Super Quarta: entenda por que reuniões do Fed e do BC afetam seus investimentos

Decisões das autoridades devem ditar o desempenho da economia nos próximos meses.

Vitória Fernandes
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Reuters

As altas das taxas básicas de juros já são esperadas nos dois países

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Guerra na Ucrânia, gargalos nas cadeias de produção mundiais e valores elevados das commodities compõem o cenário da inflação resistente vista nos últimos meses em grande parte do mundo. O Comitê de Política Monetária (Copom) e o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) devem decidir, nesta Super Quarta (16), qual rumo seguir com as taxas de juros.

A Super Quarta, que acontece quando as reuniões de política monetária dos dois países caem no mesmo dia, já movimenta os ânimos dos investidores que buscam entender o que isso representa para os aportes no Brasil e no exterior.

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As altas das taxas básicas de juros já são esperadas nos dois países. Esse será o primeiro movimento do Fed em três anos para tentar frear a alta da inflação por lá, que já atinge 7,9% no acumulado de 12 meses.

No Brasil, o Banco Central segue essa estratégia desde março de 2021, quando as taxas começaram a subir. No ano passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) bateu 10,06%, e, em 2022, já acumula alta de 6,45%.

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O que a alta dos juros nos Estados Unidos significa para o Brasil?

A economia norte-americana sempre impacta os mercados internacionais e desta vez não vai ser diferente. A taxa de juros, que deve subir em torno de 25 a 50 pontos-base hoje, terá consequências para os empregos, salários, preços de alimentos e retornos dos investidores e empresários.

Quando a taxa aumenta, o dinheiro fica mais caro e menos disponível no mercado. Os investidores estrangeiros que apostaram no Brasil por conta das vantagens do câmbio e da grande diferença de juros entre as duas economias não devem continuar aportando da mesma forma.

Leia também: Inflação global – qual a diferença entre a alta de preços no Brasil, nos EUA e na Europa?

Além disso, com o aumento dos juros, o Fed aumenta a recompensa para os detentores de títulos da dívida do Tesouro americano. Se a renda fixa dos EUA fica mais atrativa, os investidores se tornam mais seletivos e menos atraídos por propostas internacionais.

O câmbio também sofre com essa movimentação. Em tempos de juros baixos nós EUA, os estrangeiros trazem dólares para o Brasil. Com a menor entrada da moeda estrangeira, a cotação do real tende a subir.

A valorização do dólar faz os produtos importados pelo Brasil ficarem mais caros, gerando ainda mais inflação no país.

Os investimentos vão ser afetados?

O momento de alta dos juros no mundo tende a ser menos positivo para os investimentos em ações, fundos imobiliários e outros produtos de renda variável.

Isso acontece porque com a Selic em alta, os rendimentos das aplicações em renda fixa, como Tesouro Direto e CDB, tendem a melhorar. Assim, o número de pessoas que compram ações diminui e os índices podem mostrar maior instabilidade.

O momento por si só já traz um sentimento de aversão ao risco, que também contribui pela procura de investimentos mais seguros. Isso não quer dizer que as ações estão fora de questão, apenas que é preciso ter maior cautela com as escolhas para o portfólio.

Com juros mais altos também nos Estados Unidos, a forte movimentação de capital estrangeiro na B3 deve mostrar sinais de redução, reduzindo o ânimo do mercado. Com o câmbio mais alto, os investimentos de brasileiros no exterior também ficam mais limitados.

A perspectiva para os próximos meses é de novas altas, tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos, até que a inflação mostre sinais de retração. Para os investidores, é necessário acompanhar o desenvolvimento da economia para não perder bons pontos de entrada – aqueles momentos em que os ativos ficam baratos e vale a pena comprar para aguardar a alta.

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