Conheça 14 executivos brasileiros que foram à COP26 buscar parcerias e compartilhar experiências

Conferência mundial clima se encerra hoje (12); participantes contaram à Forbes suas motivações e os resultados obtidos.

Isabella Velleda
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Jeff Mitchell/Getty Images
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Empresas brasileiras enviaram representantes C-Level para Glasgow, na Escócia

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A COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), evento que reuniu líderes mundiais em Glasgow, na Escócia, se encerra hoje (12).

Executivos de algumas das maiores empresas do país apresentaram painéis, estabeleceram parcerias, e anunciaram novos compromissos buscando aumentar a relevância de suas marcas – e do Brasil como um todo – na economia de baixo carbono.

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“Nas últimas décadas, o Brasil se tornou um dos maiores produtores mundiais de alimentos, e temos agora a oportunidade de ser um dos maiores players da economia de baixo carbono”, diz Grazielle Parenti, vice-presidente global de relações institucionais e sustentabilidade da BRF. “Às luzes da COP26, precisamos entender o tema da sustentabilidade não como uma restrição, mas sim como uma oportunidade. E se você não entender isso, daqui um tempo não estará no jogo.”

Parenti foi uma das executivas que viajou a Glasgow, com o objetivo de compartilhar os compromissos de sustentabilidade que a BRF vem assumindo, bem como estabelecer novas parcerias no ramo alimentício. Ela conta que, em 2012, havia participado da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), mas notou que, desta vez, os líderes reunidos compartilharam mais “métricas e números, com medidas mais concretas.”

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Para a executiva, o Brasil apresenta grande potencial para se tornar um dos principais países produtores de alimentos sustentáveis do mundo dada a sua matriz energética que é composta em 48% por fontes renováveis, segundo dados do governo federal, e a ampla oferta de território.

Embora os números apresentem uma história, acreditar que o país será protagonista nesta fase incipiente da economia mundial é outra. Grazielle, porém, é otimista: “No dia em que eu não acreditar nisso vou estar aposentada”, brinca.

Guilherme Leal, fundador e copresidente do conselho de administração da Natura & Co, também esteve presente na conferência e, em entrevista à Reuters na última terça-feira (9), afirmou que as metas contra a mudança climática que o Brasil anunciou durante o evento não são ambiciosas o suficiente.

O governo brasileiro prometeu uma redução de 50% na emissão de gases causadores do efeito estufa até 2030, ante meta anterior de 43%, e também prometeu acabar com o desmatamento ilegal até 2028. A nova redução proposta pelo país, no entanto, é calculada sobre níveis de 2005, e grupos ambientalistas afirmam que ela significa uma redução menor do que aquela definida em compromissos firmados anteriormente por Brasília.

O executivo propôs a união de executivos e outros líderes brasileiros em um grupo chamado “Uma Concertação pela Amazônia”, com o objetivo de promover a proteção do bioma. A entidade conta com aproximadamente 200 integrantes e foi anunciada durante a conferência.

A necessidade de uma cooperação maior entre líderes e setores foi um dos temas recorrentes do evento. Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, que também marcou presença, reforça essa visão: “Devemos compartilhar nossos desafios e aprendizados, porque nessa corrida pela ‘net zero’ [neutralidade de carbono] não há um pódio de chegada. É uma corrida em que todos vamos ganhar ou todos vamos perder, juntos.”

Confira as motivações de 14 executivos C-Level brasileiros para comparecerem à COP26 e os resultados que obtiveram.

  • Grazielle Parenti

    Empresa: BRF
    Setor: Alimentos
    Cargo: Vice-presidente global de relações institucionais e sustentabilidade

    Motivação: “Na visão 2030 da BRF, bem como do Instituto BRF, a sustentabilidade é a base de tudo, e esse aspecto tem avançado muito na nossa agenda. Possuímos metas ESG e um plano de net-zero [neutralidade de carbono] para 2040. Levando isso em consideração, fica claro que não poderíamos faltar à COP26.”

    Resultados obtidos: “Estabelecer parcerias e conversar com pessoas que estão com projetos que nós podemos apoiar e que podem nos beneficiar foi um dos grandes pontos positivos. Na conferência, vimos diversos presidentes globais de grandes empresas, bem como lideranças jovens de destaque. Toda essa ajuda vai contribuir para que nós avancemos até mais rápido nos nossos compromissos de sustentabilidade.”

