Jorge Paulo Lemann deixa o conselho da Kraft Heinz

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O bilionário admitiu que seu “sonho grande” de transformar a Kraft Heinz em uma gigante mundial do setor não caminhou como planejado

Aos 81 anos, Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil pelo ranking da Forbes, com um patrimônio estimado em US$ 17,1 bilhões, decidiu deixar o conselho de administração da Kraft Heinz.

A empresa de alimentos nasceu em 2015 com a parceria da 3G Capital, de Lemann, e da gestora Berkshire Hathaway, de Warren Buffet, o sexto homem mais rico do mundo, com patrimônio estimado em US$ 93,2 bilhões, segundo a Forbes. Desde então, a companhia já perdeu metade de seu valor de mercado por conta do estilo de gerenciamento, focado no corte de custos e busca de fusões.

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A multinacional também foi atingida por uma baixa contábil de US$ 15 bilhões em 2019 e uma investigação da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) por questões relacionadas à contabilidade, o que gerou uma mudança na estratégia e no comando do negócio.

Em 2020, com a pandemia de Covid-19, a empresa recuperou valor por conta dos estoques de alimentos industrializados durante a quarentena. Desde março passado, quando o isolamento social começou, as ações da companhia subiram mais de 50%.

O resultado positivo não foi o bastante para convencer o bilionário a continuar no conselho. Em comunicado oficial ao mercado, a empresa diz que Lemann “decidiu reduzir seus compromissos com viagens e não buscará a reeleição”. O documento também esclarece que não houve qualquer desacordo com a administração em relação às operações, políticas ou práticas da companhia. “O conselho agradece o serviço dedicado do Sr. Lemann.”

A 3G Capital, que detém uma participação de 20% na multinacional – enquanto a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, tem uma fatia de cerca de 27% – indicará um substituto ao assento no colegiado na próxima eleição do conselho, que acontecerá na reunião anual da companhia.

Há dois anos, em um evento, o empresário admitiu que seu “sonho grande” de transformar a Kraft Heinz em uma gigante mundial do setor não caminhou como planejado – diferente do que aconteceu com a AB Inbev. “O sonho grande não permanece, não é mais possível construir algo tão grande na área de alimentos como fizemos em cervejaria. Não deu certo, mas vamos tocar para frente”, desabafou.

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