Ibovespa sobe com temporada de balanços em NY; risco fiscal segue no radar

O Ibovespa opera em alta no início dos negócios desta quarta-feira (14), ganhando 0,34% aos 119.698 pontos às 10h14, horário de Brasília, alinhado ao otimismo no exterior com o começo da temporada de balanços corporativos nos Estados Unidos, tradicionalmente iniciado pelo setor bancário. Nesta manhã já divulgaram seus balanços companhias como o JP Morgan, Wells Fargo e Goldman Sachs.

O movimento positivo do dia é amparado ainda pelo desempenho das commodities no exterior. Os principais contratos futuros do aço voltaram a subir na China nesta quarta-feira, na segunda sessão consecutiva de ganhos, em meio a uma robusta demanda, enquanto o minério de ferro fechou estável no mercado à vista.

“Nós esperamos que a demanda por aço vá ter um pico entre abril e maio “, disse Tang Chuanlin, analista sênior da CITIC Futures, em nota, acrescentando que “a recuperação do consumo no primeiro semestre será melhor que no segundo semestre, enquanto a da demanda em geral deve ficar ao redor de 6% neste ano.”

Os preços do petróleo também subiam nesta quarta-feira, após a Agência Internacional de Energia projetar que a demanda e a oferta global por petróleo devem se reequilibrar no segundo semestre e que produtores podem então precisar produzir um adicional de 2 milhões de barris por dia (bpd) para atender à demanda esperada. O petróleo Brent subia 1,7%, a US$ 64,75 o barril, às 8h05, horário de Brasília.

Também no radar dos mercados está a estreia da exchange de criptomoedas Coinbase na Nasdaq, a maior corretora de moedas digitais dos Estados Unidos. “Ela vem ao mercado com o preço das ações por US$ 250 a unidade. O valor do mercado da sua listagem é superior à soma das duas bolsas de ações americanas, NYSE e Nasdaq”, explica Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos. Entenda o que o IPO da Coinbase pode representar para o mercado de criptomoedas e para o futuro da própria empresa.

No Brasil, o mercado ainda trabalha com a discussão do orçamento e da CPI do Coronavírus no radar dos agentes. O governo articula a edição de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que abra espaço para algumas despesas adicionais limitadas ao enfrentamento da pandemia e contorne, ao menos em parte, o impasse gerado pela subestimativa de gastos obrigatórios no orçamento. Uma versão do texto elaborada pelo Planalto com previsão de gastos de R$ 35 bilhões já foi descartada diante da percepção de representar um furo no teto de gastos.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem reiterado que o país não tem mais espaço para reeditar a estratégia adotada no ano passado, quando a decretação do estado de calamidade retirou despesas com a pandemia, que somaram mais de R$ 500 bilhões, das amarras representadas pela meta de déficit primário, regra de ouro (proibição de que governo se endivide para cobrir despesas correntes) e teto de gastos, que limita o crescimento das despesas à variação da inflação.

O dólar oscila na manhã desta quarta-feira, negociado com queda de 0,14% a R$ 5,70 na venda às 10h14, horário de Brasília, com operadores atentos à fraqueza da divisa norte-americana no exterior, mas sem tirar do radar eventos políticos domésticos em meio à indefinição do orçamento e CPI da Covid.

Gustavo Arruda, chefe de pesquisa para América Latina do BNP Paribas, acredita que a taxa de câmbio continuará vulnerável a choques no curto prazo, mas vê queda do dólar no segundo semestre à medida que a economia reabrir.

“O câmbio fica muito ruim, muito suscetível a choques e a ruídos no curto prazo. Mas, à medida que vai entrando a recuperação, outro estágio da economia, a moeda (o real) tende a performar melhor, a voltar um pouco mais para próximo de onde a gente acredita em termos de fundamento”, afirmou. (Com Reuters)

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