Preocupação com política de preços pesa sobre ações da Petrobras, dizem analistas

Nesta quinta, as ações preferenciais da Petrobras operavam em alta de 0,45% por volta das 13h20, horário de Brasília.

Redação
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Nesta quinta, as ações preferenciais da Petrobras operavam em alta de 0,45% por volta das 13h20, horário de Brasília

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Crescentes preocupações com possíveis interferências políticas sobre a independência da Petrobras para reajustar preços dos combustíveis pesaram sobre as ações da companhia ontem (13), disseram analistas de bancos, após os papéis terem recuado quase 5%.

Rumores sobre uma possível greve de caminhoneiros, que aumentaria a pressão sobre a estatal, também ajudaram no desempenho negativo das ações na véspera, que caíram mais que o barril do petróleo Brent, referência internacional (-0,9%), de acordo com relatórios.

Os temores surgiram após importadores menores terem apresentado ofício ao órgão antitruste Cade na semana passada acusando a empresa de práticas de valores de combustíveis “predatórias”. E notícias na imprensa apontando uma possível nova greve de caminhoneiros para 1º de fevereiro aumentaram a tensão.

Analistas do BTG e da XP, entretanto, ponderaram acreditar que a política de preços de combustíveis Petrobras tem sido coerente e que a administração da petroleira segue livre para decidir sobre as cotações.

Na véspera, o Valor Econômico publicou entrevista com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, onde ele rebateu as acusações de que a estatal venha segurando o reajuste dos preços dos combustíveis para prejudicar as empresas privadas concorrentes.

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“As ações da Petrobras tiveram desempenho fortemente inferior (na véspera) ao de seus pares globais, bem como do Brent ontem, o que acreditamos estar pelo menos parcialmente relacionado às crescentes preocupações de que a independência da política de preços da Petrobras esteja em xeque”, afirmou a equipe de análise do BTG em relatório nesta quinta.

Eles pontuaram, no entanto, que a petroleira tem conseguido adotar preços de paridade de importação com sucesso desde o fim de 2018, apesar de evitar repassar volatilidade ao mercado interno.

“Nosso cenário básico ainda é que a Petrobras permanecerá livre para definir preços e em breve começará a ajustá-los. Dito isso, os riscos de inflação e greves de caminhoneiros obviamente também aumentam o risco de que uma solução ‘fácil’ possa ser considerada”, disseram analistas do BTG.

A XP investimentos foi na mesma linha, dizendo acreditar que “o mercado pode ter reagido de forma exagerada às notícias”.

“Em primeiro lugar, embora os preços da gasolina e diesel da Petrobras estejam abaixo das referências internacionais, notamos que isso só é aconteceu nos últimos 6 dias (desde 7 de janeiro), o que não acreditamos ser um período significativo para formar conclusões sobre a política de preços da Petrobras”, escreveram os analistas em relatório na noite de quarta.

A equipe da XP também citou que órgãos do governo não teriam identificado grande risco de uma greve geral de caminhoneiros em fevereiro.

Segundo os cálculos do BTG, a Petrobras estaria vendendo gasolina no mercado doméstico a preços 21% abaixo da paridade de importação, enquanto o diesel estaria com desconto de 14%, após uma recente alta nos preços internacionais do petróleo.

Na entrevista ao Valor, o presidente da Petrobras negou que a estatal esteja segurando reajustes e disse considerar insinuações nesse sentido uma “ofensa profissional” e ele e à equipe econômica do governo.

“O controle de preços já foi remetido ao museu de armas ineficazes no combate à inflação”, disse ele, de acordo com o jornal.

Nesta quinta, as ações preferenciais da Petrobras operavam em alta de 0,45% por volta das 13h20, horário de Brasília, contra avanço de 0,85% do Ibovespa, enquanto o petróleo Brent recuava cerca de 0,9%. (Com Reuters)

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