Ibovespa acompanha exterior e abre em queda com menor crescimento da China

O dólar avança ante o real em dia de aversão ao risco no exterior

Iasmin Paiva
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O Ibovespa opera em queda na abertura do pregão de hoje (16), perdendo 0,41% aos 120.696 pontos perto das 10h10, horário de Brasília. No radar dos mercados globais estão os dados da economia chinesa abaixo do esperado e a crise no Afeganistão. Já no contexto doméstico, os investidores digerem as novas projeções do Boletim Focus e os persistentes ruídos políticos em Brasília.

Entre os indicadores, o Banco Central elevou a projeção para a taxa Selic a 7,50% tanto ao final de 2021 quanto no de 2022, de acordo com o relatório Focus divulgado nesta segunda-feira. A projeção anterior para a taxa básica de juros era de 7,25% para ambos os anos. Enquanto isso, os especialistas consultados passaram, agora, a ver alta de 7,05% na inflação em 2021, de 6,88% antes. Para 2022 a estimativa subiu a 3,90%, de 3,84%.

Para o PIB (Produto Interno Bruto), as estimativas de crescimento tiveram ligeiro ajuste para baixo, a 5,28% e 2,04% respectivamente, de 5,30% e 2,05% no levantamento anterior. Com relação à taxa de câmbio, o mercado mantém o dólar cotado a R$ 5,10 para o fim do ano.

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No radar corporativo, o penúltimo dia de divulgação de balanços conta com os resultados da Smiles, que registrou lucro líquido de R$ 70,2 milhões no último trimestre, enquanto a Vivara fechou o período com lucro líquido recorrente em R$ 81,7 milhões e a Cosan teve lucro líquido de R$ 942,4 milhões, nove vezes mais alto que o lucro de 2020.

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Em Brasília, a agenda da Câmara dos Deputados para a semana conta com a votação da reforma do Imposto de Renda e discussões sobre a PEC dos Precatórios e Auxílio Brasil. A crise entre os Três Poderes também segue ecoando no mercado nacional.

O dólar avança frente ao real, com ruídos no mercado doméstico e aversão ao risco no exterior. Às 10h10, o dólar era negociado em alta de 0,45%, a R$ 5,2687.

No noticiário internacional, as Bolsas reagem à crise no Afeganistão após o Taliban dominar Cabul, a capital do país, ontem (15) e declarar que “a guerra acabou e a paz prevaleceu”, segundo informações da agência Reuters. O presidente Ashraf Ghani fugiu do país afirmando que queria evitar derramamento de sangue, enquanto os militantes islâmicos entravam na cidade, praticamente sem resistência.

Além disso, os mercados asiáticos fecharam o dia sem direção definida, com investidores digerindo dados das economias da China e Japão. O Hang Seng, de Hong Kong, desvalorizou 0,80%; e o BSE Sensex, de Mumbai, fechou o dia em alta de 0,26%; o índice Shangai, na China, avançou 0,03%; e no Japão, o índice Nikkei caiu 1,62%.

A produção industrial da China cresceu 6,4% em julho sobre o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Agência Nacional de Estatísticas publicados hoje (16). Analistas esperavam aumento de 7,8% após a produção ter crescido 8,3% em junho. Enquanto isso, as vendas no varejo aumentaram 8,5% no último mês sobre o ano anterior, bem abaixo da expectativa de alta de 11,5% e do ganho de 12,1% de junho.

Paula Zogbi, analista de investimentos da Rico, explica que ambos os dados da segunda maior economia do mundo “fortalecem a tese de que a variante Delta afeta a retomada econômica, e os números chineses especificamente afetam hoje o mercado de commodities, em queda”.

Enquanto isso, o Japão cresceu 1,3% em taxa anualizada no período entre abril e junho, após queda revisada de 3,7% no primeiro trimestre, mostraram dados preliminares do PIB (Produto Interno Bruto) nesta segunda-feira. O resultado superou a expectativa do mercado de avanço de 0,7%. Contudo, analistas projetam que o crescimento permanecerá modesto no trimestre atual, já que as contenções emergenciais que voltaram a ser adotadas para combater um salto nas infecções de Covid-19 pesam sobre os gastos das famílias.

Nos EUA, os futuros dos índices de ações apontam para abertura em queda, com investidores atentos à crise no Afeganistão e aos dados econômicos chineses. Enquanto isso, o mercado opera em compasso de espera pela ata da última reunião do Fomc (Comitê Federal de Política Monetária), a ser divulgada na próxima quarta-feira (18).

Pablo Spyer, economista-sócio da XP Investimentos, comenta que o documento “pode trazer algumas pistas sobre a redução dos estímulos na economia norte-americana”.

As Bolsas europeias operam em baixa nesta manhã, enquanto os mercados no continente digerem o crescimento abaixo do esperado da China, o noticiário afegão e a disseminação da variante Delta da Covid-19. O Stoxx 600 opera em queda de 0,61%; na Alemanha, o DAX recua 0,49%; enquanto o CAC 40 desvaloriza 0,87% na França; na Itália, o FTSE MIB tem baixa de 0,44%; enquanto o FTSE 100 opera em queda de 1,22% no Reino Unido.

No mercado de commodities, os contratos futuros do aço negociados na China recuaram nesta segunda-feira, pressionados pelo crescimento mais lento que o esperado na produção industrial local. O contrato mais ativo do vergalhão de aço na Bolsa de futuros de Xangai, para entrega em janeiro de 2022, fechou em baixa de 2,1%, a 5.328 iuanes por tonelada. Enquanto a referência do minério de ferro na Bolsa de commodities de Dalian saltou 2,3%, para 851 iuanes por tonelada.

Os preços do petróleo recuam nesta segunda-feira, depois que dados oficiais mostraram que o rendimento do refino e a atividade econômica na China desaceleraram, além de novos surtos de Covid-19 prejudicarem a retomada das economias no mundo. Por volta das 9h50, o petróleo Brent recuava 2,52%, a US$ 68,81 por barril, enquanto o WTI caía 2,87%, para US$ 66,25 o barril. (com Reuters)

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