Na manhã desta quinta-feira (24), ainda no pré-mercado, o homem mais rico do mundo viu seu patrimônio encolher US$ 12 bilhões (R$ 66,2 bilhões), em meio à queda de 8% das ações da Tesla, valendo US$ 303,00 (R$ 1.672,00). Na quarta-feira (23), durante a apresentação de resultados da montadora referentes ao segundo trimestre, o bilionário alertou que a Tesla deve enfrentar “alguns trimestres difíceis” pela frente. Isso porque o pacote de políticas do presidente americano, Donald Trump, prevê o fim dos créditos fiscais federais de US$ 7.500,00 (R$ 41.400,00) para compra ou leasing de veículos elétricos, a partir de 30 de setembro.
Diante do baque, o valor da participação de cerca de 12%, que Musk detém na Tesla, passou de aproximadamente US$ 136,3 bilhões (R$ 751,4 bilhões) para US$ 124,1 bilhões (R$ 684,2 bilhões) — uma perda de US$ 12,2 bilhões (R$ 67,4 bilhões). De abril a junho deste ano, a fabricante de veículos elétricos registrou a maior queda de receita trimestral em mais de dez anos, incluindo uma perda de quase US$ 600 milhões (R$ 3,3 bilhões) em créditos regulatórios automotivos. Apesar dos números, durante a teleconferência, Musk colocou panos quentes para acalmar os investidores. Ele afirmou que “eu ficaria surpreso se os números da Tesla não forem muito atraentes até o fim do ano que vem.”
Além disso, comentou que a montadora provavelmente terá um serviço de transporte autônomo plenamente funcional em metade dos Estados Unidos até o fim de 2025. “Esse é, pelo menos, o nosso objetivo, sujeito às aprovações regulatória”, disse. Apesar da grande perda, a fortuna do CEO da Tesla era de US$ 414,9 bilhões (R$ 2,3 trilhões) na quarta-feira, o que o mantém como a pessoa mais rica do mundo, segundo dados da Forbes.
Como e como fica a Tesla?
Só neste ano, as ações da Tesla recuaram 12%, embora tenham se recuperado nos últimos meses, após Musk deixar sua função como funcionário especial do governo Trump. Ainda assim, alguns economistas criticaram a permanência de Musk no cenário político. Analistas da William Blair, por exemplo, rebaixaram a recomendação para o papel da Tesla, afirmando que os investidores estavam “ficando cansados da distração”.
O novo golpe aos negócios da Tesla acontece após Trump assinar o chamado “One Big Beautiful Bill” (belo e lindo projeto), que elimina o crédito fiscal para veículos elétricos. Musk se posicionou contra o corte nos incentivos para os carros e outras fontes de energia limpa, classificando a medida como “incrivelmente destrutiva” para os Estados Unidos, apesar de ter dito, em dezembro de 2024, que acreditava que “todos os créditos deveriam acabar”.
Diante do cenário, para Alex Potter, analista do banco Piper Sandler, a Tesla deve ser pressionada com perguntas sobre o impacto da perda dos créditos fiscais, lembrando que a montadora adicionou cerca de US$ 3,5 bilhões (R$ 19,3 bilhões) em “dinheiro grátis” em 2024 por conta dos incentivos. Ainda assim, Potter afirmou que sua equipe segue otimista, prevendo uma “redução modesta” nas receitas com créditos em 2025 e 2026, sem necessidade de grandes revisões nas projeções. Dan Ives, da Wedbush Securities, escreveu na terça (22) que o fim dos créditos fiscais será um “vento contrário” para a Tesla e suas concorrentes, acrescentando: “essa máquina de dinheiro deixará de ser o foco da história.”