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Indústria Pede Mais Prazo e Governo Prega ‘Diálogo’ com Fornecedores e Clientes Americanos para Pressionar Trump

Empresários de diversos setores produtivos se reuniram hoje em Brasília para discutir alternativas

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Empresários dos mais diversos setores produtivos estiveram reunidos nesta manhã (15)  em Brasília para discutir com o governo potenciais saídas para a sobretaxa de 50% anunciada pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros no início do mês. Apesar do encontro ter sido fechado, representantes do governo e da indústria se mostraram alinhados quanto à necessidade de negociação. 

Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a proposta de diálogo da indústria coincide com o objetivo do governo brasileiro de negociar com os Estados Unidos — seja por um aumento do prazo ou por uma redução das alíquotas. “O setor produtivo vai conversar com quem eles vendem e compram [nos EUA]. Vamos envolvê-los porque essa é uma relação importante e que pode encarecer a economia americana. É uma oportunidade para mais acordos comerciais”, declarou. 

O ministro ainda pontuou que o Brasil nunca esteve fechado às negociações comerciais desde o início dos anúncios de Trump, tendo feito diversos encontros com autoridades e até mesmo enviado uma carta com tratativas de acordo que não obtiveram respostas até a instituição da nova taxação. 

Enquanto o governo prega diálogo com os empresários americanos e aguarda novas propostas dos setores, a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), representada por Ricardo Alban, pediu para que se trabalhe pelo adiamento do início da taxação em pelo menos 90 dias. Em estimativa preliminar, a CNI projeta a perda de pelo menos 110 mil postos de trabalho e forte impacto no PIB caso a medida entre em vigor.

Alban também espera que o governo não seja reativo ou se precipite em medidas intempestivas. “Estamos falando aqui só de perde-perde. Não tem ganha-ganha. Perde a indústria, perde a economia, perde o social. Queremos colocar a discussão de acordos setoriais e bilaterais. Discutir bitributação”, completou o executivo

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, as exportações do Brasil para os Estados Unidos cresceram 4,37% no primeiro semestre do ano, enquanto a importação de itens americanos subiu 11,48% — quase três vezes mais. “Em um momento em que é recorde as exportações dos EUA para o Brasil, essa decisão da tarifa é incompreensível. Por isso nossa união para revertê-la”, pontuou Alckmin à imprensa. 

Uma nova reunião será realizada no período da tarde, dessa vez com representantes do agronegócio para discutir a taxação. O setor será um dos mais afetados caso a medida entre em vigor. 

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