Mais de US$ 600 milhões em criptomoedas são roubados em maior ataque hacker da indústria DeFi

A Poly Network confirmou a invasão pelo Twitter; ethereum, binance coin e token USDC foram transferidos para outras carteiras

Jonathan Ponciano
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As criptomoedas ethereum, binance coin e o token USDC foram transferidos para diversas carteiras

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A plataforma blockchain Poly Network foi invadida ontem (10) por hackers que extraíram mais de US$ 600 milhões em criptomoedas, segundo anúncio feito pela própria empresa no Twitter, marcando o maior ataque hacker de todos os tempos na indústria das finanças descentralizadas.

“Lamentamos anunciar que a #PolyNetwork foi atacada”, tuitou o perfil da companhia, revelando que os hackers transferiram centenas de milhões de dólares para diversas carteiras de criptomoedas.

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Os endereços das carteiras de criptomoedas divulgados pela Poly – empresa que atua como protocolo cross-chain da indústria cripto – mostram transferências de 2.858 tokens de ethereum com valor próximo de US$ 267 milhões, 6.610 binance coin que valem mais de US$ 252 milhões e cerca de US$ 85 milhões em tokens de USDC, da rede Polygon.

O valor combinado dos tokens roubados ontem chegou a cerca de US$ 604 milhões, valor maior do que o ataque hacker de US$ 460 milhões à exchange MT. Gox, que levou a empresa à falência e aumentou a regulamentação no setor.

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Logo após o ataque, a Tether, empresa por trás da terceira maior criptomoeda do mundo em capitalização de mercado, congelou cerca de US$ 33 milhões em tokens USDT associados ao endereço da carteira do hacker, de acordo com seu diretor de tecnologia.

A firma de segurança SlowMist, baseada em blockchain, também emitiu um comunicado horas após o ataque, dizendo que identificou o e-mail, endereço IP e impressões digitais do dispositivo do invasor e estava trabalhando no rastreamento de pistas adicionais de identidade.

A Poly, que foi fundada pelo projeto de criptomoeda chinês NEO, de US$ 3,3 bilhões, não respondeu imediatamente a pedidos de comentários da Forbes.

“Apelamos aos mineradores do blockchain afetado e exchanges de criptomoedas para bloquear os tokens provenientes dos endereços acima”, tuitou a Poly Network.

Operadores de criptomoedas se manifestaram logo após o ataque. Changpeng Zhao, o bilionário CEO da exchange de criptomoedas Binance, disse em tweets que a empresa coordenará com seus parceiros de segurança e para ajudar nos esforços. Enquanto isso, Jay Hao, o CEO da exchange de criptomoedas OKEx, disse que a empresa está “observando o fluxo de moedas e fará [seu] melhor para gerenciar a situação”.

O valor de mercado atual de todos os tokens financeiros descentralizados (como o Polygon) é de US$ 103 bilhões, de acordo com a plataforma de cryptodata CoinGecko. A indústria ultrapassou uma avaliação de US$ 100 bilhões pela primeira vez este ano e atingiu o pico de cerca de US$ 150 bilhões em maio, antes que o mercado de criptomoedas despencasse quase 50%.

Menos de uma semana antes do ataque a Poly, o presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês), Gary Gensler, disse que as plataformas de finanças descentralizadas, também conhecidas como DeFi, merecem mais escrutínio do governo. Ele pediu ao Congresso norte-americano que aumente sua autoridade sobre a indústria de criptomoedas, comparando-as ao “Velho Oeste”.

Essas plataformas, em geral, atuam substituindo intermediários tradicionais, como bancos centrais e corretoras de serviços financeiros, por plataformas blockchains – que muitas vezes têm suas próprias criptomoedas – no processamento de transações de títulos, commodities e outros serviços.

Enquanto isso, investidores institucionais têm ampliado sua presença na indústria: no mês passado, o Goldman Sachs entrou com um pedido de criação de seu próprio fundo DeFi negociado em Bolsa.

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