Dólar tem maior alta mensal desde março; fiscal segue no foco do mercado

Ricardo Moraes/Reuters

O dólar fechou em alta de mais de 1% ante o real na última sessão de agosto, mês de intensa pressão no câmbio derivada de incertezas políticas e fiscais que mantiveram o real como a moeda relevante mais volátil do mundo.

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O dólar à vista subiu 1,20% hoje (31) a R$ 5,4807, depois de cair 2,93% na sexta-feira, maior desvalorização diária desde o começo de junho. Em agosto, o dólar subiu 5,02% –maior alta mensal desde os 15,92% de março passado. Em 2020, a moeda salta 36,58%. Na B3, o dólar futuro de maior liquidez saltava 1,87% nesta segunda, a R$ 5,4920, às 17h16.

A alta do dólar neste começo de semana esteve associada a um dia menos auspicioso no exterior, em que moedas emergentes e bolsas de valores se desvalorizaram, enquanto ativos seguros, como os Treasuries, ganharam terreno, conforme investidores deram uma pausa à espera de mais notícias que justifiquem o rali recente dos mercados.

No Brasil, o movimento do dólar permaneceu ao longo do mês relacionado à incerteza sobre o rumo das contas públicas –e assim deve continuar. Agosto foi marcado por escala de ruídos entre a equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, e alas do governo em defesa de mais gastos e flexibilização de regras fiscais.

Dados divulgados pelo Banco Central na manhã desta segunda-feira mostraram que a dívida bruta brasileira, considerada a principal medida da saúde fiscal do país, subiu 10,7 pontos percentuais no ano até julho, ao patamar recorde de 86,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Também nesta segunda, a equipe econômica aumentou o rombo primário previsto para o governo central a R$ 233,6 bilhões em seu projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) do ano que vem encaminhado ao Congresso.

A tensão entre Guedes e alguns setores do governo também afetou a relação do ministro com o presidente Jair Bolsonaro, com ambos posteriormente tratando de enfraquecer rumores de saída do comandante da pasta da Economia.

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Pressões por mais gastos e dúvidas sobre a retomada da agenda de reformas, contudo, seguem na pauta.

Mas, com o real caindo mais de 26% em 2020 e constantemente liderando as perdas globais seja na sessão, na semana ou no mês, mais analistas têm avaliado que a moeda brasileira estaria excessivamente depreciada.

Para o Nordea Bank, o real é uma das divisas emergentes que poderia se beneficiar de um “catch-up” (fechamento de gap) entre o câmbio emergente e de países desenvolvidos. “Preferimos real, rand sul-africano e rupia indiana para o caso de recuperação das moedas emergentes”, disseram analistas do banco em nota.

Do lado interno, alguns analistas veem na decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de permitir transferência de R$ 325 bilhões do lucro do Banco Central com operações cambiais ao Tesouro Nacional como uma indicação implícita de teto para o dólar.

“Se o dólar for para, digamos, R$ 5,51, o BCB tem todo incentivo para vender dólar”, disse um gestor em São Paulo. Outros calcularam que o piso para o dólar para que a operação do BC com o Tesouro não descapitalize a autoridade monetária estaria perto de R$ 4,90.

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“Vender o dólar/real dentro de seus níveis de preço atuais e usar um stop-loss próximo ao nível de R$ 5,51 pode ser um trade interessante”, disseram analistas do DailyForex. “Depois de um mês agitado e de ver uma tendência de alta dominar, o dólar/real parece pronto para demonstrar um impulso de baixa mais forte. Se o nível de suporte de R$ 5,34 vacilar e as vendas crescerem, o nível de R$ 5,22 pode ser alvo de especuladores”, completaram. (Com Reuters)

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