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“É preciso pensar em quanto se paga de imposto”, diz Nathalia Arcuri

Em nova série de quatro episódios no Youtube, influenciadora vai tratar da complicada tributação no Brasil de forma lúdica

5 min
Divulgação/Me Poupe!
Divulgação/Me Poupe!Nathalia Arcuri, empresária e fundadora do canal de finanças Me Poupe!

Há centenas de diferenças entre o Brasil e os Estados Unidos. Uma das mais visíveis para os brasileiros que vão para lá é que o equivalente americano do Leão não tem medo de mostrar as garras. Mesmo na compra de um café, fica claro o percentual de impostos que recaem na fatura.

No Brasil, como os tributos estão embutidos diretamente no preço dos produtos, a mordida do Leão é menos visível.

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Na avaliação da empresária e influenciadora digital Nathalia Arcuri, isso tem consequências graves. Uma delas é tornar o consumidor e o contribuinte brasileiros menos conscientes de quanto imposto pagam todos os dias.

A profundidade da mordida

Para romper essa inércia, Nathalia lançou uma série documental de quatro episódios em seu canal de finanças no YouTube, o Me Poupe!. Intitulada “Os Caminhos do Dinheiro” a série, que custou R$ 700 mil para ser produzida, pretende tornar os brasileiros mais conscientes da profundidade da carga fiscal.

“Você sabe quanto imposto você paga de verdade? Sabe que o sabonete que você usa tem 40% de imposto? Que a energia que ilumina sua casa tem mais de 50% de tributos?”, pergunta ela. “Cinco meses do nosso salário são destinados a pagar esses impostos, então tornar isso visível faz parte da nossa missão.

A influenciadora afirma que essa discussão é ainda mais relevante em um momento eleitoral e de tanta polarização política. “É fundamental que as pessoas comecem a pensar em quanto dinheiro estão entregando ao governo e como ele está sendo usado”, diz ela.

Consciência dos impostos

Pagar impostos é um dever. Exatamente por isso, os contribuintes deveriam ficar muito atentos aos usos desse dinheiro. “No fim, quem estiver no governo vai pegar o seu dinheiro e trabalhar com ele, para que você não tenha que pagar por serviços como educação, saúde e segurança”, diz Arcuri. “Já pagamos impostos, então não deveríamos ter de pagar por esses serviços. Isso é nosso direito, inclusive está na Constituição.”

“Nós queremos que o público entenda para onde vai o seu dinheiro, como ele é direcionado, quais são as formas de tributação, por que esse dinheiro não retorna, e muitas outras coisas que não são claras, mas deveriam ser”, afirma Arcuri.

Os gargalos tributários

Na série, a influenciadora vai explicar que há três grandes gargalos no sistema tributário brasileiro. O primeiro é que a estrutura é muito complexa. “Nós temos 90 impostos, contribuições e taxas. Só por aí você já percebe o quanto é complexo.” Não por acaso, uma das principais reclamações dos empresários brasileiros é terem de manter equipes enormes e caras apenas para cuidar da papelada

O segundo problema é a falta de visibilidade para o contribuinte de quanto dinheiro está sendo gasto com impostos. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, a fatia do dinheiro pago que vai para o governo está embutida nos preços dos produtos. “A situação é muito menos transparente”, diz.

Finalmente, o terceiro (mas não o menor) dos problemas é o fato de a tributação ser regressiva e não progressiva. Ou seja, os contribuintes de renda menor pagam, proporcionalmente, mais impostos. “Em países desenvolvidos, a carga tributária é progressiva, ou seja, quanto mais você ganha, mais você paga. Aqui é o contrário, quanto menos você ganha, mais impostos você paga”, diz Arcuri.

Impostos regressivos

Apesar de os trabalhadores com salários mais baixos pagarem menos Imposto de Renda, a carga tributária em produtos (como alimentos e energia) e serviços (como transportes) é, proporcionalmente, maior do que para quem recebe salários maiores.

Além de apresentar a estrutura e o peso dos impostos, a influenciadora traz sugestões para a discussão. Para Arcuri, a única solução é algo difícil e que vem sendo tentado há décadas: uma reforma tributária. Ela poderá tornar o sistema menos assimétrico e a tributação menos regressiva.

“Não adianta fazer remendos, reduzir um imposto aqui e aumentar outro lá”, diz. “O endividamento público é gigantesco, então é urgente mudar de fato o sistema.”

Para isso, o último episódio traz uma série de entrevistas com tributaristas brasileiros e compara a situação do Brasil com a de outros países. “O que precisamos é vontade política e pressão social. Os episódios servem para que o brasileiro acorde. Nós estamos em uma situação de inércia sem nem perceber, achando que está muito difícil, que é todo mundo corrupto, mas o que você pode fazer para mudar?”, afirma Arcuri.

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