para o consumidor se enxergar na sua marca e entender o que você defende, mais fácil fica construir conexões verdadeiras com as pessoas que você mais quer impactar.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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