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Fed Mantém Juros Inalterados, Mas Falta de Unanimidade Indica Possível Fim de Ciclo

O banco central americano mantiveram os juros na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano pela quinta vez consecutiva, com tarifas no radar

4 min

Conforme esperado pelo mercado — e na contramão dos constantes pedidos de Donald Trump —, o Federal Reserve manteve a taxa de juros dos Fed Funds inalterados na faixa de 4,25% a 4,5% ao ano, por 9 votos a 2. Os dois dissidentes já haviam se pronunciado a favor do movimento publicamente.

Essa é a quinta reunião consecutiva que as taxas se mantêm estáveis. No comunicado, os diretores do banco central americano apontaram que, apesar das fortes oscilações vistas na balança comercial, os últimos dados da atividade econômica apontam para um crescimento mais moderado da economia na primeira metade do ano, com o desemprego baixo e um mercado de trabalho sólido. No entanto, a inflação segue persistentemente elevada, assim como as “incertezas do cenário econômico”.

Os diretores do BC americano apontam que continuarão monitorando os próximos dados e o balanço de riscos para as suas tomadas de decisões.

Nos últimos meses — assim como aconteceu em seu primeiro mandato — o presidente americano Donald Trump tem feito pressão para que o chefe do Fed, Jerome Powell, faça cortes na taxa de juros da ordem de 3 pontos percentuais. Trump tem ameaçado o banqueiro central com demissão, embora não esteja claro se a destituição motivada por desalinhamento político-econômico pode ser feita.

O fato da decisão não ter sido unânime pode renovar as esperanças do mercado sobre o início do ciclo de cortes. Antes da coletiva de Powell, a ferramenta de monitoramento de expectativas de mercado do CME Group indicava uma chance de 63,7% de um corte de 0,25% p.p na reunião do dia 17 de setembro.

Para Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, a maior surpresa foi o voto de dois diretores pelo corte de 0,25 p.p. “A sinalização dada na comunicação de hoje aponta para o início de um ajuste de redução de juros no segundo semestre, que, acreditamos, será moderado. Acreditamos que os membros do FOMC decidirão cortar 25bps no próximo encontro, não fazer nada na reunião de novembro e voltar a cortar em dezembro, levando a taxa básica para o intervalo entre 3,75% e 4,00% no final do ano”.

Tarifas nublam o cenário

Na tradicional coletiva de imprensa após a decisão, Powell citou diversas vezes as incertezas que as tarifas comerciais deixam no cenário e caracterizou o atual momento da política monetária americana como “moderadamente restritiva” e que os membros do colegiado ainda não sabem qual deve ser a taxa neutra para a economia americana. Hoje, ele vê o mercado de trabalho como o mais sensível a um eventual corte de juros fora do momento correto. 

Segundo Powell, ainda levará algum tempo para que se saiba exatamente o quanto as tarifas irão afetar a economia americana, mas que acredita que os efeitos sobre os preços tenham pressão para cima pontual. “Acho que aprendemos que o processo provavelmente será mais lento do que o esperado”, completou. 

Questionado sobre a redução de incertezas no cenário comercial, Powell afirmou que não houve mudanças desde o último encontro do Fomc, ainda que diversos acordos comerciais tenham sido firmados desde então. “Estamos esperando as coisas se acomodarem e ainda há muito para se resolver”, afirmou o chefe do Fed em coletiva de imprensa. 

Apesar da falta de unanimidade na votação, o banqueiro central disse que não há nenhum tipo de consenso ou discussão sobre um eventual corte de juros na reunião de setembro. Até lá, haverá a divulgação de duas séries de dados sobre o mercado de trabalho e inflação. 

Powell desviou de perguntas que tentavam entender os riscos do projeto One Big Beautiful Bill do governo trumpista e da insatisfação do chefe do Executivo com a condução da política monetária. “ Acredito que ter um banco central independente tem servido bem a sociedade e, enquanto for assim, deveria ser mantido”. 

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