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Bill Gates Alerta Que IA É ‘Poderosa’ o Suficiente para ‘Causar um Bilhão de Mortes’

O bilionário defende a regulamentação governamental e chama a atenção para os riscos da tecnologia

6 min

O bilionário Bill Gates disse ao programa “Meet the Press” que a regulamentação governamental é necessária para a inteligência artificial. O fundador da Microsoft também alertou que a tecnologia é “poderosa” o suficiente para “causar um bilhão de mortes”, se usada de forma maliciosa.

Enquanto isso, Washington e o setor de IA ponderam como avançar diante de alertas alarmantes sobre os potenciais efeitos da tecnologia.

A NBC News divulgou o trecho na sexta-feira (25), parte de uma entrevista na qual o bilionário e filantropo foi questionado sobre os alertas de profissionais da área de IA de que a tecnologia poderia extinguir a humanidade.

“A IA é certamente poderosa o suficiente para desencadear eventos que causem um bilhão de mortes”, disse Gates, destacando que “nunca existiu uma arma tão poderosa quanto a combinação de pessoas com más intenções usando as ferramentas de IA mais avançadas”.

Gates também foi questionado sobre o ensaio recente do CEO da Anthropic, Dario Amodei, pedindo um freio na IA, no qual ele defendeu que os laboratórios de ponta deveriam desacelerar o ritmo de seus avanços e “trabalhar juntos voluntariamente para definir padrões” sobre a inteligência artificial.

“Ninguém acha que a autorregulamentação seja suficiente”, disse Gates sobre a perspectiva de as empresas de IA assumirem a frente no limite de suas próprias ações. Ele argumenta que precisa haver uma legislação regulando a IA e que “é preciso que as autoridades legais e os políticos entrem na conversa sobre como serão os mecanismos de proteção e o monitoramento”.

O ensaio de Amodei também pediu o envolvimento do governo na IA, embora ele tenha ressaltado: “Infelizmente, aprovar leis pode levar tempo, e a IA está avançando a passos largos.”

Ainda resta saber o que o governo federal fará em relação à regulamentação da IA, já que os líderes republicanos no Congresso têm minimizado o assunto, após o presidente Donald Trump se posicionar duramente contra travas na IA e classificar os pedidos de regulamentação como uma “farsa”.

Discussões em torno da IA

As declarações de Gates acontecem na véspera de uma reunião agendada para a próxima terça-feira entre Trump, o presidente da Câmara dos Deputados, Mike Johnson, e executivos do setor de IA, segundo diversos veículos de imprensa — embora ainda não esteja claro qual será o foco do encontro.

Johnson disse anteriormente que quer ver Trump e os CEOs de IA “entrarem em uma sala grande, fecharem a porta e resolverem isso”, e declarou a jornalistas na semana passada que deve haver “uma discussão aprofundada sobre a responsabilidade das empresas em manter a segurança, e qual papel, se houver, o governo deve desempenhar nisso”.

Também resta saber quais líderes específicos do setor de IA estarão presentes na reunião, que acontece logo após grandes nomes da indústria, como Elon Musk e o chefe da OpenAI, Sam Altman, marcarem presença em um jantar de Estado na Casa Branca na quinta-feira.

O caminho até a regulamentação

Até agora, Johnson e o líder da maioria no Senado, John Thune, não demonstraram muita pressa quando o assunto é aprovar leis para regulamentar a IA. Johnson minimizou os receios de que a tecnologia possa extinguir a humanidade, tratando-os como “farsa”.

Embora Thune venha defendendo há tempos a regulamentação da IA e tenha apresentado um projeto de lei sobre o tema em 2023, mais recentemente o senador deu a entender que não vai pressionar para que o assunto seja tratado como prioridade.

Thune disse a jornalistas em meados de setembro que era “provavelmente incerto” se a Casa conseguiria aprovar uma legislação de IA até o fim do ano, ressaltando: “Conseguir aprovar qualquer coisa no curto prazo será um desafio, considerando as outras pautas com as quais estamos lidando.”

O líder do Senado parece estar avaliando o assunto, no entanto, declarando ao portal Axios na quarta-feira que a senadora Amy Klobuchar, coautora do projeto anterior de Thune, está trabalhando para obter mais apoio democrata antes que o texto seja reapresentado no Congresso.

A legislação, com base em como foi apresentada em 2023, imporia medidas como:

  • exigir certificação para sistemas críticos de IA;
  • requisitos de transparência para conteúdos criados com IA generativa;
  • Obrigatoriedade para que as empresas realizem avaliações de risco;
  • Direcionamento de novas pesquisas governamentais para identificar conteúdos gerados por IA e quais mecanismos de proteção devem ser implementados no setor.

Resta saber se esse ou qualquer outro projeto conseguirá avançar no Congresso e não ser vetado por Trump, embora Thune tenha dito ao Axios acreditar que o presidente está mais aberto a aceitar travas de segurança na IA do que demonstra publicamente.

Entenda o contexto

O debate sobre a segurança e a regulamentação da IA esquentou bastante nas últimas semanas, depois que o ex-pesquisador da Anthropic, Jacob Coxon, anunciou publicamente em 9 de setembro que havia se demitido da empresa, alegando: “As pessoas que estão desenvolvendo a IA acreditam piamente que ela pode matar todos nós até o fim da década”.

Evan Hubinger, líder da ciência de alinhamento da Anthropic, reforçou o alerta, escrevendo que Coxon está “correto” e que os executivos de IA “realmente acreditam do fundo do coração que a IA pode exterminar todos os seres humanos!”. Hubinger disse considerar haver uma chance “superior a 10%” de a IA extirpar a humanidade “dentro da próxima década” e alertou que a Anthropic “ainda não tem um plano para resolver o alinhamento da superinteligência e não está claramente no caminho para isso”.

O alerta disparou a reação da opinião pública e intensificou a pressão por regulamentação, levando Google, Anthropic e OpenAI a se unirem na esteira dessa repercussão para criar um grupo focado em segurança de IA.

Altman e Amodei também destacaram a necessidade de cooperação global e padrões internacionais para a IA durante a Assembleia da ONU esta semana, com Amodei defendendo que as decisões sobre a tecnologia “devem ser moldadas por processos democráticos e por governos que prestem contas à população que servem”.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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