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Por Que o Brasil É uma das Grandes Apostas da Azimut Wealth Management

Semelhanças com processo de amadurecimento econômico da Itália são algumas das razões que levam a uma aposta de longuíssimo prazo no Brasil

8 min

Quando o assunto é gestão de fortunas, instituições brasileiras, suíças, americanas e italianas concordam com a mesma filosofia: a estratégia de um cliente deve estar sempre alinhada com o longo prazo. 

Nos últimos anos, problemas estruturais, crises econômicas e o surgimento de mercados mais competitivos fez com que grandes players do setor de wealth management deixassem o país — o último deles foi o Julius Baer, que vendeu a sua operação brasileira para o antes concorrente BTG Pactual. 

Enquanto alguns riscam o Brasil do mapa das oportunidades, outros acreditam que o melhor ainda está por vir, ainda que se leve mais alguns anos para se chegar até o cenário ideal. É o caso da italiana Azimut. 

Com quase R$ 800 bilhões sob gestão global e pouco mais de uma década de presença no Brasil, a instituição tem o país como um de seus três principais mercados e vê um futuro promissor para a sua operação local. 

Em conversa com a Forbes Brasil, Wilson Barcellos, CEO da Azimut Brasil Wealth Management, aponta que, apesar dos problemas fiscais atuais e a nuvem de tarifas que pairam sobre a economia global, as oportunidades de crescimento para o segmento de gestão de recursos é enorme. “Os atuais R$ 12 bilhões sob gestão [no país dentro do braço de wealth management] não são um número adequado para o tamanho das pretensões do grupo no Brasil. Não é o tamanho adequado para os sonhos, para as vontades e para o desejo de investimento que nós temos”. 

A “sementinha” do interesse da Azimut pelo Brasil está do outro lado do Atlântico, mais precisamente na Itália. Segundo Barcellos, a visão estratégica da instituição é de que o país, hoje, é o que a nação europeia era há cerca de três décadas atrás — com taxas de juros altas, investidores com forte concentração de investimentos locais (principalmente renda fixa) e pouca diversificação internacional. Isso sem falar no processo de consolidação do enriquecimento da população. 

“A Azimut investe no Brasil porque a nossa visão é a de que esse cenário macroeconômico de 15% de juros com inflação de 5% ao ano não é sustentável e que, em algum momento, mudanças serão feitas. E nem estou entrando na disputa política, se é Bolsonaro ou Lula. A gente acredita que, se você olhar para um prazo mais dilatado, esse país não suporta [o cenário macroeconômico atual] por muito mais tempo”, aponta Barcellos. “Ajustes serão feitos. A gente quer ficar aqui no longuíssimo prazo e quando olho para lá, o que vemos é um cenário político muito melhor do que o recente — seja olhando para os herdeiros da direita ou os da esquerda”. 

Segundo o CEO, a percepção é de que os governantes do futuro — de ambos os espectros políticos — têm uma cabeça muito mais voltada para questões econômicas e as necessidades básicas para o bom andamento da economia. Com isso, quem estiver preparado e com uma operação solidificada sairá na frente. 

“O que aconteceu na Itália é que, quando as taxas de juros baixaram, os investidores passaram a buscar alternativas fora dela. A gente acha que o Brasil vai dar certo, que os investidores vão diversificar seus investimentos e que a gente vai estar em uma posição muito vantajosa para poder surfar essa onda”, completa. 

Hoje, a Azimut é um player internacional com presença em mais de 20 países e sem nenhuma ligação com bancos. 

Confira outros momentos de destaque da conversa. As respostas foram editadas para maior concisão e clareza

Qual o diagnóstico que vocês possuem hoje do investidor brasileiro e o que destaca a atuação da Azimut em um ambiente competitivo? 

O Brasil é, historicamente, o país da renda fixa. Não é um país onde a população enriqueceu investindo em renda variável. A população enriqueceu investindo em suas próprias empresas, nos seus próprios projetos, mas não necessariamente na bolsa listada, como acontece no S&P, no Nasdaq, por exemplo.

Existe aquela máxima: renda fixa no Brasil, mercado de equities lá fora. Claro que também temos boas empresas de equities por aqui, com muito valor agregado e crescimento relevante, mas o Brasil ainda é o país da renda fixa.