    Divulgação
  • Marcelo Pasquini

    Empresa: Bradesco
    Setor: Bancos
    Cargo: Diretor de sustentabilidade

    Motivação: “Sabemos que o risco climático é um risco financeiro, mas sabemos também que a transição para uma economia de baixo carbono representa uma grande oportunidade de negócios, e o Bradesco quer ser protagonista nessa transição. Por isso estou representando o banco na conferência, para acompanhar as principais discussões que estão ocorrendo, apresentar nosso posicionamento e ações conduzidas, além de reforçar nosso protagonismo e comprometimento com o tema.”

    Resultados obtidos: “Durante a COP26, o Bradesco integra a delegação do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), que tem como objetivo acompanhar as discussões e seus desdobramentos. Estamos monitorando de perto os debates, de forma a assertivamente engajar nossos clientes e evoluir em direção à meta de zerar as emissões líquidas até 2050.

    Além de acompanhar essas discussões de alto nível que ocorrem nas plenárias, tivemos a oportunidade de apresentar em painéis organizados pela UNEP FI (United Nations Environment Programme Finance Initiative) e pelo próprio CEBDS, e de participar de mesas redondas e discussões organizadas pela McKinsey & Company, Oliver Wyman e Bain & Company.”

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  • Renato Franklin

    Empresa: Movida
    Setor: Locação de veículos
    Cargo: CEO

    Motivação: “A participação na COP é uma grande jornada de aprendizado, trocando visões com diferentes públicos. São reflexões interessantes e importantes para combatermos desigualdades. Há tempos a Movida já percebeu o quão importante é ter a consciência de dar voz e oportunidade aos grupos sub-representados, mas é sempre bom atualizar. É uma demanda social, que vai muito além do diferencial competitivo para uma empresa.”

    Resultados obtidos: A empresa participou do “Climate Justice: Next generation and indigenous voices from the front line”, composto por lideranças jovens de diversas etnias, e atualizou seus compromissos quanto à representatividade em sua equipe. A meta, agora, é atingir um quadro de líderes composto em 50% por mulheres até 2030. Atualmente, esse número está em 34%.

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  • Mauricio Adade

    Empresa: DSM América Latina
    Setor: Alimentos
    Cargo: Presidente

    Motivação: “Vim para a COP26 representando os empresários signatários do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), que reúne cerca de 70 dos maiores grupos empresariais do país, entre eles a DSM. Tanto o CEBDS quanto a DSM são fortemente engajados nas principais necessidades e maiores desafios do planeta, que são diretamente relacionados à sustentabilidade.”

    Resultados obtidos: “Tivemos dois grandes resultados que foram anunciados durante a COP-26. O primeiro foi a oficialização da parceria entre a DSM e a JBS, que vai implementar um projeto com a meta de reduzir a emissão de metano entérico bovino em escala mundial utilizando o Bovaer, um aditivo da DSM que pode ser incluído nas rações das vacas (e de outros ruminantes). Ele reduz consistentemente a emissão de metano entérico em aproximadamente 30% para vacas leiteiras e porcentagens ainda mais altas (até 90%) para gado de corte.

    O segundo foi a oficialização de que a DSM está se preparando para expandir sua planta em Dalry (Escócia) para alcançar a capacidade de produção em larga escala do Bovaer, com previsão de início de produção para 2025.”

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  • Eduardo Bastos

    Empresa: Bayer
    Setor: Químico e farmacêutico
    Cargo: Diretor de sustentabilidade para a América Latina

    Motivação: “A agricultura está no centro das discussões sobre as mudanças climáticas, e a Bayer, como uma das empresas líderes do agronegócio, tem participado das discussões em torno de um mundo mais sustentável que consiga responder aos desafios das mudanças climáticas de forma concreta. Nossa participação na COP26 teve como objetivo contribuir com o diálogo sobre as mudanças necessárias rumo ao enfrentamento desses desafios e a implementação de ações efetivas. Sabemos que não é uma tarefa simples, mas acreditamos no potencial da colaboração entre diversos agentes para a criação de soluções que beneficiem o planeta, a economia e a sociedade como um todo.”

