Luciana Seabra: “Tenho fixação por democratizar investimentos de qualidade”

Jornalista de formação e mestre em economia, a empresária busca simplificar os investimentos para todos os públicos .

Kariny Leal
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Reprodução/Luciana Seabra
Reprodução/Luciana Seabra

Jornalista de formação e mestre em economia, a empresária busca simplificar os investimentos para todos os públicos

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Ela não vem de família rica e nem começou a investir desde cedo. Nascida em Minas Gerais e morando em Brasília desde os oito anos, Luciana Seabra, 34 anos, era apenas uma estudante de jornalismo quando se encantou pelas ciências econômicas.

Na sala do mestrado em Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) ela era a única mulher. Formada em jornalismo pela UnB (Universidade de Brasília) e com passagem por veículos tradicionais de imprensa, como a rádio CBN e o jornal Valor Econômico, hoje ela é CEO de sua própria casa de análises, a Spiti.

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“Eu era uma extraterrestre no preparatório do mestrado, a única mulher. O mesmo aconteceu no mestrado”, conta a jornalista e empreendedora em entrevista à Forbes.

Luciana é partidária da independência nas recomendações de investimentos e defende a tese com unhas e dentes. “As pessoas precisam que alguém as ajude a investir de forma independente”, comenta. Ela foi sócia da Empiricus por três anos, quando obteve certificações profissionais do mercado financeiro, como o de analista CNPI e CFP, e deu início aos seus relatórios sobre fundos de investimentos, sua maior plataforma.

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Sua jornada com os investimentos, iniciada com capital próprio, veio apenas quando ela se sentiu realmente segura sobre o assunto – uma característica da maior parte das mulheres que investem, de acordo com pesquisas citadas por ela.

Unindo a credibilidade jornalística de sua formação às certificações de mercado e experiência profissional, Luciana tem “fixação por democratizar o investimento de qualidade”. “Eu tenho que falar de economia, é o que eu amo, quero democratizar isso.”

A criação da Spiti aconteceu para atender a uma demanda identificada pela jornalista, a de relatórios que tratassem de fundos de investimentos de forma independente, sem recomendações de produtos internos nas entrelinhas. Para Luciana, os fundos de investimento são o instrumento de acesso de muitos brasileiros a esse universo, uma porta de entrada importante especialmente para os iniciantes, que não precisam de um vasto conhecimento no assunto para dar o primeiro passo, mas ainda merecem informações confiáveis e imparcialidade.

O susto com a pandemia

A Spiti ainda engatinhava quando teve início a pandemia da Covid-19, em março de 2020. A Casa foi aberta em setembro do ano anterior e ainda ganhava tração. O escritório da empresa, que seria em São Paulo, nunca foi ocupado devido às restrições de circulação na capital.

“O nosso primeiro curso que deu certo foi justamente em março de 2020. Nós chegamos a ter reuniões e pensamos em desistir, mas persistimos por entender que era um momento em que as pessoas precisavam saber o que fazer na crise.” Luciana conta que sempre buscou estar próxima e acessível a seus clientes, e foi procurada por muitos deles que perderam o emprego e precisavam organizar as finanças durante a crise, além de agradecimentos daqueles que tinham colocado em prática a primeira lição dada pela analista: criar a reserva de emergência.

“No segundo período de lockdown estávamos prestes a fazer um evento com todos os nossos analistas em uma mesma casa, e tomamos um susto, mas foi nosso segundo melhor mês, quando entendemos que nosso negócio era realmente o digital.”

Hoje, a Spiti tem 16.305 assinantes dos relatórios de fundos e conta com 40 funcionários na equipe. A principal fonte de receita da empresa são os cursos (que têm custo de até R$ 3 mil, dependendo da modalidade) e assinaturas de relatórios a preços mais acessíveis.

Mulheres independentes financeiramente

Luciana é autora do livro “Conversas com Gestores de Ações Brasileiros”, publicado pela Companhia das Letras, e agora pretende direcionar as conversas a outro público, às mulheres brasileiras. Ela adiantou à Forbes que trabalha numa segunda publicação com o objetivo de trazer mais confiança para o público feminino na jornada dos investimentos. A previsão é de publicação ainda neste ano.

“Queria dizer para as mulheres que existe uma forma de investir sem colocar seu patrimônio em risco, sabendo o que está fazendo, e evitar que se torne dependente financeiramente no futuro”, comenta a jornalista, reconhecendo que ela mesma levou algum tempo para começar a investir.

“Na própria Spiti, historicamente, os assinantes são homens em maioria, apesar de o número ser crescente. No Instagram já fica equilibrado, 50% para cada lado.”

Questionada sobre uma mulher do mercado financeiro que seja uma inspiração para sua carreira, Luciana deu o diagnóstico: “faltam mulheres no mundo dos investimentos”. “Eu tive que criar minhas próprias referências, pensar quem eu queria ser”.

Ela cita a economista carioca Leda Braga, CEO da Systematica Investments, referência em fundos quantitativos, que se baseia majoritariamente em algoritmos e modelos estatísticos, como uma mulher que admira no segmento.

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