Ibovespa tem correção e fecha em queda, interrompendo ciclo de ganhos semanais

O Ibovespa fechou em queda o pregão desta sexta-feira (11), perdendo 0,49% aos 129.441 pontos, após duas semanas de forte movimento positivo. A correção foi liderada por papéis dos bancos e de setores ligados à reabertura da economia doméstica, os maiores beneficiários dos ganhos nas últimas sessões. Na semana, o índice brasileiro acumulou queda de 0,5%, mas avança 8,7% em 2021.

“Após uma alta tão expressiva e em tão poucos dias, temos como normal e esperado uma acumulação (consolidação) do Ibovespa”, afirmou o gestor de Douglas Inéia, da Invexa Capital. No pano de fundo das negociações, ainda se observa fluxo positivo de capital externo no segmento Bovespa, com as entradas superando as saídas em R$ 9,15 bilhões no mês e em R$ 40,5 bilhões no ano até 8 de junho.

“É um valor bem expressivo e isso sustenta o Ibovespa”, observou o gestor Ubirajara Silva, da Galapagos Capital, frisando a performance positiva do índice no acumulado do ano.

Na próxima semana, os drivers do mercado devem se concentrar nas decisões de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos, previstas para a quarta-feira (16). O avanço da inflação em ambas as economias colabora para pressão por aperto monetário. Por aqui, a perspectiva é de nova elevação na taxa Selic, para 4,25% ao ano. Nos EUA, o Federal Reserve deve reforçar o discurso de inflação passageira e de manutenção na sua postura guiada pela recuperação do mercado de trabalho no país.

A inflação nos Estados Unidos subiu 0,6% em maio, acima das expectativas do mercado, e fechou o mês acelerando 5,0% em 12 meses, na maior alta anual desde 2008. Já os novos pedidos de seguro desemprego caíram para o nível mais baixo em 15 meses no país, para 376 mil solicitações na semana encerrada em 5 de junho, contra 385 mil do período anterior.

No Brasil, a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e também divulgada nesta semana subiu 0,83% em maio, o resultado mais forte para o mês desde 1996. O índice acumulado em 12 meses disparou a 8,06%, ante 6,76% em abril.

“O cenário de alta dos juros tem por base o controle da inflação de 2021-22. Mais especificamente, ancorar as expectativas dos agentes econômicos para 2022. Os preços internacionais das commodities, o câmbio desvalorizado, a escassez de insumos na cadeia produtiva e o aumento do preço da energia – atualmente bandeira vermelha 1 – têm pressionado a inflação”, explica Gustavo Sung, economista da Suno Research.

As expectativas para os próximos dias marcaram presença em Wall Street, com os principais índices de ações terminando o pregão com leves ganhos e o S&P 500 renovando as máximas em alta de 0,19% aos 4.247 pontos no fechamento. No câmbio, o dólar fechou em alta de 1,21% contra o real e negociado a R$ 5,1271 na venda, com operadores também à espera das decisões monetárias.

“O desempenho (valorização) recente do real amenizaria o cenário de inflação, mas outros vetores compensaram. Olhando isoladamente as commodities, que a nossa moeda tem bastante correlação, era para o real estar mais valorizado, bem mais perto de R$ 4,00. Mas outros fatores pesam, como teto de gastos e a aproximação de um ano eleitoral, além de outros risco mapeados no cenário, como a crise hídrica”, avalia o economista João Beck, da BRA. (com Reuters)

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