    Resultados obtidos: “O que vimos durante a COP26 é que há um caminho para construirmos um ecossistema de carbono na agricultura brasileira com base em ciência, tecnologia de ponta e colaboração. Acreditamos que há um grande potencial para avançar com as discussões sobre a criação deste mercado a nível global. Dessa forma, queremos viabilizar um modelo economicamente atrativo, no qual a sustentabilidade é indispensável e em que atores — indústrias, bancos, governo, acadêmicos, entre outros — se conectam e criam soluções que vão além da cadeia agrícola.”

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  • Marlos Batista

    Empresa: Codex
    Setor: Ciências espaciais
    Cargo: CEO

    Motivação: “A Codex se tornou signatária do Pacto Global da ONU em 2021, o que gerou uma motivação ainda maior para participar deste evento. Com isso, a empresa recebeu o convite para participar da COP26 e apresentar dois painéis sobre ‘Ferramentas Geoespaciais para Reduzir Mudanças Climáticas’ e ‘ESG Conduzindo Melhores Decisões’.”

    Resultados obtidos: “Conseguimos estabelecer networking, criar conexões com outras empresas, governos e ONGs. Participar da COP26 foi também uma oportunidade para apresentar os projetos da Codex em um contexto global e projetar a marca em uma grande escala internacional.”

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  • Gilberto Tomazoni

    Empresa: JBS
    Setor: Alimentos
    Cargo: CEO Global

    Motivação: O executivo esteve presente na COP26 durante a primeira semana do evento, levando o compromisso global da companhia de se tornar neutra em emissões de carbono até 2040. “Estamos investindo US$ 1 bilhão até 2030 para descarbonizar nossas operações globais e mais US$ 100 milhões em pesquisa para desenvolver soluções para uma agropecuária cada vez mais sustentável”, diz.

    Resultados obtidos: A empresa assinou, junto com as outras nove maiores empresas de produção e processamento agrícola do mundo, uma declaração para desenvolvimento de um plano setorial com o objetivo de conter o aquecimento global em 1,5ºC. Também firmou parceria com a Royal DSM para adotar um suplemento alimentar capaz de reduzir em até 90% as emissões da cadeia de produção bovina.

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  • Teresa Vernaglia

    Empresa: BRK Ambiental
    Setor: Saneamento básico
    Cargo: CEO

    Motivação: A executiva participou do evento a convite do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) e do IFC (International Finance Corporation), braço financeiro do Banco Mundial.

    Resultados obtidos: A executiva trouxe para a COP26 o debate sobre os impactos climáticos no abastecimento de água e saneamento, chamando a atenção para a necessidade de ações rápidas para garantir a sustentabilidade e a resiliência da infraestrutura das cidades em nível global. “Na BRK Ambiental, já nos comprometemos com a meta de zerar as emissões de gases de efeito estufa até 2040. Para isso, a empresa investe 4% da receita operacional anual para implementar novas tecnologias, em busca de um modelo de operação cada vez mais sustentável”, afirma.

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  • Alexandre Brandão

    Empresa: Alexandria
    Setor: Energia
    Cargo: CEO

    Motivação: “A Alexandria vem acompanhando o crescimento exponencial do setor de energia solar. A nossa participação na COP26 foi para mostrar não apenas os nossos negócios e sim as iniciativas sustentáveis que desenvolvemos.”

    Resultados obtidos: “Os resultados foram positivos, pois conseguimos apresentar projetos que a Alexandria executa no setor de energia e todos os seus benefícios sustentáveis. Além disso, foi uma forma de mostrar o quanto as empresas privadas têm buscado atender às expectativas de ESG do mundo inteiro.”

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  • Guilherme Weege

    Empresa: Grupo Malwee
    Setor: Moda
    Cargo: CEO

    Motivação: A empresa está participando do evento pela segunda vez consecutiva, a convite da ONG RTCC (Responding to Climate Change), e lançou o seu Plano ESG 2030, que reforça os seus compromissos ao combate ao aquecimento global.

    Resultados obtidos: A empresa lançou o Malwee Transforma, um laboratório de inovação para a sustentabilidade na moda nacional. “Não adianta ser o mais sustentável sozinho, vamos compartilhar nossas práticas e também fazer um convite para a mudança. O Malwee Transforma é um lugar de encontro para gerar parcerias, fortalecer e disseminar uma nova forma de produzir e consumir moda”, afirma Weege.

