Ex-bilionário, Tim Draper diz que bitcoin subirá para US$ 250 mil

Investidor faz parte de uma longa lista de ex-bilionários que seguem apostando nas criptomoedas.

John Hyatt
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Foto: Roger Kisby/ Reprodução Forbes EUA
Foto: Roger Kisby/ Reprodução Forbes EUA

O investidor em bitcoin, Tim Draper, acredita que a criptomoeda está preparada para uma reviravolta épica. Seu status de bilionário depende disso.

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Durante uma entrevista à Forbes em janeiro deste ano, Tim Draper ofereceu uma previsão ambiciosa: o bitcoin atingiria a marca de US$ 250 mil (R$ 1,29 milhão) em um ano. Na época, o bitcoin valia cerca de US$ 41.000 (R$ 212.490).

“Este é o ano em que isso vai acontecer”, insistiu Draper, que pagou US$ 18,7 milhões (R$ 96,9 milhões) por seu estoque de cerca de 30 mil bitcoins em 2014. Sim, são R$ 3.228,00 por bitcoin – um valor baixo para o patamar atual, mas a moeda digital era negociada a R$ 1.550,00 naquele ano. As criptomoedas foram leiloadas pelo governo dos Estados Unidos, que havia apreendido os ativos no curso de uma investigação.

“Até o final deste ano – ou início do ano que vem”, disse ele.

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A previsão de Draper não está se tornando realidade. O bitcoin perdeu mais da metade de seu valor desde o início do ano e caiu US$ 47 mil (R$ 243.590,00) em 1o de janeiro para cerca de US$ 20 mil (R$ 103.650,00).

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Draper é um dos quatro magnatas de criptomoedas que não são mais bilionários devido ao crash da moeda digital. Mas ele não está pessimista. Contatado por email, Draper reiterou sua meta de preço. “Estou mais convencido do que nunca de que isso está acontecendo”, disse ele. “Até o final de 2022 ou início de 2023.”

Fred Ehrsam, cofundador e ex-presidente da corretora de criptomoedas Coinbase, insiste que o colapso do mercado nada mais é do que dores de crescimento. “Uma coisa que a maioria das pessoas não entende completamente: leva anos, muitas vezes décadas, para passar de um avanço tecnológico em nível de infraestrutura (como o das criptomoedas) para um ecossistema vibrante de aplicações convencionais”, tuitou Ehrsam no início desta semana. O gênio da computação de 34 anos agora vale cerca de US$ 900 milhões (R$ 4,6 bilhões), bem menos que os US$ 2,1 bilhões (R$ 10,9 bilhões) de março.

Uma razão pela qual Ehrsam pode ter a cabeça fria é sua fortuna, que inclui cerca de US$ 367 milhões (R$ 1,9 bilhão) em receitas em dinheiro pós-impostos das vendas de ações da Coinbase. Ele abriu mão dos papéis no ano passado a um preço médio de US$ 316,00 (R$ 1.640,00) por ação — as ações da Coinbase são negociadas hoje a cerca de US$ 52,00 (R$ 270,00) por ação.

Ehrsam parece ver o colapso do mercado como uma oportunidade de compra: ele adquiriu US$ 77 milhões (R$ 400 milhões) em ações da Coinbase em nome de sua empresa de capital de risco e investimento em criptomoedas, a Paradigm Capital, em maio, por um preço entre US$ 60,00 e US$ 73,00 (R$ 310,00 e R$ 380,00) por ação.

Estrela do rock x Salvador das criptos

Os investidores em bitcoin Cameron e Tyler Winklevoss, irmãos gêmeos e fundadores da empresa de negociação de criptomoedas Gemini, também viram suas fortunas caírem de cerca de US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões) em março para US$ 3,2 bilhões (R$ 16,5 bilhões) agora. Eles demitiram 10% da equipe da Gemini em 2 de junho, citando o “inverno cripto” como motivo.

