Analistas de sell-side mostraram uma perspectiva mista dos números operacionais do segundo trimestre de 2026 (2T26) da MRV. A visão é de que a operação de Minha Casa, Minha Vida (MCMV) segue sólida, mas a geração de fluxo de caixa livre ficou aquém das projeções.
Em parecer sobre os números da MRV no 2T26, o Itaú BBA destacou que a geração de caixa foi o principal ponto de atenção, visto que a queima de caixa gerencial totalizou R$ 24 milhões no trimestre, mesmo excluindo os efeitos positivos das securitizações.
O resultado operacional de caixa gerencial atingiu R$ 77 milhões, puxado pelo avanço nas transferências de unidades, mas foi insuficiente para cobrir as pressões nos demais segmentos.
Operacionalmente, os lançamentos ficaram em 11,7 mil unidades, 10% abaixo das projeções da casa e totalizando R$ 3,1 bilhões no stake da empresa (queda de 13% no ano contra ano).
A divisão MCMV e Sensia respondeu por R$ 3 bilhões (queda de 14% na base anual), enquanto a Urba contribuiu com R$ 137 milhões e a Luggo não registrou lançamentos no período.
“A métrica-chave para a recuperação da empresa, em nossa visão — o fluxo de caixa —, voltou a ficar abaixo das nossas expectativas no 2T26, resultando em um trimestre mais fraco (…) Embora a ação tenha caído bastante neste ano (-36%), preferimos permanecer na lateral até vermos sinais mais claros de desalavancagem adicional”, diz a casa.
O banco manteve a recomendação de market perform (equivalente a neutro) com preço-alvo de R$ 8,50 por papel MRVE3, que representa um upside de mais de 70% ante os preços atuais.
O Citi também rotulou os resultados como mistos, com destaque para a solidez comercial da operação brasileira e o avanço na desalavancagem via desinvestimentos da Resia. Por outro lado, também destacou suas ressalvas sobre a consistência da geração de caixa operacional recorrente.
“No geral, avaliamos o release como misto, com vendas sólidas na MRV Inc, e progresso na desalavancagem, mas a consistência do fluxo de caixa operacional recorrente permanece fundamental para reconstruir a confiança”, diz a casa.
“A geração de caixa operacional recorrente foi fraca, de R$ 19,6 milhões, excluindo o impacto positivo da cessão de recebíveis”, completa.
Sobre a parte operacional, os analistas destacam que os lançamentos vieram em linha com as estimativas, na casa dos 11 mil, e as vendas brutas superaram as projeções do Citi em 6%, atingindo R$ 3,02 bilhões, ante estimativas de R$ 2,86 bilhões.
No entanto, os cancelamentos vieram significativamente acima, com 204 contratos no trimestre versus estimativa de 105, representando 7,2% das vendas brutas (média dos últimos dois trimestres) contra projeção de 3,8% — uma diferença de 340 pontos-base (bps).
Acerca da operação americana da empresa, via Resia, a venda dos ativos Ten Oaks e Rayzor Ranch por US$ 139 milhões reduziu a dívida líquida consolidada em 7,5%.
A ocupação nos empreendimentos Memorial (81%) e Golden Glades (79%) seguiu em trajetória de melhora.
Desta forma, o Citi avalia que o avanço na desalavancagem via Resia é positivo, mas ressalta que a consistência da geração de caixa operacional recorrente no Brasil é condição necessária para reconstruir a confiança dos investidores na tese.
O banco manteve recomendação neutra com preço-alvo de R$ 7,50, que representa upside de 51%.
Cotação das ações da MRV
As ações da MRV sobem 1,6% no pregão desta sexta-feira (10) por volta das 14h, a R$ 5,04. Na abertura, os papéis apreciavam cerca de 5%.
Desde o início do ano, entretanto, as ações recuam mais de 34%. O valor de mercado da MRV é de R$ 2,84 bilhões em bolsa.