Mas se eu trouxer para o meu cliente apenas a mesmice que todo mundo oferece, não vou agregar valor. O grupo passou a se especializar em cada área e setor. E o que eu tenho de grande valor, que meus colegas [do mercado] não têm, é acesso a 20 países — não apenas os tradicionais. Estamos em Abu Dhabi, Dubai, Irlanda, Austrália, Estados Unidos… E, se não me engano, somos um dos quatro players internacionais com presença local na China.

A Azimut permite essa amplitude de atuação que não vejo em nenhum concorrente local. O Brasil é o país da renda fixa, e surfamos muito bem essa onda. Dentro da Azimut Brasil Wealth Management, nunca tivemos uma alocação em renda fixa tão grande quanto temos hoje. A taxa de juros está alta, as empresas investidas têm saúde financeira, o que gera rentabilidade elevada, isenção fiscal em muitas operações e qualidade nos investimentos.

Além disso, conseguimos uma diversificação não só de produto, mas estrutural e geopolítica. Hoje o grupo internacional tem seis fundos que oferecemos aqui por meio de feeder. Ou seja, trazemos o master de fora, com o feeder replicando aqui dentro. Por enquanto, isso é praticamente exclusivo para nossa carteira de clientes, mas futuramente vamos abrir ao mercado de forma mais agressiva.

Por que a Azimut aposta no Brasil? 

É uma visão da Itália. O Brasil, há duas ou três décadas, era o que a Itália foi: juros altos, investidores com foco exclusivamente local, ninguém olhava para fora. Por quê? Rentabilidade elevada. Se o risco está dentro do país e o retorno é alto, não há incentivo para internacionalizar.

A Azimut investe no Brasil porque acreditamos que esse cenário macroeconômico não é sustentável no longo prazo. Em algum momento, mudanças vão ocorrer e a direção vai mudar.

Não estou falando de política partidária, não é Lula ou Bolsonaro. Vivemos um mundo polarizado. Como gestor de patrimônio, não cabe a mim escolher governantes. Cabe a mim tracionar os investimentos com base no cenário macroeconômico de cada governo.

Se olharmos para um horizonte mais dilatado, vemos que o Brasil não conseguiria sustentar esse modelo por muito tempo. Ajustes serão inevitáveis.

Queremos estar aqui para o longuíssimo prazo. Isso não significa que vivemos apenas de metas longuistas. Não é assim. Mas, olhando para frente, o quadro político que se desenha é melhor que o que tivemos até agora.

Quando vemos quem são os futuros herdeiros tanto da direita quanto da esquerda, notamos que eles têm uma visão mais alinhada à realidade econômica, mais voltada às necessidades de uma economia bem estruturada e fundamentada.

O Congresso reflete melhor a perspectiva do que o Brasil do que o próprio Executivo. Porque o Congresso era de centro-esquerda e vem caminhando para a direita ao longo do tempo, em uma tendência muito clara. O desejo da sociedade está muito refletido nos governantes que estão dentro da Câmara do Congresso, dentro da Câmara do Senado.

Olhamos para o Brasil com esperança de que ajustes virão. E quem já estiver solidificado, com estacas bem firmadas quando “ninguém queria estar aqui”, vai sair na frente. Vai ter um benefício enorme por ter tamanho e robustez para seguir investindo.

A gente acredita que o Brasil vai dar certo. Que os investidores vão diversificar seus investimentos. E que estaremos bem posicionados para surfar essa onda.

Como capturar o investidor brasileiro que tem aversão a investir no exterior em um ambiente tão competitivo?

Uma coisa que a gente não faz aqui é brigar com o mercado. Entendemos qual é a tendência do mercado, as assimetrias pelas quais o investidor passa, e vai para a direção daquilo que probabilisticamente é mais fácil para o investidor ganhar dinheiro. Traduzindo: 10% de taxa de juros real, inflação momentaneamente controlada, ativos com isenção tributária, ativos atrelados à inflação com prêmio de 7% a 8 e vencimento em pouco tempo. Eu não quero inventar a bicicleta de três rodas não. Eu vou tirar proveito do que está acontecendo aqui agora. Só que o que a gente precisa é estar líquido e preparado para antecipar uma mudança macroeconômica que, em algum momento, virá. 

Quando isso acontece, empresas como a Azimut se beneficiam um pouquinho mais. Quando a taxa de juros começa a cair, o investidor começa a buscar o investimento do investidor profissional. Aí é que a gente começa a gerar valor agregado para o cliente. Então, essa é uma tendência que a gente entende que vai acontecer assim que o mercado ficar mais condizente.

15% de taxa de juros reflete um país doente que está tomando um remédio extremamente amargo para resolver um problema crônico que ele está passando. 

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