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Mubadala cancela OPA para aquisição do controle da dona do Burger King Brasil

Problemas contratuais na negociação impossibilitaram o avanço da oferta pública de aquisição de ações

4 min
Michael Thomas/Getty Images
Michael Thomas/Getty ImagesHambúrguer da rede de fast-food Burger King

O investidor estatal dos Emirados Árabes Unidos Mubadala revogou a oferta pública de aquisição de ações (OPA) que lhe daria o controle da operadora brasileira de fast-food Zamp (BKBR3), antiga Burger King Brasil.

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A decisão, divulgada hoje (23) pela Zamp, vem após a Restaurant Brands International, master-franqueadora das marcas Burger King e Popeyes, não garantir que a potencial tomada do controle da Zamp pelo investidor árabe manteria inalterados os atuais contratos de franquia das duas redes, que representam o grosso da operação da empresa brasileira.

As ações da Zamp fecharam com queda de 9,2%, a R$ 7,28 reais ontem, desabando após o posicionamento da Restaurant Brands divulgado no meio da tarde. Ainda assim, os papéis da empresa estão 17% acima do nível registrado imediatamente antes da proposta inicial do Mubadala vir à público, no início de agosto.

Hoje, as ações chegaram a cair mais de 6% na abertura, mas desaceleraram a perda e, por volta de 10h40, cediam 4,53%, a R$ 6,95.

O Mubadala vinha pedindo uma manifestação definitiva da Restaurant Brands sobre a possibilidade de a tomada de controle gerar alteração ou rescisão nos contratos de Burger King e Popeyes, uma vez que até então a master-franqueadora dizia não ter informações suficientes para se posicionar sobre o assunto.

Com a proximidade do leilão da oferta, previsto para o dia 26, o investidor árabe subiu o tom e disse que a falta do posicionamento poderia levar ao cancelamento da operação.

Além da representatividade de Burger King Brasil e Popeyes para o negócio da Zamp, debenturistas da empresa brasileira condicionaram a aprovação da não antecipação do vencimento de títulos – uma das condições para a realização da OPA – à confirmação pela Restaurant Brands de que não haveria alteração nos contratos.

“Considerando o potencial impacto material adverso para a Zamp que decorreria da rescisão dos contratos, entendemos não ser possível prosseguir com a realização da oferta, em razão da verificação de condições para modificação ou revogação da oferta previstas no edital”, disse o Mubadala na carta divulgada nesta sexta-feira pela Zamp, atualmente sem controle definido.

O Mubadala reiterou que desconhecia a possibilidade de rescisão dos contratos e se disse surpreendido “com uma verdadeira ‘poison pill’ até então oculta, que sujeita a aquisição do controle da Zamp à discricionariedade da master-franqueadora”.

A Restaurant Brands justificou seu posicionamento na véspera dizendo que havia recebido novas informações e que com base nelas entende que “algumas das afiliadas do Mubadala estão envolvidas em atividades que competem com as atividades do Burger King e Popeyes”, sem detalhar.

O conselho de administração da Zamp discorda do Mubadala e disse nesta semana que há nos documentos regulatórios da companhia advertências sobre a possibilidade de rescisão dos contratos diante de potenciais transferências de ações.

Além da questão dos contratos, o negócio já enfrentava outros empecilhos, como divergências sobre o preço proposto para a operação.

O Mubadala lançou em agosto por meio de um veículo de investimento uma oferta por 45,15% da Zamp, em negócio que, se concretizado, deixaria o investidor árabe com 50,1% da companhia brasileira.

No início da semana passada, após manifestações negativas de alguns acionistas e do próprio conselho de administração da Zamp, o Mubadala elevou em cerca de 10% a oferta, para 8,31 reais por ação, ou cerca de 1,03 bilhão de reais ao todo. Ainda assim, donos de mais de 22% da Zamp se posicionaram contrários à oferta.

Pela avaliação do BTG Pactual, que assessorou o conselho da Zamp, a ação da empresa valeria entre R$ 9,96 e R$ 13,47, com ponto médio de R$ 11,72.

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