Vendas no varejo do Brasil têm queda inesperada em novembro

Mês da Black Friday contrariou expectativas e representou primeira queda desde maio .

Redação
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Em relação a novembro de 2019, as vendas subiram 3,4%, contra expectativa de alta de 4,9% e também perderam força após salto de 8,4% em outubro na base de comparação.

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As vendas varejistas no Brasil registraram queda inesperada em novembro, após seis meses de ganhos, mostrando que o setor sofreu no final do ano passado com o impacto das perdas em supermercados. As vendas no varejo tiveram recuo de 0,1% em relação a outubro, de acordo com dados divulgados hoje (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em um mês marcado pela Black Friday, o dado contrariou a expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,4% e representou a primeira queda desde maio. Em seis meses consecutivos de ganhos, o volume de vendas acumulou crescimento de 32,2%. Em relação a novembro de 2019, as vendas subiram 3,4%, contra expectativa de alta de 4,9% e também perderam força após salto de 8,4% em outubro na base de comparação.

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Apesar dos resultados fracos, o setor ainda se encontra 7,3% acima do patamar pré-pandemia, segundo o IBGE. As vendas varejistas foram alavancadas pelo auxílio emergencial do governo e pelo relaxamento das medidas de contenção ao coronavírus. A atividade no comércio varejista atingiu o fundo do poço em abril, após cair em março, já sob os efeitos da pandemia, enquanto o desemprego alto ainda pesa para o lado negativo.

Em novembro, das oito atividades pesquisadas, cinco tiveram aumento de vendas na comparação com o mês anterior. Entretanto, o desempenho de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com peso de cerca de 45% no índice, pesou sobre o resultado geral ao apresentar retração de 2,2% sobre outubro. Outras atividades a apresentarem perdas no varejo restrito foram combustíveis e lubrificantes, de 0,4%, móveis e eletrodomésticos, de 0,1%.

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Segundo o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, esse resultado se deve à inflação elevada. “Se olharmos, por exemplo, para a receita das empresas dessa área, houve um declínio de 0,8%. E a diferença entre a receita e o volume de vendas demonstra um aumento de custos. Mas, além disso, é comum que o consumidor, quando tem uma queda de renda ou do seu poder de compra, passe a comprar menos produtos que não são essenciais e a optar por marcas mais baratas”, diz Santos.

Do lado positivo, destacaram-se as atividades de outros artigos de uso pessoal e doméstico, em que pesam principalmente as lojas de departamento, e de artigos farmacêuticos, medicinais, ortopédicos e de perfumaria. A primeira teve crescimento de 1,4% sobre outubro e a segunda apresentou alta de 2,6%. “As lojas de departamento foram alguns dos comércios mais impactados pelas medidas de fechamento adotadas no início da pandemia. Com a reabertura do comércio, essa atividade apresentou forte crescimento”, completou o gerente.

No varejo ampliado, que inclui também veículos e materiais de construção, o volume de vendas aumentou 0,6% e chegou ao sétimo mês positivo. Enquanto a comercialização de veículos subiu 3,5% em novembro, a de materiais de construção perdeu 0,8%. “A atividade de materiais de construção se recuperou rápido após o fechamento do comércio por conta da pandemia, a partir de junho já estava reaquecido. Já a automotiva está tendo uma retomada mais tardia”, explicou Santos. (com Reuters)

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