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Paraguai Precisa Fortalecer Governança, Diz Banco Mundial

Para o Grupo Banco Mundial, o desempenho econômico do país reflete uma gestão fiscal prudente e uma base macroeconômica estável

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O Paraguai vem chamando a atenção da comunidade internacional por uma série de indicadores positivos. O país projeta um crescimento econômico entre 4% e 6% em 2026, conquistou o grau de investimento pelas agências Moody’s e Standard & Poor’s e registra um avanço consistente do investimento estrangeiro direto. Ao mesmo tempo, o ambiente de negócios alcança um dos melhores momentos da história recente do país.

Para o Grupo Banco Mundial, o desempenho econômico do país, com expansão média de 5% nos últimos três anos, reflete uma gestão fiscal prudente e uma base macroeconômica estável. A instituição considera que o Paraguai mantém uma política monetária capaz de conservar a inflação dentro da meta de 3,5% estabelecida pelo Banco Central do Paraguai (BCP).

Segundo o órgão, essa estabilidade é sustentada pela forte produção agrícola e agroindustrial, pela expansão do setor de serviços, pelo aumento do investimento estrangeiro e pela vantagem estrutural proporcionada pela capacidade hidrelétrica do país.

Diante desse cenário, o Banco Mundial destacou que, no âmbito externo, o Paraguai tem a oportunidade de continuar fortalecendo sua resiliência diante de choques climáticos e da volatilidade dos preços das matérias-primas.

Além disso, a instituição destaca o peso das exportações de produtos primários e da energia elétrica na economia paraguaia. Por isso, recomenda ampliar a diversificação produtiva e adotar uma gestão mais sustentável dos recursos. Essas medidas ajudariam a reduzir as vulnerabilidades do país.

Banco Mundial

No cenário interno, o Paraguai ainda dispõe de espaço para fortalecer suas instituições e melhorar a qualidade dos serviços públicos, com base nos avanços já alcançados em estabilidade macroeconômica e crescimento sustentado.

Para reduzir os riscos e preservar o protagonismo econômico do país, o Banco Mundial apontou que as reformas mais urgentes envolvem a diversificação da economia e o desenvolvimento do capital humano. “Paraguai deve diversificar sua base produtiva, apoiando a agroindústria, a manufatura leve e os serviços comercializáveis, a fim de reduzir sua exposição a eventos climáticos”, afirmou a instituição.

Para isso, serão necessários esforços contínuos e reformas estruturais capazes de mobilizar o investimento privado nos setores de serviços e da indústria de transformação. Ao mesmo tempo, a governança e o ambiente de negócios precisam ser fortalecidos para sustentar o recente crescimento do investimento estrangeiro direto.

O Banco também ressaltou a importância de continuar desenvolvendo o capital humano, com o apoio de iniciativas sociais fundamentais, como o programa Fome Zero, considerado essencial para a construção de uma economia resiliente, produtiva e inclusiva.

Grau de investimento e sua consolidação

Segundo o Grupo Banco Mundial, esses fatores de sucesso, aliados a uma gestão madura da dívida, como demonstram as recentes emissões de títulos soberanos em moeda local, foram reconhecidos internacionalmente.

Nesse contexto, a Moody’s elevou o Paraguai ao grau de investimento, com classificação Baa3, em julho de 2024. A S&P, por sua vez, aumentou a nota do país para BBB- em dezembro de 2025, enquanto a Fitch melhorou a perspectiva da classificação para positiva em outubro de 2025.

“Para transformar este ciclo de crescimento em desenvolvimento sustentável, o Paraguai deve estimular a expansão econômica por meio do capital humano e do investimento privado em infraestrutura física e digital, acompanhados por políticas de proteção social e por esforços de combate à informalidade”, acrescentou a instituição.

Crescimento econômico e seus efeitos

O Banco ainda afirmou que os indicadores econômicos do país demonstram a transformação do crescimento em melhoria do bem-estar das famílias, processo que ocorreu principalmente por meio do aumento do emprego e da elevação da renda do trabalho.

Nas últimas duas décadas, a pobreza monetária caiu de 51,4% para 16% entre 2023 e 2025, enquanto a extrema pobreza recuou para o menor nível histórico, de 2,4%.

“Somente nos últimos dois anos, quase 300 mil paraguaios deixaram a pobreza, uma demonstração concreta do que um crescimento sustentado é capaz de alcançar”, acrescentou o Banco Mundial.

A instituição explicou que a maior parte dos avanços registrados pelo país foi resultado da expansão do emprego e do aumento da renda do trabalho, incluindo melhorias na produtividade agrícola que elevaram os rendimentos da população rural.

Dívida pública do Paraguai

O Banco Mundial afirmou que o principal desafio agora é aumentar a produtividade das empresas e ampliar as oportunidades em outros setores, com o objetivo de estimular a criação de empregos formais e de qualidade.

Nesse sentido, a instituição destacou que o acordo do Mercosul pode se tornar um instrumento estratégico. No entanto, isso exige programas de capacitação profissional voltados a mercados competitivos, capazes de reduzir as lacunas de qualificação, além do uso de ferramentas de dados, como o novo mapa da pobreza do Paraguai.

O levantamento foi apresentado pelo Instituto Nacional de Estatística no fim de 2025 e abrange os 263 distritos do país.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

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