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  • Mariana Lisbôa

    Empresa: Suzano
    Setor: Papel e celulose
    Cargo: Head de relações corporativas

    Motivação: “A Suzano enviou uma delegação de executivos para a COP26 com o objetivo de apresentar suas importantes contribuições no combate às mudanças climáticas. Além disso, acompanhamos de perto as negociações, buscando sempre contribuir e incentivar o governo a assumir compromissos ambiciosos com vistas à descarbonização do planeta.”

    Resultados obtidos: “Ainda não podemos dizer que a COP26 foi um sucesso, pois precisamos esperar a conclusão dos trabalhos. Nossa grande expectativa é de haver consenso em relação ao artigo 6, com a criação de um Mercado Regulado Global de Carbono. Esperamos sair daqui mais próximos das mudanças necessárias, com o compromisso de ações imediatas por parte dos governos, para que possamos alcançar a neutralidade das emissões de carbono em 2050.”

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  • Andressa Borba

    Empresa: Leroy Merlin
    Setor: Varejo de materiais de construção
    Cargo: Diretora de desenvolvimento responsável

    Motivação: “As empresas são pilares essenciais na potencialização das riquezas dos países, geração de renda e desenvolvimento social, mas também são grandes forças motrizes para conter os impactos climáticos e promover mudanças em seus processos produtivos. Temos consciência do nosso tamanho e força para movimentar o mercado.”

    Resultados obtidos: A executiva apresentou um case sobre a Certificação AQUA-HQE, focado na construção e gestão sustentável de edifícios, emitido pela Fundação Vanzolini. Por meio dessa certificação, a empresa, nos últimos três anos, economizou mais de 3 milhões de quilowatts/hora de energia, evitando a emissão de mais de 3 mil toneladas de gás carbônico na atmosfera.

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  • Roberto Speicys

    Empresa: Scipopulis
    Setor: Mobilidade urbana
    Cargo: CEO e cofundador

    Motivação: “Fomos para a COP para participar de um programa de scale-up que desenvolve soluções para combater os efeitos das mudanças climáticas. Nós desenvolvemos uma ferramenta que estima emissões de transporte público e ajuda a diminuir as emissões desses modais. O encerramento do programa foi em uma apresentação para as autoridades escocesas no prédio do governo escocês.”

    Resultados obtidos: “Nesse processo de scale-up, fizemos reuniões para o projeto piloto com autoridades de diversos países, como a Lituânia, por exemplo. Vamos desenvolver alguns relatórios para a gestão do transporte público do país para promover a sua descarbonização. Estamos pensando na expansão para a Europa.”

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  • Eduardo Marini

    Empresa: Green4T
    Setor: Tecnologia
    Cargo: Presidente

    Motivação: “A crise climática é uma questão que afeta a todos nós, e nosso intuito é contribuir para a solução do problema e acelerar a transição de nossa empresa e de nossos clientes para a neutralidade o mais rápido possível. Particularmente, no que se trata do consumo energético com tecnologia e telecomunicações, acreditamos que podemos contribuir e apresentamos na COP26 nosso plano de ações multidisciplinares onde alcançamos reduções expressivas para clientes na América Latina, entre 20% e 50% do consumo.”

    Resultados obtidos: “A participação nos possibilitou conhecer pessoas no mundo todo que também estão empenhadas na solução do problema e com as quais nós poderemos cooperar.”

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Grazielle Parenti

Empresa: BRF
Setor: Alimentos
Cargo: Vice-presidente global de relações institucionais e sustentabilidade

Motivação: “Na visão 2030 da BRF, bem como do Instituto BRF, a sustentabilidade é a base de tudo, e esse aspecto tem avançado muito na nossa agenda. Possuímos metas ESG e um plano de net-zero [neutralidade de carbono] para 2040. Levando isso em consideração, fica claro que não poderíamos faltar à COP26.”

Resultados obtidos: “Estabelecer parcerias e conversar com pessoas que estão com projetos que nós podemos apoiar e que podem nos beneficiar foi um dos grandes pontos positivos. Na conferência, vimos diversos presidentes globais de grandes empresas, bem como lideranças jovens de destaque. Toda essa ajuda vai contribuir para que nós avancemos até mais rápido nos nossos compromissos de sustentabilidade.”

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