Nesta semana, os Estados Unidos concentram as atenções do mercado após a sequência de tarifas propostas contra produtos brasileiros. Mas números da balança comercial divulgados na quarta-feira (4), porém, mostram que é outro país que hoje exerce a maior influência sobre o comércio exterior nacional.Hoje, a China compra praticamente um em cada três dólares exportados pelo Brasil.
O país ampliou sua vantagem sobre os demais parceiros comerciais do Brasil em 2026. Entre janeiro e maio, o país asiático comprou US$ 46,26 bilhões (R$ 231,3 bilhões) em produtos brasileiros, mais que o dobro da União Europeia e mais de três vezes o volume exportado para os Estados Unidos.
É a China que hoje inclina a balança comercial brasileira para o lado do positivo. Nos cinco primeiros meses do ano o Brasil acumulou superávit de US$ 32,66 bilhões (R$ 163,3 bilhões). Apenas o comércio com os chineses gerou saldo positivo de US$ 15,5 bilhões (R$ 77,5 bilhões), quase metade do total registrado pelo país no período.
A União Europeia aparece como o segundo principal destino das exportações brasileiras. As vendas para o bloco somaram US$ 21,81 bilhões (R$ 109,1 bilhões) entre janeiro e maio, alta de 6,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O superávit brasileiro com os europeus alcançou US$ 2,26 bilhões (R$ 11,3 bilhões).
Os Estados Unidos ficaram em terceiro lugar. As exportações brasileiras para o mercado americano somaram US$ 14,01 bilhões (R$ 70 bilhões) no acumulado do ano, queda de 16% na comparação anual. As importações recuaram 12,6%, para US$ 15,48 bilhões (R$ 77,4 bilhões). O resultado foi um déficit de US$ 1,47 bilhão (R$ 7,35 bilhões) para o Brasil.
Com isso, a China respondeu por 32,9% das vendas externas do país, enquanto os Estados Unidos ficaram com 9,7%. Em maio, as exportações para a China cresceram 9,5% e alcançaram US$ 10,5 bilhões (R$ 52,5 bilhões). Para os Estados Unidos, as vendas recuaram 14%, para US$ 3,09 bilhões (R$ 15,45 bilhões). Já a União Europeia registrou crescimento de 8,8%, com exportações de US$ 4,91 bilhões (R$ 24,55 bilhões).
No acumulado do ano, o Brasil exportou US$ 148,57 bilhões (R$ 742,9 bilhões), alta de 8,7% sobre o mesmo período de 2025. O avanço foi puxado principalmente pelo crescimento das vendas para a China, que ampliou ainda mais sua participação no comércio exterior brasileiro.
O que o Brasil está vendendo mais
O avanço das exportações brasileiras em 2026 foi puxado por uma combinação de agronegócio, energia e mineração.
Entre os produtos que mais ganharam espaço em maio aparecem os óleos combustíveis derivados de petróleo, cujas exportações cresceram 75,2%, a carne bovina, com alta de 50,2%, o ouro, que avançou 56,7%, e a soja, principal item da pauta exportadora brasileira, com crescimento de 14,6%.
Na mineração, o destaque ficou para o minério de cobre, cujas vendas ao exterior saltaram 149,4% na comparação com maio do ano passado.
Nem todos os produtos, porém, avançaram. Entre as principais quedas apareceram o açúcar (-30,1%), o café não torrado (-24,5%), a celulose (-16,8%), o minério de ferro (-15,2%) e o petróleo bruto (-9,3%).
Em valores absolutos, a soja liderou as exportações brasileiras em maio, com US$ 6,3 bilhões (R$ 31,5 bilhões), seguida pelo petróleo bruto, com US$ 3,8 bilhões (R$ 19,1 bilhões), e pelo minério de ferro, com US$ 2 bilhões (R$ 9,9 bilhões).
O que o Brasil está comprando lá fora
Do lado das importações, o maior crescimento veio de produtos ligados à indústria e à energia.
As compras externas de veículos de passageiros avançaram 80,1% em maio, enquanto as importações de semicondutores, componentes eletrônicos e transistores cresceram 49%. As aquisições de óleos combustíveis aumentaram 45,2%.
Também registraram alta as importações de fertilizantes brutos (+68,4%) e carvão mineral (+59,8%), insumos importantes para a produção agrícola e industrial.
Entre os produtos que perderam espaço nas compras brasileiras apareceram derivados de aço (-69,9%), máquinas industriais (-72,6%), geradores elétricos (-38,8%) e petróleo bruto (-34,4%).