Dólar vai abaixo de R$ 5 com alívio externo

Na mínima do dia até o momento, a moeda chegou a R$ 4,9855.

Reuters
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Nur Photo/Getty Images
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Especialistas também indicam o patamar elevado da taxa Selic, atualmente em 10,75% ao ano, como colchão adicional para o real

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O dólar tinha queda pelo segundo dia consecutivo ante o real hoje (9), acompanhando movimento de melhora no apetite por risco global, enquanto investidores domésticos aguardavam mais detalhes sobre planos do governo de adotar subsídios para impedir o aumento dos preços dos combustíveis.

Às 14:40 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,98%, a R$ 5,0040 na venda. Na mínima do dia até o momento, a moeda chegou a R$ 4,9855.

A baixa desta manhã estava em linha com a desvalorização do índice do dólar no exterior, de 0,5%. A moeda norte-americana também caía expressivamente contra o dólar australiano, divisa que, assim como o real, tem se beneficiado da disparada dos preços das commodities.

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No mercado de ações, as principais bolsas europeias e os futuros de Wall Street avançavam, recuperando-se tombos recentes.

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“Temos que olhar para a alta das commodities; somos um país exportador, e a valorização da moeda local e de outros países exportadores tem sido muito alta”, disse à Reuters Kaue Franklin, especialista em Renda Variável do Grupo Aplix.

A guerra entre Rússia e Ucrânia, que está em sua segunda semana, tem impulsionado o preço de várias commodities energéticas e agrícolas – com o petróleo Brent chegando a superar os 139 dólares por barril na segunda-feira -, o que beneficiou os ativos de vários países exportadores fora da Europa, que são vistos como menos vulneráveis às tensões geopolíticas.

E o real está na vanguarda, liderando os ganhos entre as principais moedas globais até agora em 2022, o que Franklin também atribuiu a um fluxo de entrada de recursos estrangeiros no mercado de ações doméstico. O Ibovespa sobe mais de 6% no ano, enquanto, no mesmo período, o dólar tem queda de quase 10% ante o real.

Especialistas também indicam o patamar elevado da taxa Selic, atualmente em 10,75% ao ano, como colchão adicional para o real, já que juros mais altos tornam o mercado de renda fixa local mais atraente para agentes estrangeiros.

Mas receios fiscais – que ficaram um tanto de lado neste início de ano depois de surpresas positivas em dados sobre a saúde das contas públicas – voltavam à pauta, já que a disparada do preço do barril de petróleo no exterior aqueceu discussões domésticas sobre medidas para controle dos custos de combustíveis.

De acordo com fontes, o governo do presidente Jair Bolsonaro está preparando um programa de subsídios para impedir o aumento dos preços para os consumidores, indicando que o Ministério da Economia começava a perder a batalha para evitar esses gastos.

Franklin explicou que eventual subsídio pode levar a um aumento do déficit primário do Brasil, o que seria um empecilho para desvalorizações adicionais do dólar, embora tenha afirmado que, se o mercado local resistir aos ruídos fiscais, a moeda norte-americana pode buscar patamares abaixo da marca psicológica de 5 reais.

“Acredito que 4,90 é o ponto em que o dólar tende a ir no curto prazo”, afirmou, citando o impulso das commodities.

No encerramento do pregão da véspera, o dólar spot caiu 0,50%, a 5,0539 reais.

O Banco Central fará nesta sessão leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 2 de maio de 2022.

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