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Dados de emprego de março mostram desaceleração da economia dos EUA

Foram abertas 236 mil vagas no mês passado, abaixo das 326 mil de fevereiro; outros quatro indicadores revelam queda nas contratações

4 min
Foto: Reuters / Brian Snyder
auxílio-desempregoPlaca indicando oferta de emprego: menos contratações em março

A divulgação hoje (7) da criação de 236 mil vagas de trabalho não-agrícolas nos Estados Unidos em março, o “non-farm payroll”, confirmou que a economia americana está se desacelerando. O resultado ficou em linha com a mediana das estimativas do mercado, que era da criação de 230 mil vagas. E o número de março ficou bem abaixo das 326 mil vagas abertas em fevereiro (número revisado, ante os 311 mil postos de trabalho da avaliação preliminar). A taxa de desemprego caiu de 3,6% em fevereiro para 3,5% em março, levemente abaixo das estimativas do mercado, que eram de 3,6%. Porém, por outro lado, os salários subiram 0,3% na base mensal, também em linha com as projeções dos especialistas.

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O non-farm payroll foi mais um indicador a confirmar a desaceleração da atividade econômica nos Estados Unidos. Ontem (6), o Department of Labor, equivalente ao Ministério do Trabalho dos Estados Unidos, divulgou que o número de pedidos iniciais de seguro-desemprego (“initial jobless claims”) da semana encerrada em 1º de abril caiu para 228 mil. Apesar de o resultado ter ficado acima da projeção de 200 mil, ele recuou ante o número revisado de 246 mil pedidos da semana anterior.

Indicadores

A semana foi marcada por vários indicadores de emprego. Na quarta-feira (05), o relatório da ADP (American Data Processing) veio muito aquém do esperado, com a criação de 145 mil vagas no setor privado em março. Além da forte queda ante as 242 mil vagas abertas em fevereiro, o resultado veio bastante abaixo da expectativa, que era da criação de 200 mil vagas. A ADP é uma empresa que processa as folhas de pagamento de alguns milhões de empresas nos Estados Unidos. Por isso, ela tem uma avaliação praticamente em tempo real das contratações e demissões do setor privado americano.

Na terça-feira (04), o Bureau of Labor Statistics (BLS), divulgou o relatório JOLTS, sigla para Job Openings and Labor Turnover Survey, indicador americano semelhante ao Caged brasileiro. A abertura de vagas em fevereiro foi de 9,93 milhões, ante os 10,56 milhões de janeiro (dado revisado). Foi a segunda queda consecutiva e a primeira vez, desde maio de 2021, que o resultado ficou abaixo de 10 milhões. A expectativa para fevereiro era da criação de 10,4 milhões de vagas.

Juros americanos

Por que todos esses números são importantes? Para realizar seu trabalho de manter o valor da moeda estável ao longo do tempo, os diretores do FED (Federal Reserve), o banco central americano observam a inflação em primeiro lugar. Esse é o indicador econômico mais relevante. O indicador econômico mais relevante em seguida é o emprego. Por dois motivos. O primeiro é que ele é um indicador “atrasado”. Ou seja, é o que demora mais tempo para reagir às decisões de política monetária. O segundo é por ele ser um indicador determinante. Pessoas empregadas (e com salários crescendo) consomem mais e mantém os preços elevados. Pessoas sem emprego, ou com salários menores, consomem menos e desaceleram a inflação.

Assim, se os indicadores de emprego mostrarem que há menos americanos trabalhando e menos dinheiro circulando entre os assalariados, será uma comprovação de que o aperto na política monetária que se iniciou em 2022 já está fazendo efeito sobre a economia real. Ou seja, pode ser uma boa hora para o Federal Reserve interromper seu processo de ajuste e avaliar se já fez o suficiente para conduzir a inflação de volta às metas. Daí a importância do número que será divulgado na sexta-feira para os juros americanos e para os preços dos ativos financeiros em países desenvolvidos e nem tanto.

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