Queda do bitcoin intensifica e cripto cai à mínima de três meses

Criptomoeda acumula perda de mais de 12% desde a última quarta-feira (5).

Jonathan Ponciano
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szjphoto/Getty Images
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Embora a perspectiva de longo prazo para o bitcoin seja otimista, o curto prazo ainda é incerto

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O preço do bitcoin caiu a uma mínima de três meses na manhã de hoje (10), dando continuidade à sequência de perdas que começou quando o Federal Reserve, o banco central dos EUA, advertiu que pode reverter sua política de estímulos antes do esperado.

Especialistas preveem que a queda dos preços de criptomoedas como um todo pode persistir por semanas se a postura ‘hawkish’ do Fed se tornar mais agressiva.

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O bitcoin recuou 5%, para US$ 39.692,00 às 11h45 do horário de Brasília, de acordo com o site de dados de criptomoedas CoinGecko. A criptomoeda acumula perda de mais de 12% desde a última quarta-feira (5), quando o Fed alertou que poderia agir de forma mais agressiva para combater os altos níveis de inflação.

Em um email enviado no último fim de semana, o analista Yuya Hasegawa, da exchange Bitbank, alertou que espera que a maior criptomoeda do mundo continue caindo até que o mercado mais amplo, que tem sofrido de forma semelhante desde o anúncio do Fed, aceite a probabilidade de a autoridade aumentar as taxas de juros já em março.

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Embora Hasegawa tenha dito que o bitcoin pode cair para US$ 40 mil no curto prazo, o analista alertou que o relatório CPI (índice de preços ao consumidor), a ser divulgado na quarta-feira (12), pode intensificar a fraqueza dos preços se mostrar que a inflação disparou mais do que o esperado. Isso justificaria ainda mais a decisão do Fed de diminuir os estímulos e aumentar as taxas de juros.

Em uma nota divulgada hoje, Marcus Sotiriou, analista da corretora de ativos digitais GlobalBlock, disse que espera que o bitcoin se mantenha em torno de US$ 40 mil, mesmo se o relatório CPI na quarta-feira mostrar que a inflação subiu mais rapidamente do que o esperado no mês passado. Ele afirmou que a recente liquidação provavelmente já precificou grande parte das expectativas negativas.

Na última quinta-feira (6), o bilionário de criptoativos Mike Novogratz, CEO da firma de serviços financeiros Galaxy Digital, disse à CNBC que o movimento vendedor poderia empurrar o bitcoin para uma queda de 8% dos preços atuais, o que levaria a criptomoeda a US$ 38 mil patamar visto pela última vez no início de agosto.

“Não estou nervoso [com a perspectiva do] médio prazo, mas teremos muita volatilidade nas próximas semanas”, disse à CNBC, acrescentando que a expansão da adoção institucional é um motivo de alta para o ativo.

O bitcoin esteve longe de ser a única moeda a cair na manhã de segunda-feira. Nas últimas 24 horas, o ethereum, o binance coin (BNB) e o solana caíram cerca de 5%, empurrando as perdas de cada um para aproximadamente 20% desde a semana passada.

Embora as autoridades do Fed tenham dito no mês passado que projetam apenas três aumentos nas taxas de juros este ano, o economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, disse hoje que espera que o banco central promova quatro ajustes devido a um “maior senso de urgência” do que o inicialmente previsto.

“O bitcoin segue vulnerável a perder o patamar de US$ 40 mil e o ethereum pode ficar pior ainda se cair abaixo de US$ 3 mil”, escreveu Ed Moya, analista-sênior de mercado da Oanda, em um e-mail na sexta-feira (7). Os preços do ethereum operam por volta dos US$ 2.985,00 hoje. “A perspectiva de longo prazo ainda é otimista para as duas criptomoedas principais, mas o curto prazo parece feio.”

Novogratz não estava sozinho entre os investidores bilionários em criptomoedas que torceram pelo bitcoin durante esta última liquidação: “Tanto. Dinheiro. Esperando pacientemente a queda para ser investido em bitcoin”, escreveu Barry Silbert, fundador e CEO da empresa de criptomoedas Digital Currency Group, no Twitter na tarde de sábado.

Apesar dos surtos de intensa volatilidade do bitcoin, o codiretor de câmbio global do Goldman Sachs, Zach Pandl, escreveu em uma nota aos clientes na semana passada que a criptomoeda pode chegar a US$ 100 mil nos próximos cinco anos. Pandl disse que a participação do bitcoin no mercado de criptomoedas, atualmente em torno de 41%, “provavelmente aumentará com o tempo como um subproduto da adoção mais ampla de ativos digitais”, e que a criptomoeda competirá cada vez mais com o ouro como uma proteção contra a inflação.

Nesta segunda-feira de manhã, todas as criptomoedas atualmente em circulação somavam US$ 1,9 trilhão em valor de mercado. O número registrou uma queda de mais de US$ 300 bilhões, ou 14%, desde quarta-feira, e mais de US$ 1 trilhão abaixo da máxima histórica de US$ 3 trilhões em novembro.

Nos últimos cinco anos, os preços do bitcoin dispararam quase 4.300%. No entanto, a criptomoeda caiu quase 40% em relação ao recorde de US$ 69.000,00 estabelecido em novembro de 2021.

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