Mas eles não deixaram a implosão do mercado atrapalhar seu estilo. Sua banda de rock, Mars Junction, está atualmente em turnê na Califórnia e, no início de junho, os gêmeos foram filmados em um bar em Asbury Park, Nova Jersey, cantando “Don’t Stop Believin'” da banda Journey uma semana depois de anunciarem as demissões na Gemini. Os ingressos para um show do Mars Junction em Berkeley custam US$ 15,00 (R$ 78,00) cada.

Enquanto os gêmeos Winklevoss estão brincando de estrela do rock, Sam Bankman-Fried, dono da maior fortuna do setor de criptomoedas, está interpretando um papel diferente: salvador da indústria.

No início desta semana, o fundador de 30 anos da FTX concedeu enormes empréstimos a empresas de criptomoedas em apuros: US$ 250 milhões (R$ 1,3 bilhão) para o credor BlockFi e quase US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) — incluindo R$ 1,5 bilhão em bitcoin — para a exchange Voyager Digital.

“Levamos a sério nosso dever de proteger o ecossistema de ativos digitais e seus clientes”, ele tuittou. A fortuna estimada de Bankman-Fried caiu alguns bilhões de dólares desde março e foi de US$ 24 bilhões (R$ 124,4 bilhões) para US$ 20 bilhões (104 bilhões), principalmente por causa da avaliação de US$ 32 bilhões (R$ 165 bilhões) da FTX em sua última rodada de financiamento em janeiro.

Enquanto isso, Changpeng Zhao (ou “CZ”), que já foi a pessoa com a maior fortuna do mundo cripto, tem sido irônico nas redes sociais. “Sou mais otimista em mercados de baixa 😂”, twittou ontem (23) o fundador e CEO da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo,, seguido imediatamente por um segundo post: “Não é um conselho financeiro”.

Isso pode ter sido uma piada, mas CZ tem boas razões para fazer esses posts: a SEC (comissão de valores mobiliários dos EUA) abriu uma investigação sobre a oferta inicial de moedas da Binance, informou a Bloomberg no início deste mês. A empresa de CZ também está sob investigação do Departamento de Justiça dos EUA, da Commodity Futures Trading Commission e da Receita Federal dos EUA (nem a Binance nem a CZ foram acusadas por nenhuma autoridade dos EUA).

Entre os bilionários de criptomoeda, Zhao é o que mais perdeu percentualmente desde 11 de março. A fortuna estimada de US$ 65 bilhões (R$ 336,87 bilhões) de CZ o tornou a 19ª pessoa mais rica do mundo. Hoje, ele vale cerca de US$ 18,7 bilhões (R$ 96,9 bilhões).

Não que ele se importe minimamente. “Eu realmente não sei qual é o meu patrimônio líquido. Não estou muito preocupado com isso”, disse ele à Forbes no verão passado.

Vida longa ao bitcoin

Michael Saylor, um verdadeiro entusiasta do bitcoin cuja empresa de software Microstrategy gastou cerca de US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões) comprando a criptomoeda nos últimos anos, adotou uma abordagem diferente: a ofensiva. O empresário de software de 57 anos vem bombardeando o Twitter com postagens otimistas e fez aparições recentes na televisão na CNN, Fox Business e Bloomberg, onde minimizou as preocupações com o balanço de sua empresa.

Em março, a MicroStrategy tomou um empréstimo de US$ 205 milhões (R$ 1 bilhão) e deu sua própria reserva de bitcoins em garantia, para comprar – você adivinhou – mais bitcoin.

Saylor agora é outro ex-bilionário, estima a Forbes, com fortuna de pouco mais de US$ 700 milhões (R$ 3,6 bilhões). As ações da MicroStrategy caíram 56% desde o início de março – o Nasdaq caiu 14% no mesmo período. Mas Saylor não vendeu nenhum de seus preciosos bitcoins – “nem um satoshi”, disse ele à âncora da CNN Julia Chatterley esta semana, invocando um termo pouco conhecido para a menor unidade do bitcoin. Um satoshi vale 0,00000001 bitcoin.

“O bitcoin vai durar mais que todos nós”, insistiu Saylor. “Tenho certeza disso.”

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